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Mostrando postagens com o rótulo IMPULSIVIDADE TDAH

DISTOPIA TDAH: UM MUNDO NEURODIVERGENTE.

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                                    O Ciclo da Incerteza Diária ​Cai a noite e, com ela, a expectativa de se haveria ou não energia elétrica naquela noite. O dia havia transcorrido normalmente, mas a troca de turno sempre gerava tensão: alguém esquecia de algum procedimento, parte da turma chegava atrasada... enfim, sempre pode surgir um contratempo. Não naquela noite; o horário de turno passou em absoluta normalidade. A Fúria Impulsiva   ​Saí para ir à padaria, mas me deparei com ela fechada. Os funcionários saíam em silêncio, alguns cabisbaixos, outros com semblante tranquilo. Seu Antenor, num momento de raiva, fechou a padaria e demitiu todos os funcionários. Não era a primeira vez que fazia isso, mas era a primeira depois de começar a tomar o Venvanse. Por isso o semblante preocupado e entristecido de parte dos funcionários demitidos. A maioria sabia que, na manhã seguinte, tudo estaria no...

TDAH NO TRABALHO: Os Riscos de Revelar o Diagnóstico na Era da Produtividade

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O Império do Útil e o Fim da Sensibilidade Vivemos a era da utilidade. Tudo deve ser útil e utilizável. Inclusive pessoas e sentimentos.  Já tivemos uma das melhores publicidades do mundo, ganhamos prêmios com propagandas icônicas e sensíveis. Hoje a propaganda é simplória e superficial: isso custa tanto em tantas parcelas. As listas de melhores livros é deprimente: nos primeiros lugares estão livros de colorir ou autoajuda, literatura, quando está entre os dez mais vendidos, fica lá no fim. O que isto tem a ver com o TDAH?  Tudo.  Nós, e nossos devaneios, não combinamos com os tempos de utilidade.  Nós, e nossas falhas de memória, não combinamos com o tempo da produtividade.  Nós, e nossa impulsividade, não combinamos com o tempo do massacre aos direitos trabalhistas. O Mito do "Pense Fora da Caixa"  Ahhhh, dirão os candidatos a coach, mas as empresas querem funcionários que pensem fora da caixa. Mentira! As empresas querem e contratam quem obedece cegamen...

O TDAH E A MENTE QUE NOS ENGANA

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Nota do Autor 2026:  Anos depois, este texto continua sendo um grande alerta. Entendo que a "vitória" não é fazer a lista funcionar, mas perdoar-se por não conseguir usá-la. A verdadeira produtividade para o TDAH começa na autocompaixão, não no despertador. Uma das coisas que mais me irritam é palpite de um não TDAH sobre o que devemos fazer para melhorar nossa produtividade. Algumas sugestões chegam a ser ridículas, por exemplo: Faça listas das tarefas mais importantes . Nessa sugestão temos três problemas básicos do TDAH: o primeiro é lembrar de fazer a lista, o segundo é lembrar de consultar a lista e o terceiro e mais grave, temos muita dificuldade em priorizar tarefas de acordo com importância. Muitas vezes elegemos aquelas que nossa mente se sente recompensada, e não a mais importante. E aqui entramos na verdadeira questão deste texto, como não se deixar influenciar pelo próprio pensamento . ​O Mito das Soluções Simples Quem não é TDAH ou quem não estudou profundamente ...

TDAH: O LUTO DO DIAGNÓSTICO E A LUTA PARA SAIR DAS CORDAS

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                                                                                                Nota do Autor 2026 : Reli este texto com os olhos de quem já atravessou esse ringue. Em 2026, entendo que aquele homem de 50 anos, recém-diagnosticado e acuado nas cordas, não precisava "arrancar as raízes" com tanta violência. O TDAH não é uma planta venenosa, é o solo onde meu edifício foi construído. A luta não é para extraí-lo, mas para aprender a reformar as colunas sem derrubar a casa. Se você recebeu seu diagnóstico hoje, respire: a decepção faz parte da cura. A Ilusão do Tratamento Mágico   Há pouco mais de um mês fui diagnosticado como portador de   TDAH . Naquele momento foi um alívio. Encontrei a razão de meu comportamento autodestru...

