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TDAH: TEMOS UM DOM?

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Dádiva. Presente recebido... de Deus! Sim, talvez seja... O dom do reverso. De enxergar a vida às avessas... Cultivamos o dom de uma criatividade ilimitada, que borbulha em nossa mente de tal maneira incontrolável que atravessamos a vida acreditando que em algum momento seremos reconhecidos... O dom de nos atermos à beleza do vermelho vivo do sangue que brota e não à dor que sentimos ao nos atirarmos pela enésima de vez de abismos e precipícios... O dom de caminharmos sobre os escombros de nossas próprias vidas; impávidos; indiferentes; incólumes; e absolutamente prontos para a próxima queda; tão certos estamos de nossos infinitos reerguimentos. O dom de nossa multiplicidade.  Multiplicidade de empregos; de amores; de recomeços; de objetivos; de fracassos; de tentativas... O dom da amnésia. Não, não são essas pequenas e risíveis falhas de memória. O dom da amnésia consiste em esquecer as dores passadas; as derrotas passadas; os aprendizados passados e encarar cada dia ...

O TDAH QUE FALA BALEIÊS: Um manifesto pela aceitação e respeito.

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Nota de Atualização (Dezembro de 2025):   Continuo querendo falar baleiês. Mas hoje, entendo que não preciso da permissão dos "trouxas" para isso. Aprendi que o mundo só nos respeita quando paramos de pedir desculpas por sermos quem somos. Continue a nadar. O Direito de Esquecer Sim, eu quero falar baleiês! E quero o direito de esquecer, ou não me lembrar, sem dor. Sim, e quero seguir a correnteza do TDAH e ir aonde ela me levar. Quero rir de mim mesmo; quero me olhar no espelho sem culpa; quero parar de me acusar, ou de me arrepender. Sim, eu quero falar baleiês! E quero que as pessoas me entendam. Quero poder falar do meu TDAH sem que as pessoas desconversem. Ser Alternativa, não Problema Quero deixar de ser um problema, e passar a ser uma alternativa. Quero passar a mão sobre meu corpo e ver as cicatrizes desaparecerem suavemente. Sim, eu quero falar baleiês! E quero muitas Dorys ao meu lado. Quero que minha memória falha deixe de ser folclórica ou tragicômica, ...

ESTATUTO DO TDAH: MANIFESTO PELA LIBERDADE DE SER QUEM SOMOS.

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Nota de Atualização (2026) - Este texto de 2014 foi inspirado no poema ESTATUTOS DO HOMEM de Thiago de Mello. O Artigo 13 continua sendo o meu favorito: esquecer o que nos fere é o que nos permite renascer sem cicatrizes a cada manhã.  1- Fica decretado que todo TDAH têm direito ao silêncio, ao recolhimento e à tristeza sem ser questionado. 2 - Fica reservado ao TDAH o direito de mudar de ideia, de caminho, de vida... 3 - É dado ao TDAH o direito a devaneios, elucubrações, sonhos e pensamentos delirantes a qualquer hora, a qualquer dia, em qualquer lugar. 4 - Fica decretada a extinção completa e absoluta da necessidade de decisões e atitudes imediatas por parte dos portadores de TDAH. 5 - É absolutamente proibida a definição de espaços, gavetas, armários, escaninhos, latinhas ou caixinhas para que o TDAH guarde seus objetos. Ou suas ideias. Ou sua vida... 6 - A partir desta data está descartada a necessidade do portador de TDAH aprender com seus próprios erros. Cada si...

