TDAH: O EXTERMINADOR DE FUTUROS!





No jurássico ano de 1979, fui contratado para o meu primeiro emprego regular; carteira assinada e tudo.  Por tratar-se de um primeiro emprego minha empregadora inscreveu-me no PIS (acho que todos sabem o que é o PIS).
Sei lá por que, uns anos depois fui tentar receber os juros a que tinha direito, ou outro motivo qualquer que já não me lembro,  e tive o dissabor de saber que meu PIS tinha um erro de cadastro. Segundo o funcionário do extinto Banco Nacional o tal PIS estava cadastrado em meu nome mas os outros dados eram de outra pessoa.
Como eu ganhava mais de dois salários mínimos por mês, e não tinha direito ao abono anual - apenas uns juros que julguei ser uma mixaria - e me deu uma enorme preguiça de ir atrás desse assunto, abandonei a questão. Nunca preocupei-me com a correção desses dados.
Nunca tive direito a esse abono do PIS, mas sempre quando esse assunto surgia eu me recordava de que meu cadastro estava errado. Uma hora eu vou resolver isso, disse inúmeras vezes...
Um misto de procrastinação, desleixo e preguiça me impediram de solucionar essa questão; e o pior, sequer me informei para o que serve o tal do PIS.
Trinta e cinco anos se passaram e em agosto último decidi entrar com a papelada pra contagem de tempo de serviço pra aposentadoria.
- Engraçado, ela disse.
- Estranho... Não estou entendendo, falou pra si mesma a funcionária do INSS que me atendia.
Ao vê-la com aquele semblante de perplexidade misturado com estranheza, veio-me à mente todas as dificuldades que passei ao longo da vida quando se tratava de exercer um direito, um benefício...
Tudo meu é mais difícil; tudo. Mas tudo mesmo! Absolutamente tudo!
Pra encurtar a conversa: o tal do PIS é fundamental pra aposentadoria. Metade dos meus vínculos empregatícios estão em nome de outra pessoa. Claro, aquela pessoa que partilhava o mesmo número de PIS que eu, foi no INSS em 2004 e passou tudo pro nome dele.
Fui encaminhado à CAIXA para resolver esse erro. Ali fiquei sabendo que tudo que está ruim pode piorar. Primeiro, a CAIXA me devolveu ao INSS - isso é lá com eles, e de difícil solução disse a moça - segundo, quando me cadastrei no PIS ele tinha uma outra função que era um pecúlio a ser sacado pelo beneficiário quando aposentasse. Ou seja, perdi também esse benefício. Lá se vão mais de trinta anos, meu direito de requerer já prescreveu, blá, blá, blá, blá...
E eu sabia do erro  a pelo menos uns trinta anos. E não fiz nada para reparar. Preguiça, desleixo, desinteresse, soberba, burrice!
Ahhhhhhh, detalhe; a moça da CAIXA ainda me perguntou:
- O senhor deve ter aquela carteirinha do PIS? Se tiver em seu nome mesmo fica muito mais fácil de resolver; de provar que esse número de PIS foi seu um dia.
Claro que joguei a carteirinha fora. Não tenho a menor ideia de onde ela possa estar.
A funcionária da CAIXA ficou me olhando com aquela cara de:
- O senhor é louco, idiota, irresponsável ou o quê?
Se eu tivesse de menos mau humor, menos acabrunhado, menos deprimido, eu teria respondido:
- Nada disso, moça. Sou apenas uma vítima de mim mesmo; de uma doença que me faz ser assim e de quebra faz com que em  momentos como esse EU ME ODEIO!

Comentários

  1. Nossa, que história. Se eu fosse enumerar as minhas é certo que faltariam linhas para tantas presepadas, a mais recente é que terminei o meu curso (finalmente), mas não fui à formatura, fiquei em casa, acessando o facebook, navegando à toa pela intertenet. Não fui, não peguei meu diploma, não fiz a colação de grau e agora tenho quase certeza que o pessoal lá da faculdade vai complicar as coisas para mim. Não sei me organizar. Não consigo estabelecer metas. T DAH é isso aí, vida que segue. Boa Sorte. Abraços.

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    1. Todos os TDAH tem dessas historias...e poucos de nos tem a incrível capacidade de descreve-las como Alexandre....so nos sobra o sentimento de nao sermos compreendidos.....pelo menos la fora...


      obs...desnecessária a correção....

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  2. No meu último ano na faculdade eu fui para a final de uma única matéria.

    Feita a prova final, ela estava muito difícil e tive sérias dúvidas se eu alcançaria ou não a média necessária para a aprovação. Quando saiu a nota da prova sabem o que fiz ... NADA, NÃO FUI PEGAR O RESULTADO E FIQUEI SEM SABER SE IA COLAR GRAU OU NÃO.

    Toda a minha família fazendo mil preparativos para a festa da colação e, depois, para a recepção. Distribuição de convites, roupas encomendadas especialmente para a ocasião, cabeleireiros e maquiadores contatados, buffer, telefonemas mil de felicitações, o orgulho dos pais e irmãos estampados e escancarados, e eu ...., nada, não ia a faculdade pegar o resultado, muito menos ligava para a secretaria.

    O dia da formatura ia chegando, a minha mente espremendo cada vez mais, o sentimento de lesma, de irresponsável de ...

    "Porque diabos eu não vou à faculdade ou simplesmente telefono para saber o resultado. E se perdi? ... meu deus, vai ser um desastre, porque não vou? porque não ligo? ..."

