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Mostrando postagens com o rótulo CULPA TDAH

O CANSAÇO INVISÍVEL DO TDAH: POR QUE O ISOLAMENTO SE TORNA UM REFÚGIO

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O Esgotamento da Performance Social Em conversa com a leitora do blog, amiga querida e irmã de TDAH, Emily, ela me disse uma frase marcante: "É por isso que hoje eu ando mais isolada , pq as minhas batalhas internas já me cansam o bastante pra estar travando batalha com outras pessoas. " Na hora eu disse a ela: isso dá um post. Vamos a ele... A mídia fez o desfavor de reduzir o TDAH à falhas de memória, desatenção e correlatos. A quase totalidade dos novos leitores desse blog se surpreendem com a quantidade e complexidade do que passamos por causa do TDAH.  Qualquer relacionamento com pessoas, desde os mais superficiais, exige atenção, disponibilidade, paciência... E isso gera desgaste. As pessoas cobram atenção, cobram presença, exigem isso e aquilo. Quando você já tem um histórico de lutas internas para controlar a impulsividade, a desatenção, a insegurança, o sentimento de inferioridade, o desânimo, a procrastinação, a insatisfação constante... Qualquer cobrança, qualquer ...

TDAH, A VIDA À DERIVA

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Nota de 2026 : Resgatando a essência do blog, hoje quero compartilhar um texto de 2017 que explica por que, por muito tempo, este espaço se chamou "A Vida à Deriva". Mesmo em fase de reconstrução, é preciso olhar para o barco sem remos que todos nós já fomos um dia. O primeiro título que dei ao blog foi esse: A VIDA À DERIVA. Era assim que eu me sentia na época, e é assim que todos nós já nos sentimos em alguns momentos da vida.   Em vários momentos pensei em desistir... Mas como desistir? Não existe essa possibilidade na vida...   Sempre recebo e-mails com esse sentimento. As pessoas se sentem perdidas, sem saber que rumo tomar, ou melhor, que rumo dar à vida. Exatamente como na foto acima, um barco sem remos perdido no meio do nada.   E o que provoca essa sensação?   A sucessão de falhas. Ao descobrir que cometeu o mesmo erro, por desatenção, por inobservância das regras, por não se ater aos detalhes, por não se lembrar de já ter vivenciado situa...

O MEDO NO TDAH: O MURO QUE NOS SEPARA DA VIDA.

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Nota de Atualização 2026 : O muro da canção de Chico Buarque que cito no poema, parecia alto porque eu ainda não tinha as ferramentas para saltar. Hoje, com o diagnóstico e o tratamento, percebo que a aventura do lado de lá não é ilegal nem imoral: é apenas a vida me esperando. O medo não é mais o dono do meu bosque. Eu queria o mundo e não tenho nada. Eu queria o amor livre, e sou seu prisioneiro. Eu queria todo amor do mundo, mas só tenho o medo. O medo do caminho. O medo da chegada. O medo de alcançar. O medo. Somente o medo. O medo da culpa. O medo da vida. O medo da morte. O medo do nada. O medo de tudo. O medo do concreto. O medo do abstrato. O medo da conquista. O medo da perda. "Junto à minha rua havia um bosque, Que um muro alto proibia, Lá todo balão caía, toda maçã nascia, E o dono do bosque nem via. Do lado de lá tanta aventura Eu a espreitar na noite escura..."  Não salte o muro! É ilegal. É imoral. É desleal. O medo. Sempre ele. O m...

TDAH NÃO É DESCULPA, É SEQUESTRO: PARE DE MINIMIZAR NOSSA LUTA

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                                        Foto do site Maísa Lanzarin Psicóloga -maisalanzarin.com.br Nota de 2026 : Reli este desabafo e a dor do "esquecimento patológico" ainda ressoa. Hoje, o mundo está mais barulhento e as pessoas continuam dizendo que "também são um pouco TDAH". Não, não são. Ter um lapso de memória é humano; viver em um labirinto de memórias falsas e certezas que nos traem é TDAH. Este post é para quem está cansado de ser silenciado com frases motivacionais vazias. Mesmo dentro de nossas casas é comum tentarem minimizar a importância ou a gravidade do TDAH e seus efeitos. O mais comum de se ouvir é: eu também sou esquecido! Desculpe, mas você não pode opinar se o seu esquecimento não é patológico. Você é esquecido, desatento, impulsivo, procrastinador, emocionalmente instável, não aprende com os próprios erros, anti social, sem noção de tempo?  Se um dos sintomas...

TDAH, INIMIGO ÍNTIMO

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Em 2026, vivemos na era do "descarte" rápido de relações e empregos. Para o TDAH, essa tendência é um veneno, pois valida nossa inclinação natural de enxergar monstros onde existem apenas desafios. Republico este texto para alertar sobre o "Inimigo Íntimo": aquela voz que distorce a realidade para nos dar uma desculpa confortável para romper. O autoconhecimento é a única arma capaz de drenar esse abcesso antes que ele exploda e destrua o que levamos anos para construir. A Gestação de uma Tragédia É como um abcesso, começa como um pequeno grão e com o tempo enche-se de pus até romper numa explosão de consequências imprevisíveis.  De repente, um sorriso do cônjuge -que antes era lindo - transforma-se num esgar irônico e ofensivo. A sabedoria do chefe soa num belo dia como arrogância humilhante. A voz desagradável de um único professor começa a contagiar todo o curso.  Sem que o portador perceba, a mente TDAH começa a fomentar pensamentos, conclusões e i...