TDAH: OS GRILHÕES MENTAIS DA PREGUIÇA

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Só quem tem TDAH sabe o que é ser acorrentado pela preguiça. Uma enorme tortura mental que paralisa, acorrenta, e impede a ação. A mente de um TDAH é pantanosa, um enorme lodaçal de emoções e medo. Sim, medo. A preguiça no TDAH não é aquela clássica de não querer fazer nada. Não, em absoluto. A nossa preguiça advém de uma série infindável de pensamentos tortuosos e projeções negativas do que vem pela frente. Se o que se avizinha é uma festa, logo imaginamos o ambiente tumultuado, barulhento, cheio de gente das quais não gostamos, assuntos chatos e inconvenientes. Se é trabalho, sempre imaginamos que não obteremos o efeito desejado, ou ainda que se o fizermos o chefe não vai reconhecer, ou simplesmente não saberemos executar com a perfeição devida. Ou seja, criamos um medo do futuro. Imobilismo é segurança. Mover-se é o desconhecido, é a exposição, é o risco. As vezes, a preguiça nos impede de fazer gestos mínimos, de dar passos minúsculos. Quem está de fora riria se soubes...

O TDAH E A PREGUIÇA

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Bem, vão dizer que não escrevo a muito tempo por preguiça. Ou procrastinação. Mas não é verdade. Estou ausente do blog porque tenho lutado arduamente contra a preguiça. E isso cansa demais. Chego ao fim do dia exausto. Decidi mudar minha maneira de agir e trabalhar, e isso inclui um combate sem tréguas à preguiça e à procrastinação. E tenho conseguido. Adotei o principio de fazer tudo imediatamente. A morte da procrastinação e da preguiça. E matei-as. Sem a menor pena. Descobri que é muito bom não adiar, não esmorecer e não ceder à preguiça. A todo momento sou assaltado por uma enorme vontade de adiar, de desanimar, de fazer depois, de empurrar com a barriga. Mas não cedi até agora. Descobri uma enorme alegria de fazer imediatamente. Uma sensação incrivelmente boa de não dar direito aos superiores - ou mesmo aos meus funcionários - de me cobrarem algo que deixei de fazer, uma obrigação que adiei. Não, errei por outros motivos - todos nós cometemos erros - mas não mais po...

TDAH: PAIS E FILHOS

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Meu 'irmão' Walter Nascimento está em profunda dor. Segundo suas palavras, seu filho " muito TDAH, caiu". Pra quem não é portador, ou não convive conosco, cair para um TDAH é cometer erros típicos de nossas piores características: impulsividade, procrastinação, acídia (nome científico da preguiça), falta de foco, má memória, etc... Em geral cometemos os mesmos erros, aliás, essa é uma característica do TDAH que me esqueci de mencionar acima; não aprendemos com nossos próprios erros. Não sei qual das falhas o filho do meu 'irmão' Walter cometeu, mas sei que ele pode se sentir um privilegiado. Seu pai, é um TDAH diagnosticado, um TDAH em tratamento, um TDAH com pleno conhecimento de tudo aquilo que seu amado filho está passando. Lembra-se, Walter, de quantos tombos você tomou e teve de reerguer-se sozinho?  E pior, enquanto estava lá embaixo ainda tinha de ouvir as críticas de parentes e amigos? Hoje, não; seu filho pode se sentir abraçado, acalentado, ...

O TDAH E A FAMÍLIA

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O post anterior suscitou um debate interessante, um adolescente que se descobriu TDAH recentemente não sabe como contar à família. Como bom TDAH ele procrastina esse momento ao máximo, imaginando toda a sua revolta caso a família não concorde em leva-lo ao médico e trata-lo.Com o apoio do Walter Nascimento e do Léo Ribeiro, nosso jovem TDAH ,que se auto denomina Sail, está criando forças para contar aos pais que todos os seus testes (feitos na internet) deram positivo.Vou tentar dar minha contribuição. Assim como quase todo adulto, descobri meu TDAH por acaso. Lendo uma revista Veja antiga deparei-me com uma entrevista da Dra. Ana Beatriz; e ela falava de mim, da minha vida, do meu comportamento, da minha alma. Eu estava na sala de espera de um advogado e sequer me lembro do que tratei com ele. Saí dali a mil por hora e mergulhei na internet, no livro 'Mentes Inquietas" e, em 24 horas estava no consultório da Dra Valéria Modesto, a quem devo, inclusive, a existência de...