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O TDAH E AS PREMISSAS DELIRANTES

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Quantas vezes eu, um descrente, implorei a Deus um caminho correto, uma opção que fosse boa para mim, e para as pessoas envolvidas naquele momento. Fervorosamente implorei uma indicação. Mais tranquilo após a oração, escolhi o caminho errado. Quantas vezes listei no papel todas as opções de que dispunha elencando vantagens e desvantagens de cada uma delas. Com a segurança da racionalidade optei pelo caminho errado. Quantas vezes meus olhos enxergaram belíssimos oásis em meio ao deserto em que vivia... Pra lá corri com a sede dos desidratados. E descobri que eram apenas miragens... Todas essas decisões têm em comum o fato de terem sido tomadas sob falsas premissas. Mesmo depois de muito rezar e implorar, optei pelo caminho que queria seguir. Ao listar vantagens e desvantagens dei peso dez àquilo que era desimportante e ignorei fragilidades gritantes. Quanto às miragens, eu sabia todo o tempo que não passavam disso: miragens. E aí? Quem elabora cada palavra em minha me...

TDAH SEM PASSADO OU FUTURO

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Não me apego ao passado. As casas em que morei. As mulheres que amei. Os caminhos que percorri. As fendas em que caí. As trevas que rompi. Tão pouco me importa o futuro. Se radioso ou sombrio. Se alegre ou triste. Se farto ou parco. A mim pouco importa. Um dia ele há de chegar. E eu o enfrentarei; seja ele qual for. Os mais afoitos imaginarão: Ah, ele vive o presente... Que presente é esse que num átimo vira passado? Que presente é esse que num instante é atropelado pelo futuro? Um futuro que insiste em ser o oposto daquilo que sempre imaginei? Não! Vivo no meu tempo. Na minha realidade. Pairo sobre a realidade como numa aeronave. Uma aeronave que jamais aterrissa; Que jamais toca o solo. Um solo em que jamais andei... Serei aquele que quase aterrissou; Que quase andou; Que quase viveu...

TDAH: ONDE HABITA O INDOMÁVEL

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" Nota de Atualização (Dezembro de 2025): Escrevi este texto em um momento de profunda introspecção. O que descrevo aqui é a nossa capacidade única de habitar outros mundos quando o mundo real se torna insuportável ou monótono. Hoje, entendo que essa 'mente indomável' é a nossa maior liberdade, mas também o nosso maior desafio. Revisitando estes versos, vejo que o TDAH não é apenas sobre o que esquecemos, mas sobre os detalhes ínfimos que escolhemos — mesmo sem querer — eternizar." Não me torture! Não me lembrarei da dor. Em minha mente estará gravada a gola puída de sua camisa; ou a falta que sinto de assistir mais um episódio de Julie Lescaut. Não me prenda! Não me lembrarei da prisão. Em minha mente estará gravado o tamborilar da chuva no telhado; ou os ladrilhos mal assentados da parede. Não me ameace! Não me lembrarei do medo. Em minha mente estará gravada a música que toca ao longe; ou a manchete de uma revista de fofoca que vi na banca. Não me abandone! Nã...

TDAH: VOCÊ ACREDITA NA SUA DOENÇA?

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Acabei de ver no Esporte Espetacular a uma reportagem sobre uma atleta acometida por uma doença rara, fatal e incurável. O médico lhe deu dois anos de vida; há dez anos... A repórter disse que a atleta luta diariamente contra sua doença, e tem dias que ela perde... Imediatamente associei ao nosso TDAH. E fiquei a pensar: A moça não se culpa pelas derrotas; a moça não fica com raiva de si própria quando tem uma recaída. Porque conosco é diferente? Simples, não acreditamos em nossa doença. Menosprezamos nossa doença. Esquecemos  por querer? Procrastinamos por opção? Não. Por algum curto circuito em nosso cérebro o que deveríamos lembrar é substituído por outra coisa; ou simplesmente desaparece de nossa mente. Que culpa temos disso? Nenhuma, somos vítima de nossos cérebros imperfeitos como os cardíacos são de seus corações doentes; ou os diabéticos de seus pâncreas que não produzem insulina. Nosso cérebro falha; e ponto final! Não é distração, desimportância, irresponsa...

O TDAH E NOSSAS VITÓRIAS

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Temos o costume de nos apequenar diante do TDAH. Sentirmos pena de nós mesmos.  Valorizarmos nossas falhas e nossos erros.  Nos jogamos no fundo do poço e por lá ficamos. Mas isso é justo com a gente? Estamos mesmo tão à mercê do TDAH? Hoje conversando sobre isso comecei a pensar: Quantas vezes ao longo da vida derrotei o TDAH? Sim, derrotei-o inúmeras vezes... Quando cheguei na hora... Quando retornei aquela ligação... Quando cumpri o que combinei... Quando paguei minhas contas em dia... Quando passei um bom dia com minha esposa... Sim, são vitórias e vitórias significativas. A cada dia de trabalho cumprido, a cada aparelho entregue no prazo ao cliente, funcionando perfeitamente é um nocaute que apliquei no TDAH. Ele se levantará novamente, mas estarei sempre ali esperando para enfrentá-lo. De igual pra igual. Ao ser diagnosticado, o TDAH perdeu a grande vantagem que tinha sobre mim: minha ignorância! Eu era sua vítima sem saber. Me ...

O TDAH E A RESILIÊNCIA

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Muito se diz hoje sobre a resiliência. A resiliência no trabalho, a resiliência no ambiente acadêmico, a resiliência na vida... Mas o que é resiliência? Resiliência é ser TDAH. É a capacidade de adaptar-se às novas situações; aos imprevistos; às surpresas. E quem mais resiliente que um TDAH? Somos construídos por uma sucessão de fracassos não compreendidos e por isso superados. Isso mesmo: não compreendidos. Por que superamos tantos fracassos sem nos entregarmos? Sem jamais desistirmos? Simples, somos impermeáveis. Na verdade nós não assimilamos os fracassos; não enxergamos a verdadeira gravidade da situação e a doença nos dá um olhar infantil sobre o futuro. Toda novidade é boa. Mudar sempre é legal e emocionante. E seguimos impávidos diante da vida. Muitos se impressionam com tamanha capacidade de superação. Estão errados! Não se supera aquilo que não se sente. Aquilo que não se tem consciência. Nossa alma adolescente não se abate. Vinte, trinta, ou como eu, cinque...

TDAH: EU QUERO ME CURAR?

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Calma... Eu sei que TDAH não tem cura. Ainda que tivesse, eu  fico pensando: Será que quero abandonar meus devaneios? Minhas viagens à lua?   Vou trocar meu refúgio pelo quê?   Sei que ando com a cabeça nas nuvens e que isso é responsável por muitos dos meus erros. Mas como será viver sem isso? Como será encarar de frente todos os meus erros, tombos e falhas?   Quero isso mesmo?   A cada 'viagem' salvo a humanidade, salvo minha vida, escrevo livros e critico sábios e boçais. Como vou viver na mediocridade dos ' trouxas ' ? Como vou me ater a esse mundinho vil da realidade mesquinha dos pobres mortais?   Como vou me conformar com a jaula mental daqueles que não almejam o prêmio Nobel; não almejam sequer um Oscar ou um Grammy?   Não sei se suportarei tal quitinete mental.   Como domar pensamentos e sentimentos de tal magnitude?   Dirão os trouxas que isso é infantilidade. E é verdade. Dirão também q...