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O TDAH, TEMER E OS DESMEMORIADOS

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Acompanhamos estarrecidos as novidades deploráveis da nossa política. Ninguém é inocente, ninguém é sério, ninguém tem o menor respeito pelo sofrimento de uma população, em sua enorme maioria, sofredora e indefesa. Não sei o que mais me indigna: as delações ou as respostas dos acusados. As delações são bombásticas e gravíssimas, mas as respostas beiram o escárnio. Ou então estamos diante de uma epidemia de TDAH. Talvez seja isso, o maior contingente de TDAHs não tratados do mundo! Claro! Uma de nossas maiores características é justamente o esquecimento, mas um esquecimento tão grave, mas tão grave, que podemos denominar de um 'apagamento'. Não apenas esquecemos o fato, como todo o contexto em que ele ocorreu. Cria-se um hiato em nossa memória como se aquele momento jamais houvesse existido. Isso cria momentos de enorme tensão e briga. Como já fui acusado de tentar enlouquecer a outra pessoa ao negar veementemente haver dito isso, ou aquilo, que afirmavam que eu disser...

TDAH: ONDE ESTÃO MEUS SONHOS? ONDE SE ESCONDE QUEM VOCÊ QUERIA SER?

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Nota de Atualização 2026: Geralmente  é difícil levar os sonhos de adolescente para a vida adulta. Se esse sonho é permeado pelo TDAH, tudo se complica. Uma trajetória de dispersão e descontrole.  Compreendendo o Pesadelo Quem se esconde sob as diversas camadas de TDAH?    Ainda resta algo do adolescente sonhador? Ou foi sepultado pela vida e pelo transtorno? Onde mora o idealista que sonhava em fazer teatro popular?    Quando criança, uns quatro ou cinco anos, eu tinha um sonho recorrente : estava deitado em um buraco e rolos de cobertor vinham me cobrindo a partir dos pés, paulatinamente, até me cobrirem a cabeça e eu acordar assustado. Precisei tomar remédio para dormir - um tal de  Mogadon , se não me falha a memória - e interromper esses pesadelos. Se eu pudesse prever o futuro não tomaria esse remédio. Eu tinha sonhos premonitórios. Ou extremamente alegóricos com o futuro. Se trocarmos os cobertores pelas besteiras da vida,...

TDAH E O FIM DOS RELACIONAMENTOS: POR QUE MATAMOS O FUTURO ?

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Nota de 2026 : Recebi o e-mail da "K" há alguns anos, mas as "Ks" e os "Alexandres" continuam surgindo. No TDAH, o medo da rejeição é tão visceral que preferimos implodir o castelo do que esperar que alguém nos peça para sair. Se você vive terminando o que mal começou, ou se sente um "vazio frio" após longos anos, este texto é um espelho necessário.   TDAH: O Fim dos Relacionamentos e a Autossabotagem Após sermos diagnosticados portadores de TDAH, tendemos a botar na conta do transtorno todos os nossos problemas, falhas e idiossincrasias. Isso é normal; às vezes por ainda conhecermos pouco o TDAH, noutras por que é melhor para as nossas consciências culparmos uma doença e não nosso caráter.    Em diversas ocasiões o que teremos é uma soma de tudo.    O Mistério do Luto Seletivo E aí recebo um e-mail de K que afirma estar desconfortável com suas reações ao fim de relacionamentos rompidos por iniciativa dela. Antigos e dura...

