O TDAH E A RESILIÊNCIA



Muito se diz hoje sobre a resiliência.
A resiliência no trabalho, a resiliência no ambiente acadêmico, a resiliência na vida...
Mas o que é resiliência?
Resiliência é ser TDAH.
É a capacidade de adaptar-se às novas situações; aos imprevistos; às surpresas.
E quem mais resiliente que um TDAH?
Somos construídos por uma sucessão de fracassos não compreendidos e por isso superados.
Isso mesmo: não compreendidos.
Por que superamos tantos fracassos sem nos entregarmos? Sem jamais desistirmos?
Simples, somos impermeáveis.
Na verdade nós não assimilamos os fracassos; não enxergamos a verdadeira gravidade da situação e a doença nos dá um olhar infantil sobre o futuro. Toda novidade é boa. Mudar sempre é legal e emocionante.
E seguimos impávidos diante da vida.
Muitos se impressionam com tamanha capacidade de superação.
Estão errados!
Não se supera aquilo que não se sente. Aquilo que não se tem consciência.
Nossa alma adolescente não se abate. Vinte, trinta, ou como eu, cinquenta e quatro anos, nunca é tarde pra recomeçar.
Lindo isso, né?
Não, isso é muito triste!
Não se aprende com aquilo que não se sente, que não se vive.
O TDAH segue impávido, mas repetirá exatamente os mesmos erros e fracassará novamente.
A alma adolescente tolda a visão do futuro e dificulta a compreensão de que todos precisamos preparar esse futuro. Ainda que a alma seja adolescente, o corpo envelhece, as forças declinam e em algum momento da vida elas se exaurem e não conseguiremos mais recomeçar. Aí sim, surgirá diante de nós o verdadeiro estrago da vida. A verdadeira tragédia para nós que não tivemos passado e por isso não construímos um futuro. E acabamos atropelados por ele.
Sem dinheiro, sem patrimônio, sem uma aposentadoria digna...
Restará cuidarmos de nossas mazelas nas filas do SUS contando as migalhas que caem das mãos mesquinhas da Previdência Social.
Ah, nesse momento a resiliência do TDAH mostrar-se-á invencível!
Caminhando nas frias madrugadas das filas do SUS, a alma adolescente continuará a vagar pelos campos ensolarados do TDAH, criando vidas perfeitas, momentos de glória e reconhecimento; inexpugnável à maldade governamental ou à vilania do ser humano e  só poderá ser derrotada ao extinguir-se definitivo da vida.
Isso sim é resiliência! O resto é adaptação...

Comentários

  1. Alexandre, você disse muitas verdades, mas na minha visão, também TDA, com uma conclusão inadequada. Exatamente 'por não se superar o que não se sente", também não somos resilientes ao que não sentimos. Ser resiliente é enfrentar um desafio uma "agressão" e não deixar aquilo nos afetar, mas não só, por não sentir, pois neste caso alguma coisa, o dano a perda a princípio não percebida, mais tarde será vista e sempre haverá um dano, mesmo que seja na nossa já pobre auto-estima. Ser resiliente é lutar por nossos interesses e pontos de vista, vencendo ou não o embate perante os outros, mas mantendo nossos princípios.
    A resiliência é uma coisa que precisamos trabalhar para recuperar nossa auto-estima, que tanto nos faz falta. Hoje em dia nos meus 43 anos, 2 sabedor da minha condição TDA, sonho em recuperar a minha.

    Marcelo

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    1. Boa noite! Bem, concordo com tudo o que você disse, o que eu quis dizer é que nossa condição de TDAH nos reveste com uma capacidade infinita de adaptar-se e renascer. Se você não se soubesse TDAH estaria batendo no peito e defendendo sua resiliência.
      O fato de sermos TDAHs nos coloca numa outra perspectiva, mas a capacidade de superação e adaptação são típicas da pessoa resiliente.
      Um abraço
      Alexandre

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  2. Muitas das coisas que nós fazemos, nós mesmos sabemos que não as fazemos do jeito certo.

