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O TDAH INQUEBRANTÁVEL

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Não sei quem sou, nunca soube... Não sou futuro; nem presente. Sou ausência... Não sou coragem; medo muito menos. Sou liberdade... Memória sei que não sou; nem tampouco esquecimento. Sou incômodo... Sim, incômodo. Incomodo a você, incomodo a mim mesmo, incomodo à sociedade em geral. Essa sociedade que me ignora, que finge não me enxergar, que não quer me ouvir. Mas eu grito, me debato, me imponho. Me imponho com meu silêncio, minha reclusão, minha rebeldia, minha inconstância, minha volatilidade. Quem não me engole, tem de me aspirar; quem não me tolera, tem de me carregar. Estou aí, à volta de quem não me quer, não me acredita, não me respeita. Minha vida errante, minha memória claudicante, minha impulsividade incontrolável, até agridem. Mas o que mais incomoda, é essa capacidade TDAHDIANA  de se restaurar, se reerguer, de renascer. A infinita - e talvez infantil - capacidade de sacudir a poeira, ignorar as feridas e os andrajos, e de cabeça erguida e sorriso n...

O TDAH E A ESCOLHA DA SOLIDÃO

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A chuva que, finalmente, cai lá fora; uma velha música do Pink Floyd e o cachorro enrolado aos meus pés são minhas únicas companhias há dias. Com a família viajando no fim de semana, me esbanjei na solidão. No domingo não troquei uma palavra com ninguém. Passei o dia consertando celulares e tablets, ouvindo música, assistindo TV e lendo. Hoje, pensando em meu fim de semana, constatei que, ainda que eu more no mesmo condomínio a quase dezesseis anos, nunca entrei na casa de nenhum vizinho. Não tenho a menor simpatia por vizinho. Tremo de medo que eles tomem intimidade comigo e passem a frequentar minha casa. Isso seria uma tortura para mim. Tenho um colega de trabalho que me ligava todos os domingos pra me convidar pra fazer churrasco na casa dele, essas coisas. Depois de mil e uma desculpas ele percebeu que eu não iria jamais e desistiu. O maior problema é que sou uma pessoa extremamente sociável, simpática e de fácil entrosamento; isso faz com que as pessoas creiam que quero ...

TDAH: O EXTERMINADOR DE FUTUROS!

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No jurássico ano de 1979, fui contratado para o meu primeiro emprego regular; carteira assinada e tudo.  Por tratar-se de um primeiro emprego minha empregadora inscreveu-me no PIS (acho que todos sabem o que é o PIS). Sei lá por que, uns anos depois fui tentar receber os juros a que tinha direito, ou outro motivo qualquer que já não me lembro,  e tive o dissabor de saber que meu PIS tinha um erro de cadastro. Segundo o funcionário do extinto Banco Nacional o tal PIS estava cadastrado em meu nome mas os outros dados eram de outra pessoa. Como eu ganhava mais de dois salários mínimos por mês, e não tinha direito ao abono anual - apenas uns juros que julguei ser uma mixaria - e me deu uma enorme preguiça de ir atrás desse assunto, abandonei a questão. Nunca preocupei-me com a correção desses dados. Nunca tive direito a esse abono do PIS, mas sempre quando esse assunto surgia eu me recordava de que meu cadastro estava errado. Uma hora eu vou resolver isso, disse inúmeras ...

TDAH: O ÓDIO E SEUS DESASTRES NOS RELACIONAMENTOS AMOROSOS.

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Nota do Autor (Atualizada em 2025): Este é um dos posts mais difíceis que já escrevi. Nele, eu abro a "caixa preta" da mente TDAH durante uma crise de raiva ou uma decisão de ruptura. Hoje, a ciência estuda isso como Desregulação Emocional . É um relato visceral sobre como a nossa mente cria armadilhas para quem amamos. Se você convive com um TDAH ou se reconhece nesse comportamento, leia com o coração aberto. O objetivo aqui é salvar a sua dignidade, não apenas o relacionamento. Num momento se ama; no momento seguinte se odeia. E odeia a quem se ama! É inexplicável! O ódio não é da pessoa; é da oposição imposta por ela. O ódio é pela cobrança que ela representa. O ódio é interno por uma encruzilhada em que não se sabe em qual das mil opções escolher. Não se culpe, mas não ceda! Se você é o alvo do ódio, desmonte-o, desmantele-o; aceite a ruptura, o fim, e vá embora. Nada de cenas, de choro, de desespero. Odiamos isso. Quanto mais rastejante mais desprezível. Se ...

TDAH: DO AMOR E OUTROS DESASTRES

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Pode parecer pessoal... Você procura a culpa em suas atitudes, em seu comportamento e não encontra. Não há explicação, eu não tenho explicação. Não procure dentro de você, está dentro de mim. Muitas vezes fugi de vergonha pelo que falei ou pela maneira como agi, noutras pra poupar você de aturar tanta inconstância. Esse é o meu mundo. Um mundo de dúvidas e medo, mas de certezas absolutas e atitudes inconsequentes. As pressões, as exigências me desequilibram, me desesperam, tento agir dentro dos padrões, e falho. Sempre falho. Posso explodir por nada, absorvo-me em pensamentos sem sentido, valorizo o pueril negligenciando o essencial. Penso e sinto em espiral, como um tornado: arrebatador, grandioso, capaz de te arrancar do chão. Mas, se você não se preparou, posso destruir tudo à sua volta. Mas juro, não é pessoal; o que eu digo é verdadeiro; é o que eu sinto.Mas muitas vezes perco o controle da língua, das atitudes... me deixo levar pelos mesmos caminhos que já te fizer...

CARREGANDO A CULPA DO TDAH

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                                                                         Henrique Oliveira Tenho em mim todas as culpas do mundo... Parodiando Fernando Pessoa coloco-me na exata situação do TDAH: da crucificação de Jesus ao desaparecimento daquele avião da Malásia tudo é nossa culpa. Exagero? Jamais. Assim somos nós. O acúmulo de erros ao longo da vida nos enche a alma de cicatrizes e a mente de culpas. Muitas delas justificadas e merecidas; outras, completamente infundadas e ridículas. Mas não nos abandonam. Lembro-me de coisas infantis, pueris até, mas que latejam em minha mente com a dor da culpa e do arrependimento. Uma palavra mal colocada, um gesto brusco de uma das pessoas credoras da culpa e pronto; aquela cicatriz volta a doer e a culpa ressurge mais forte e viva do que nunca. Some-se ...

TDAH: TEMOS UM DOM?

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Dádiva. Presente recebido... de Deus! Sim, talvez seja... O dom do reverso. De enxergar a vida às avessas... Cultivamos o dom de uma criatividade ilimitada, que borbulha em nossa mente de tal maneira incontrolável que atravessamos a vida acreditando que em algum momento seremos reconhecidos... O dom de nos atermos à beleza do vermelho vivo do sangue que brota e não à dor que sentimos ao nos atirarmos pela enésima de vez de abismos e precipícios... O dom de caminharmos sobre os escombros de nossas próprias vidas; impávidos; indiferentes; incólumes; e absolutamente prontos para a próxima queda; tão certos estamos de nossos infinitos reerguimentos. O dom de nossa multiplicidade.  Multiplicidade de empregos; de amores; de recomeços; de objetivos; de fracassos; de tentativas... O dom da amnésia. Não, não são essas pequenas e risíveis falhas de memória. O dom da amnésia consiste em esquecer as dores passadas; as derrotas passadas; os aprendizados passados e encarar cada dia ...