O TDAH NO DIA DA MULHER

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O post de hoje tem tripla inspiração. Partindo de três mulheres diferentes, como são diferentes os locais onde vivem; Chapada Diamantina, Região Serrana do Rio e Londres... De Londres vem a música de Adele num show maravilhoso no Canal Bis. Da Chapada Diamantina vem a luta de Emily contra o TDAH. Marido, filhos e todos os erros e inconstâncias do TDAH. Inúmeras tentativas infutíferas em vários negócios diferentes foram minando sua auto estima. Enchendo-a de insegurança e medo. Mas TDAH jamais desiste. E se mulher, aí que não desiste mesmo. Pois bem, Emily montou o Vitrola, uma hamburgueria gourmet. E se descobriu! Hoje, via WhatsApp, ela comentava: sou capaz de montar 40 hambúrgueres sem errar nenhum. Isso, para um TDAH é como ganhar na mega sena da virada! O nome disso é motivação! TDAH motivado é sinônimo de produtividade, perfeição, criatividade à flor da pele; resultado! A chave é: Motive-se! Faça o que ama! Da Região Serrana saiu todo esse post. Confesso que estav...

TDAH E O PASSADO PERDIDO

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Questionado pela amiga TDAH, Letícia, sobre como lido com meu passado, e se acho meu passado perdido; acabei por voltar a esse tema que já abordei aqui no blog mais de uma vez.    Minha resposta a ela foi: Não lido. Nem penso nisso.    Claro, já se vão seis anos de diagnóstico e muito água correu sob a ponte. Até pela idade - tenho 56 anos -  fui ficando mais tranquilo e menos angustiado.    Após o diagnóstico passei por algumas fases:   Alívio : Eu estava numa fase muito difícil da minha vida e vinha me questionando de forma dura e implacável. Saber que grande parte do meu comportamento era fruto de uma doença me deu enorme alívio.    Revisão do passado : Acho que quase todo mundo passa por isso. É quase um julgamento das atitudes passadas. Muita gente se condena sem piedade. Eu, ao contrário, coloquei quase tudo na conta do TDAH. E isso levou-me ao estágio seguinte.    Auto perdão : P...

TDAH, DEFENDA-SE!

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No auge de uma discussão um marido ou esposa TDAH pode estar pensando em outra coisa completamente diferente. Quem sabe naquela ruga que surgiu no lábio superior do cônjuge que grita à sua frente. Ou simplesmente no jogo de futebol que está deixando de assistir; ou ainda se lembra de que deveria ter comprado filtro solar,  com esse sol escaldante que anda fazendo...  Horas depois, se perguntado sobre respostas que deu naquele momento, sobre afirmações feitas enquanto pensava em outra coisa,  o TDAH vai negar veementemente. Não aceitará jamais ter dito isso ou aquilo. Mas disse!  O cônjuge se lembrará de detalhes: de como estava sentado, os gestos que fez,  as palavras que usou. O TDAH vai negar! Vai negar peremptoriamente. Mas estará errado! Ou não... Imaginemos a situação oposta: O TDAH convivendo com um cônjuge manipulador, vingativo e com ótima memória. Quem garantirá que essa cena realmente existiu? O cônjuge manipulador, que já conhece bem s...

A VOLTA DA RITALINA

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A Ritalina como ferramenta para aumentar o foco Nota do Autor 2026  ​Escrevi este relato para mostrar que o tratamento do TDAH não é uma linha reta. Às vezes, as circunstâncias da vida — como um novo desafio profissional — exigem um suporte que, em tempos de calmaria, abrimos mão. O autoconhecimento consiste em saber a hora de pedir ajuda à ciência, sem culpa e com foco no que realmente importa: a nossa funcionalidade e paz de espírito. Quem acompanha o blog sabe que este ano eu não tomei Ritalina. Ou melhor, não tinha tomado. O ritmo de vida que eu vinha levando me permitia abrir mão da medicação, mas esse cenário mudou e senti a necessidade de voltar. ​Não houve nenhum descontrole ou algo parecido; apenas percebi que voltei a chafurdar na areia movediça da desatenção e na perda de foco. ​O Limite da Pressão e a Paralisia ​Assumi a manutenção de uma loja de celulares. A sucessão de aparelhos chegando, a urgência pelas entregas e a grande variedade de defeitos me enrolaram. De re...