TDAH: EU QUERO ME CURAR?





Calma... Eu sei que TDAH não tem cura.
Ainda que tivesse, eu fico pensando: Será que quero abandonar meus devaneios? Minhas viagens à lua? 
Vou trocar meu refúgio pelo quê? 
Sei que ando com a cabeça nas nuvens e que isso é responsável por muitos dos meus erros. Mas como será viver sem isso? Como será encarar de frente todos os meus erros, tombos e falhas? 
Quero isso mesmo? 
A cada 'viagem' salvo a humanidade, salvo minha vida, escrevo livros e critico sábios e boçais. Como vou viver na mediocridade dos ' trouxas ' ? Como vou me ater a esse mundinho vil da realidade mesquinha dos pobres mortais? 
Como vou me conformar com a jaula mental daqueles que não almejam o prêmio Nobel; não almejam sequer um Oscar ou um Grammy? 
Não sei se suportarei tal quitinete mental. 
Como domar pensamentos e sentimentos de tal magnitude? 
Dirão os trouxas que isso é infantilidade. E é verdade. Dirão também que isso prejudica minha vida. E isso também é verdade. Dirão ainda que fujo da realidade. E ainda direi que é verdade. 
Mas essa força infinita do TDAH não virá daí? Desse sonho sem fim que nos alimenta? Não será esse o lenitivo de nossas feridas?  
Uma frase da amiga Ana Paula chamou minha atenção: A gente chora, distrai e esquece. 
Sim! Distrai é a  palavra chave! 
Enquanto os trouxas ficam remoendo a derrota, cultivando a dor, criando salvaguardas pra não cair na mesma esparrela, o TDAH não; distrai e esquece. 
E recomeça de novo. É, com pleonasmo mesmo. Recomeçamos tanto, mas tanto, mas tanto, que só o pleonasmo pra representar com exatidão. 
Sim, já sei o que dirão os idiotas da objetividade: Claro, você recomeça porque não aprende com os erros. 
Tem razão, mas a vida do Harry Potter rendeu seis ou sete filmes baseados em seis livros e arrastaram multidões aos cinemas e livrarias do mundo inteiro. 
A vida dos trouxas daria um livro de umas oitenta páginas e, no máximo,  um curta metragem. Que só a família iria assistir... 
Sei lá, acho que prefiro ter duas ou três lápides no meu túmulo a abrir mão das vidas que levo em minha mente. 

Comentários

  1. Interessante seu comentário. Só não sei como fazer isso. Tenho mais de cinquenta anos de TDAH não tratado e, mesmo medicado não consigo assistir a um filme sem estar mexendo no celular, folheando uma revista ou levantando toda hora pra ir ao banheiro ou na cozinha. A cabeça não para. Nunca!
    Abraço
    Alexandre

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  2. Hummmmmm
    Não sei em que isso pode ajudar...

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  3. De qualquer forma Alexandre, você já tem um cenário possível e racional para quando achar a solução (queira Deus você e todo TDAH ache uma, mesmo que específica), o que lhe alivia o medo possível dessa nova vida.

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  4. Ai, ai. Nem adianta cansar do TDAH porque não tem como descansar. Mas me sinto bastante cansado disso tudo. Me peguei vislumbrando a possibilidade de cura... Como seria ser normal. Sinceramente, se eu pudesse, escolheria a cura definitiva. Como ainda não existe, vou tentando ver o lado positivo do TDAH.

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  5. Olá Valter, tente postar nos posts mais novos. Ate mais!

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  6. Se minha cabeça parasse um instante até daria certo!! Hahahah

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