    Muitas delas sabemos que não são certas, mas também não sabemos qual seria o certo.

    Muitas delas sabemos não ser a forma certa, sabemos que há uma melhor, mas que também não é a realmente certa.

    De cada coisa que fazemos, você saberia encaixá-la neste último caso acima? Conseguiria escrever a forma certa em um papel e colá-lo na sua escrivaninha ou n oseu monitor, ou na sua geladeira? Fazer isso talvez proporcione uma memória muito fraca, principalmente em nós, TDAH, porém, você COM A MAIOR CERTEZA DO MUNDO, aumentará E MUITO as suas chances de, na ocasião em que a solução REALMENTE CORRETA for necessária, você tê-la na cabeça.

    Mais do simplismente implementá-la, você ainda estará não só fazendo o certo apenas uma vez. Perceba que houve uma história antes, que culminou no tal acontecimento, que pode ser coisa pequena, média ou grande, mas é obviamente de suma importância.

    Uma experiência viva de algo correto, com suas consequências corretas, alinhadas, etc. Isso TEM QUE SER algo que vá criar em você vontade de repetir o mesmo exercício mais vezes em outras questões.

    Muito provavelmente são muitas, mas não é motivo para desanimar.

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    1. Desculpe-me, não entendi muito bem o que você quis dizer...

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  3. Eu acho um absurdo o valor da consulta cobrado pelos especialistas.
    Como pode uma consulta custar $900,00?
    Aí que a gente adoece mesmo. Eles vão pra mídia defender o Tdah como uma doença importante, e é, descrevem páginas sobre o assunto, mas inviabilizam o atendimento. A impressão que tenho é que querem enriquecer à custa de nossa desgraça. Mas desse jeito temos (no caso eu) que continuar desgraçada mesmo. Triste. Dá vontade de chorar. Sabem do quanto é difícil...

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    1. Que o meu irmão Walter não me leia, mas médico e advogado ganham dinheiro com a desgraça alheia. kkkkk
      Eu amo minha médica, mas não tenho mais condições de pagar o que ela cobra. Infelizmente.

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  4. Verdade anônimo, por aqui onde moro, um especialista onde encontrei pelo site da ABDA, a consulta é 600 reais. acho isso um absurdo.

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    1. Talvez esses que cobram valores exorbitantes, se fossem Tdahs, não o fariam. E o pior é que são indicados pela ABDA.

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    2. A minha médica cobra 450. Nunca mais voltei lá.
      Fazer o quê?
      Esse é o nosso Brasil

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  5. Bem, por aqui por Salvador, a consulta de uma excelente psicóloga na área do TDAH, uma das melhores que já encontrei, é de R$ 350,00.

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  6. Somos o impávido colosso afinal! rs
    Sabe, as vezes acho que muita gente deve contar com a hora em que não levantaremos mais... e devem ficar incrédulas quando isso simplesmente não acontece. heheheh Até eu fico! :p
    Excelente meu amigo!

    Super abraço!!!
    ;)

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  7. Essa é a questão, Marlon,sofremos muito com os problemas que nós mesmos causamos; mas nós nos superamos, e às nossas dificuldades. Ainda defendo nossa resiliência.
    Abraços e obrigado
    Alexandre

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  8. Fiquei confusa com o que li. Minha vida sempre foi caindo e levantando... Tudo foi extremamente difícil e eu pensava que era por causa da minha falta de inteligência... Mas eu sempre dava um jeito! Assisti minhas aulas da faculdade com os olhos fechados, repetia a mesma coisa pra lembrar de fazer (colocar a chave em cima da mesa - e nunca colocava) chorava enquanto estudava matemática no ensino médio... Mas sempre achei que eu superava a minha burrice, me superava por mais ridículos que fossem os obstáculos. Eu pensei que isso fosse resiliencia.

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