    Nada. No fui, não liguei.

    No dia da formatura eram 127 formandos, e eu, com a inicial W, era o 123 da lista. De Alfredo à Walter, no relógio, a chamada deve ter durado uns 50 minutos; na minha cabeça, até hoje ela não acabou, porque às vezes tenho pesadelos (dormindo ou acordado mesmo) que meu nome não vai ser chamado, e eu vou ter que sair da fila e encarar todos os meus familiares, colegas e amigos.

    Nunca encontrei uma palavra no dicionário que fosse tão forte o suficiente para descrever a angústia que sofri naquela chamada de formandos.

    Nunca encontrei uma palavra no dicionário que fosse tão forte o suficiente para descrever o tamanho da minha estupidez, canalhice, irresponsabilidade, daquele meu ato,

    Se meu nome foi chamado? Não vou falar, pois isto, no contexto da história é mero detalhe, o que importa foi o meu ato; foi o tamanho da humilhação a que eu arrisquei todos a quem eu amo, pelo simples fato de não feito uma única ligação telefônica.

    Muitos anos se passaram até que eu descobrisse o TDAH que existe em mim. Esta descoberta não retirou a culpa e a consciência do meu erro gigantesco, mas me fez entender o "PORQUE" daquela minha atitude e, neste auto conhecimento, me trouxe, sim, um pouco de paz.

    OBS: Mas continuo carregando esta culpa, e muitas outras ....

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  3. E bem complicado, sabemos que e de imensa responsabilidade e mesmo assim procrastinamos, ''deixa para semana que vem, ano que vem eu revolvo. Isso é o retrato puro da irresponsabilidade, ainda bem que vivo nos meus devaneios e saio fora do senso comum, pois se vivesse, estaria em no fundo do poço da amargura e da culpa.


    Ser responsável e ser irresponsável com a própria vida, quero fugir, quero viver da maneira que eu sei viver, é, sou irresponsável pois sou responsável com a minha pessoa. Ser responsável e colocar na própria cruz algo que não queremos, a cruz começa a pesar, se tombar, a culpa nasce e jamais morre, isso é ser irresponsável consigo mesmo, minha cruz não carrego as responsabilidade pessoais nem alheiras pois se tombar, o peso e da minha essência e jamais iria me arrepender por ser o que eu sou, agora, cair sabendo que quebrou algo que não e seu ou fez o pacto do cuidado, a culpa vem, viva o desvaneio.

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  4. Tenho muito essas atitudes. Por desleixo, mas principalmente por viver fora da realidade. Eu invejo o estresse e o pessimismo das pessoas realistas, eu não consigo ser realista, querer ver os problemas antes de acontecerem. Estou sempre no mundo cor-de rosa. Quando a ficha cai, já é tarde demais.

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    1. Bom tenho TDAH e comigo o caso é bem diferente, consigo enxergar o problema a km de distancia, com seculos de antecedência, mesmo assim minha negligencia para comigo mesmo não permite que eu me antecipe ou tome providencias, vejo o problema acontecer na minha frente, o que me deixa muito, mais muito mais P comigo mesmo... estou muito cansado de mim mesmo...

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  5. Alexandre, mandei um recado pra você pela Luciana Fiel. Não esquece, hein?

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  6. Eu coleciono algumas situações como esta... eu vou deixando, esperando as condições ideiais (e inexistentes) para realizar algumas tarefas e o tempo vai passando, passando.Às vezes não sei como cheguei até aqui, escapando das armadilhas nefastas da autossabotagem. Quando me vejo nestas situações, fico me odiando também, por outra vez ter me colocado nelas. Na verdade eu sei como cheguei até aqui: acabei desenvolvendo um mecanismo detalhista, perfeccionista, que me faz ficar mais atenta aos detalhes, pelo medo de fracassar. Acabo fazendo a tarefa muito melhor do que os outros, mas não no mesmo tempo...o que nem sempre é ideal, mas tem dado certo até o momento.

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  7. gostei do visual!!!!....DARK... Adooooooro...

    parabens

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  8. AêêH galera! bom dia.

    A questão é a seguinte: TDAH e DISGRAFIA.

    Disgrafia é aquela letra infeliz, miserável, que ninguém consegue ler, nem mesmo quem escreveu. Bem, eu TDAH tenho, meu filho TDAH tem.

    Deu uma olhada por aí e vi que a Disgrafia está, sim, associada ao TDAH.

    Pois bem, meu segundo filho escapou de receber o meu TDAH, mas se lascou na parte da Disgrafia, que nele é super forte.

    Agora, além da Disgrafia, existe a suspeita de que ele pode ter, também, Dislexia. Fui conferir e, parece, que dislexia não tem a ver com TDAH, mas estou achando tudo muito coincidência.

    Assim, gostaria de ouvir os meu pares, que sei que são doutores em tudo, igual a mim,sobre o assunto.

    OBS: Com exceção da opinião do Capitão Dom, que sei que vai mandar meu filho "treinar a escrita" pegando no cabo de uma enxada e trabalhar por 3 meses na "roça", até parar de "frescura". kkkkkkk.

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    1. rsr, pior e que a minha letra também e horrível, a palavra disgrafia me lembra um outro nome, e o Tda-h seria sinônimo dele, tô achando que eu não tenho Dom nenhum por ser TDA-H, esse transtorno não me deixa fazer nada que planejo. Tá difícil pra nós em Walte kk.

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