TDAH NÃO É DESCULPA, É SEQUESTRO: PARE DE MINIMIZAR NOSSA LUTA

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                                        Foto do site Maísa Lanzarin Psicóloga -maisalanzarin.com.br Nota de 2026 : Reli este desabafo e a dor do "esquecimento patológico" ainda ressoa. Hoje, o mundo está mais barulhento e as pessoas continuam dizendo que "também são um pouco TDAH". Não, não são. Ter um lapso de memória é humano; viver em um labirinto de memórias falsas e certezas que nos traem é TDAH. Este post é para quem está cansado de ser silenciado com frases motivacionais vazias. Mesmo dentro de nossas casas é comum tentarem minimizar a importância ou a gravidade do TDAH e seus efeitos. O mais comum de se ouvir é: eu também sou esquecido! Desculpe, mas você não pode opinar se o seu esquecimento não é patológico. Você é esquecido, desatento, impulsivo, procrastinador, emocionalmente instável, não aprende com os próprios erros, anti social, sem noção de tempo?  Se um dos sintomas...

O TDAH E A SÍNDROME DO AVESTRUZ : A VONTADE DE SUMIR APÓS MAIS UM ERRO.

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Nota do Autor (Atualizada em 2025): Escrevi este texto em um dia de cansaço profundo. A "Síndrome do Avestruz" é aquele desejo de enfiar a cabeça na areia para não encarar as consequências da nossa desatenção. Releio isso hoje e vejo o quanto o diagnóstico tardio nos sobrecarrega com o peso de erros passados. Se você se sente "trôpego" pelas cobranças da vida, saiba que essa exaustão tem nome e tem tratamento. Você não está sozinho nessa "convulsão mental". Depois do milionésimo erro por desatenção, inocência ou negligência, a pessoa começa a acreditar que quem está certo é o avestruz: a qualquer ameaça enfia a cabeça na areia para não ver as consequências... É isto; a maior recorrência na vida de um portador de TDAH são as infinitas repetições de erros, muitas vezes tolos mas de consequências sérias. E aí a pessoa começa a se questionar quanto a tudo; à vida, aos tratamentos, aos medicamentos, à sua própria escolha de vida... Não há remédio que cure...

SOU TDAH! E DAÍ?

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Nota do Autor 2026: O  entendimento sobre o TDAH evoluiu de um simples "transtorno de déficit" para uma compreensão mais ampla sobre a neurodivergência . Hoje, o foco não está apenas em "corrigir" o indivíduo com medicação, mas em como o ambiente (trabalho, escola e casa) pode ser adaptado para acomodar mentes que funcionam de forma diferente. Ser diagnosticado com TDAH pode ser um divisor de águas na vida; ou nada. O que fazer com este diagnóstico? ​Pode ser uma belíssima justificativa para erros passados e futuros. Pode ser a chave para uma mudança de vida. Mas, na maioria dos casos, não serve para absolutamente nada. Esperar por milagres ou contos de fadas é uma característica típica do TDAH. Ao ser diagnosticado e tomar meia dúzia de comprimidos de Ritalina, e não acontecer o milagre, o remédio é abandonado e o diagnóstico esquecido. E a vida se arrasta como sempre. Quase nunca volta à mente a existência do transtorno; a não ser para justificar atitudes injus...

TDAH, COMO DESTRUIR UM GRANDE AMOR

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Nota do Autor (Atualizada em 2025): Este texto é um dos meus relatos mais duros e honestos. Ele descreve o "ciclo de descarte" que muitas vezes o TDAH impõe aos seus parceiros sem perceber. Hoje, a psicologia explica isso através da busca incessante de dopamina: o novo é excitante, o rotineiro é "insuportável". Escrevi isso para que você, TDAH, reconheça o padrão antes de destruir sua vida, e para que você, parceiro, entenda que o problema não é você. A mecânica se repete... De repente, aquela pessoa que se amava até ontem, hoje não serve mais. E começa um processo de destruição de sua imagem. Aquela pequena cicatriz que no começo era um charme vira uma aberração estética; incomoda, causa repulsa. As roupas são feias, os amigos estranhos... E a família? Essa não salva ninguém; formação de quadrilha.    Uma simples escolha de marca de sabão em pó vira um desprestígio e uma falta de consideração imperdoável.    A Busca por Defeitos e a Mudança de Percepção ...