O TDAH E A SÍNDROME DO AVESTRUZ : A VONTADE DE SUMIR APÓS MAIS UM ERRO.

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Nota do Autor (Atualizada em 2025): Escrevi este texto em um dia de cansaço profundo. A "Síndrome do Avestruz" é aquele desejo de enfiar a cabeça na areia para não encarar as consequências da nossa desatenção. Releio isso hoje e vejo o quanto o diagnóstico tardio nos sobrecarrega com o peso de erros passados. Se você se sente "trôpego" pelas cobranças da vida, saiba que essa exaustão tem nome e tem tratamento. Você não está sozinho nessa "convulsão mental". Depois do milionésimo erro por desatenção, inocência ou negligência, a pessoa começa a acreditar que quem está certo é o avestruz: a qualquer ameaça enfia a cabeça na areia para não ver as consequências... É isto; a maior recorrência na vida de um portador de TDAH são as infinitas repetições de erros, muitas vezes tolos mas de consequências sérias. E aí a pessoa começa a se questionar quanto a tudo; à vida, aos tratamentos, aos medicamentos, à sua própria escolha de vida... Não há remédio que cure...

SOU TDAH! E DAÍ?

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Nota do Autor 2026: O  entendimento sobre o TDAH evoluiu de um simples "transtorno de déficit" para uma compreensão mais ampla sobre a neurodivergência . Hoje, o foco não está apenas em "corrigir" o indivíduo com medicação, mas em como o ambiente (trabalho, escola e casa) pode ser adaptado para acomodar mentes que funcionam de forma diferente. Ser diagnosticado com TDAH pode ser um divisor de águas na vida; ou nada. O que fazer com este diagnóstico? ​Pode ser uma belíssima justificativa para erros passados e futuros. Pode ser a chave para uma mudança de vida. Mas, na maioria dos casos, não serve para absolutamente nada. Esperar por milagres ou contos de fadas é uma característica típica do TDAH. Ao ser diagnosticado e tomar meia dúzia de comprimidos de Ritalina, e não acontecer o milagre, o remédio é abandonado e o diagnóstico esquecido. E a vida se arrasta como sempre. Quase nunca volta à mente a existência do transtorno; a não ser para justificar atitudes injus...

O TDAH E A MENTE FERVILHANTE!

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Atualização 2026: A  metáfora do "Frankenstein mental" é atemporal. Com o excesso de informações e estímulos da vida moderna, nossos pensamentos fragmentados se fundem com ainda mais velocidade. Republiquei este conteúdo hoje para reforçar a importância de identificarmos o "bebê Frankenstein" antes que ele tome as rédeas da nossa vida. O autoconhecimento continua sendo nossa melhor tecnologia. O Nascimento dos Monstros Mentais   Somos acossados cotidianamente por um turbilhão de pensamentos que se sucedem, se sobrepõem, se chocam, se engalfinham, se confrontam. Pensamentos opostos, incongruentes, conflitantes, beligerantes que se mutilam e se esquartejam. Na mente fervilhante os fragmentos se amontoam e se fundem, transformando-se em pensamentos novos; irreconhecíveis. Verdadeiros Franksteins mentais. Como todo monstro, esse Frankstein nos assombra e nos impressiona. Dificilmente nos livramos dele. A mente convulsionada por esse turbilhão de pensamentos começa a ...

TDAH: NINGUÉM MANDA EM MIM, NEM EU MESMO...

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Nota do Autor (2026) Escrevi este texto para ilustrar a natureza indomável do cérebro com TDAH. Muitas vezes, a ruptura não é uma escolha consciente, mas uma resposta a um sistema neurológico que satura e explode. Entender essa dinâmica é o primeiro passo para não se tornar refém das próprias reações. A frase original e completa é: "Minha família já sabe, ninguém manda em mim. Nem eu mesma." Essa frase, dita por uma amiga, é um primor de definição do TDAH. Ninguém manda em um TDAH. E não é por arrogância ou rebeldia; somos "dirigidos" por nosso curto-circuito cerebral. Podemos seguir as regras obedientemente por muito tempo. Mas um dia, sem nenhum aviso prévio, aquela regra se torna um acinte. E não a obedecemos mais. Ainda que isso custe um emprego ou um relacionamento, nada impede a ruptura. A Subversão do Comportamento Nosso cérebro subverte nosso comportamento, nossas convicções e nossos sentimentos de uma hora para outra. Para quem não tem o transtorno, isso as...

TDAH: ONDE ESTÃO MEUS SONHOS? ONDE SE ESCONDE QUEM VOCÊ QUERIA SER?

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Nota de Atualização 2026: Geralmente  é difícil levar os sonhos de adolescente para a vida adulta. Se esse sonho é permeado pelo TDAH, tudo se complica. Uma trajetória de dispersão e descontrole.  Compreendendo o Pesadelo Quem se esconde sob as diversas camadas de TDAH?    Ainda resta algo do adolescente sonhador? Ou foi sepultado pela vida e pelo transtorno? Onde mora o idealista que sonhava em fazer teatro popular?    Quando criança, uns quatro ou cinco anos, eu tinha um sonho recorrente : estava deitado em um buraco e rolos de cobertor vinham me cobrindo a partir dos pés, paulatinamente, até me cobrirem a cabeça e eu acordar assustado. Precisei tomar remédio para dormir - um tal de  Mogadon , se não me falha a memória - e interromper esses pesadelos. Se eu pudesse prever o futuro não tomaria esse remédio. Eu tinha sonhos premonitórios. Ou extremamente alegóricos com o futuro. Se trocarmos os cobertores pelas besteiras da vida,...