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TDAH EM EBULIÇÃO

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Já perdi a conta de quantas vezes assisti ao filme 'O Senhor dos Anéis'. Gosto tanto que me dei um box com os três filmes de presente num natal desses atrás. Volta e meia assisto novamente. Ontem assisti aos dois primeiros filmes. E sempre descubro novidades - afinal são nove horas de filme e um bom TDAH não se mantém atento por tantas horas - e ontem não foi diferente. Num diálogo entre Éowyn e Aragorn em que ela afirma não temer a dor e a morte, ele a questiona sobre o que teme: - Uma gaiola - responde Éowyn - Ficar atrás de grades até que o hábito e a velhice as aceitem. E a oportunidade de grandes feitos esteja além da lembrança e desejo.           Um pérola do TDAH! Mas sou assim, e odeio pensar em me conformar. Sou uma metamorfose ambulante, e essa metamorfose me construiu. Construiu uma personalidade complexa, mas riquíssima. Uma vida recheada de dores, mas transbordante de emoções, prazeres e vivências. Uma personalidade auto destrutiva...

O TDAH PARA O NOVO ANO

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Sabe o que eu quero pra 2015? Ser eu mesmo! Com TDAH e tudo! Quero dar de cara comigo em primeiro de janeiro próximo, e prometo não me deixar escapar. Olharei em meus olhos e reconhecerei meus sonhos adiados ou abandonados. Verei em seu brilho as grandes coisas com que sonhei e permiti que a realidade as enterrasse vivas. Mas não permitirei que morram sufocadas. Sonhos são para serem perseguidos a vida inteira. A realidade não tem o direito de matá-los.  Certamente o velho eu abraçará aquele que chega, mas em silêncio. O velho Alexandre não poderá contaminar o novo com sua dor, suas decepções e frustrações. Já basta o olhar sofrido e apagado com que fitará o recém chegado. Não! Não permitirei que fale, mas no abraço, aquele velho que parte levará no peito o calor da empolgação do novo eu. Seu calor cicatrizará feridas que ganhei ao longo desse penoso e interminável 2014. O velho eu caminhará sem sorrisos para o paraíso dos anos esquecidos; ou de triste lembrança...

O TDAH NÃO É PARA ESSE MUNDO

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Os portadores de TDAH seriam diferentes num mundo diferente? Os críticos do TDAH alegam - entre outras idiotices - que está havendo um excesso de diagnósticos, uma explosão de receituários de Ritalina, blá, blá, blá... Essa tal 'explosão' não seria um mero reflexo do 'novo' mundo em que vivemos? Sou péssimo sob pressão, nem um pouco competitivo e me descontrolo facilmente se preciso agir e pensar muito rapidamente... E esse é o mundo de hoje; alta pressão, alta velocidade e altíssima competitividade. Não é de se estranhar que os diagnósticos de TDAH tenham aumentado tanto. Uma doença que compromete a memória, o foco, dificulta o cumprimento de metas, a conclusão de cursos, a estabilidade dos relacionamentos, é absolutamente inadequada - quase incapacitante mesmo - numa época onde essas características são altamente exigidas e valorizadas, Não basta ser formado, é preciso ter mestrado, especialização e ser fluente em, pelo menos, um idioma. Abandonei duas fa...

O TDAH INQUEBRANTÁVEL

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Não sei quem sou, nunca soube... Não sou futuro; nem presente. Sou ausência... Não sou coragem; medo muito menos. Sou liberdade... Memória sei que não sou; nem tampouco esquecimento. Sou incômodo... Sim, incômodo. Incomodo a você, incomodo a mim mesmo, incomodo à sociedade em geral. Essa sociedade que me ignora, que finge não me enxergar, que não quer me ouvir. Mas eu grito, me debato, me imponho. Me imponho com meu silêncio, minha reclusão, minha rebeldia, minha inconstância, minha volatilidade. Quem não me engole, tem de me aspirar; quem não me tolera, tem de me carregar. Estou aí, à volta de quem não me quer, não me acredita, não me respeita. Minha vida errante, minha memória claudicante, minha impulsividade incontrolável, até agridem. Mas o que mais incomoda, é essa capacidade TDAHDIANA  de se restaurar, se reerguer, de renascer. A infinita - e talvez infantil - capacidade de sacudir a poeira, ignorar as feridas e os andrajos, e de cabeça erguida e sorriso n...

O TDAH E A ESCOLHA DA SOLIDÃO

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A chuva que, finalmente, cai lá fora; uma velha música do Pink Floyd e o cachorro enrolado aos meus pés são minhas únicas companhias há dias. Com a família viajando no fim de semana, me esbanjei na solidão. No domingo não troquei uma palavra com ninguém. Passei o dia consertando celulares e tablets, ouvindo música, assistindo TV e lendo. Hoje, pensando em meu fim de semana, constatei que, ainda que eu more no mesmo condomínio a quase dezesseis anos, nunca entrei na casa de nenhum vizinho. Não tenho a menor simpatia por vizinho. Tremo de medo que eles tomem intimidade comigo e passem a frequentar minha casa. Isso seria uma tortura para mim. Tenho um colega de trabalho que me ligava todos os domingos pra me convidar pra fazer churrasco na casa dele, essas coisas. Depois de mil e uma desculpas ele percebeu que eu não iria jamais e desistiu. O maior problema é que sou uma pessoa extremamente sociável, simpática e de fácil entrosamento; isso faz com que as pessoas creiam que quero ...

TDAH: O EXTERMINADOR DE FUTUROS!

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No jurássico ano de 1979, fui contratado para o meu primeiro emprego regular; carteira assinada e tudo.  Por tratar-se de um primeiro emprego minha empregadora inscreveu-me no PIS (acho que todos sabem o que é o PIS). Sei lá por que, uns anos depois fui tentar receber os juros a que tinha direito, ou outro motivo qualquer que já não me lembro,  e tive o dissabor de saber que meu PIS tinha um erro de cadastro. Segundo o funcionário do extinto Banco Nacional o tal PIS estava cadastrado em meu nome mas os outros dados eram de outra pessoa. Como eu ganhava mais de dois salários mínimos por mês, e não tinha direito ao abono anual - apenas uns juros que julguei ser uma mixaria - e me deu uma enorme preguiça de ir atrás desse assunto, abandonei a questão. Nunca preocupei-me com a correção desses dados. Nunca tive direito a esse abono do PIS, mas sempre quando esse assunto surgia eu me recordava de que meu cadastro estava errado. Uma hora eu vou resolver isso, disse inúmeras ...

TDAH: O ÓDIO E SEUS DESASTRES NOS RELACIONAMENTOS AMOROSOS.

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Nota do Autor (Atualizada em 2025): Este é um dos posts mais difíceis que já escrevi. Nele, eu abro a "caixa preta" da mente TDAH durante uma crise de raiva ou uma decisão de ruptura. Hoje, a ciência estuda isso como Desregulação Emocional . É um relato visceral sobre como a nossa mente cria armadilhas para quem amamos. Se você convive com um TDAH ou se reconhece nesse comportamento, leia com o coração aberto. O objetivo aqui é salvar a sua dignidade, não apenas o relacionamento. Num momento se ama; no momento seguinte se odeia. E odeia a quem se ama! É inexplicável! O ódio não é da pessoa; é da oposição imposta por ela. O ódio é pela cobrança que ela representa. O ódio é interno por uma encruzilhada em que não se sabe em qual das mil opções escolher. Não se culpe, mas não ceda! Se você é o alvo do ódio, desmonte-o, desmantele-o; aceite a ruptura, o fim, e vá embora. Nada de cenas, de choro, de desespero. Odiamos isso. Quanto mais rastejante mais desprezível. Se ...