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O TDAH E A DOR DA MUDANÇA - A Metamorfose que Dói e Liberta

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Nota de Atualização (2026) : Este texto toca no ponto mais sensível da nossa jornada: o cansaço de ser "novo" o tempo todo porque não conseguimos fixar o aprendizado do erro. Treze anos depois, a nitroglicerina ainda está aqui, mas aprendi a manusear os frascos com mais cuidado. A Repetição que Exige Preço Erro. Erro e persisto. Erro, persisto e insisto. Erro, persisto, insisto e repito. E arco. Arco com a dor. Arco com os prejuízos. Arco com as nefastas consequências. E então ergo a cabeça e retomo o caminho. E erro; de novo. Erro e persisto; de novo. Já conheço a dor. Já conheço os prejuízos. Já conheço as nefastas consequências. Então por quê? Talvez... Bem, talvez meu cérebro já tenha se habituado ao hedonismo. E o TDAH se manifesta novamente: e que mal há em ser hedonista? A Cigarra, a Formiga e a Metamorfose Quem estará certo, Esopo a quem se atribui a autoria da fábula A Cigarra e a Formiga ou Raul Seixas que afirma que a Formiga só trabalha por q...

TDAH - OS MALABARISTAS DA VIDA !

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Nota de 2026 : Este texto nasceu de uma troca preciosa nos comentários deste blog. É dedicado ao leitor Diego Bueno, psicólogo e professor, que ao descrever nossa luta diária, cunhou a expressão que dá título a este post. Obrigado, Diego, por emprestar sua sensibilidade à nossa causa. O Espetáculo da Sobrevivência Parado no sinal de trânsito, observo um jovem que faz malabarismos em troca de algumas moedas Bolas coloridas giram em suas mãos, não com a maestria que se espera de um malabarista profissional, mas com a insegurança dos que lutam pela sobrevivência nesse país cruel e indiferente. Meus olhos acompanham as bolinhas e meu pensamento viaja na louca velocidade do TDAH: cada bola daquela que gira em círculos desiguais e inseguros, simboliza um aspecto da minha personalidade.  Laranja:  A impulsividade Azul:  a desatenção  Preta : a fúria (que a duras penas tento dominar) Amarela: a personalidade sonhadora Vermelha:  a paixão exacerba...

UM TDAH SERÁ NORMAL UM DIA?

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Estarei no caminho certo? Jamais saberei. Mas existe um caminho certo? Sob qual parâmetro? Lembrar-me de tudo? Abandonar a impulsividade? Derrotar meus sabotadores? Estabilizar meu humor? Acabar com meu sentimento de inferioridade? Ou quem sabe desistir do meu isolamento? Mas este é o caminho certo? O linear caminho do equilíbrio. A vida previsível dos que se lembram. A monótona estabilidade dos que pensam antes de agir. A feliz vida de quem jamais se sabotou. O estável humor dos equilibrados. Ah, a autoconfiança dos 'normais'. Sem contar com os felizes sociáveis e seu incontável número de amigos. Os piores momentos da minha vida vivi quando cedi aos meus impulsos. Mas os melhores também devo à minha impulsividade. Minha péssima memória me propiciou uma enorme capacidade de improvisação. A auto sabotagem dói, não aprendemos com nossos erros, temos prejuízos constantes. Mas e daí? Esse sou eu! Com ou sem remédio eu sou um TDAH. Com ou sem remédio j...

O TDAH PULSANDO DE CULPA!

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Mais que uma tatuagem, a culpa é uma cicatriz em nossas almas. Uma cicatriz inchada e latejante a nos lembrar de sua existência. Os erros passados desfilam em nossos olhos. As críticas pretéritas ainda ecoam em nossos ouvidos. Os olhares acusatórios pesam como uma cruz em nossas costas. A culpa; sempre ela, gêmea xipófaga do TDAH; unidos pela mente, pelo coração, pela alma. Ao contrário do que dizem nossos detratores, o TDAH não é insensível; muito pelo contrário, impelidos por um desejo incontrolável, por uma impulsividade indômita, erramos continuamente e acabamos eternamente torturados pela culpa. Uma culpa pulsante, viva, interminável. Velhos erros dançam diante de nós, como a oferecer-se para que os escolhamos como pares novamente. Aquela palavra final que jamais deveria ter sido dita, volta à nossa mente, sempre na superfície oferecendo-se para ser repetida. e a repetimos. E a velha cicatriz pulsa, a velha dor nos aterroriza e juramos não experimenta-la de novo. ...

MEDICAI E VIGIAI: COMO O AUTOCONHECIMENTO SALVA O TRATAMENTO DO TDAH.

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 "O tratamento do TDAH é um diálogo constante entre você e sua própria consciência." Nota do Autor 2026 Em 2026, olho para este texto e vejo que o "Vigiai" se tornou meu hábito mais valioso. O medicamento (seja Ritalina ou Venvanse) me dá a visão, mas o policiamento constante é o que me mantém na estrada sem capotar. O amigo Rafael Salazar em um comentário muito inteligente diz que apenas a Ritalina não resolve no tratamento do TDAH, o que resolve é: 'MEDICAI E VIGIAI'. Esta expressão sintetiza minha última consulta com minha neurologista, a Dra. Valéria Modesto . Com o desaparecimento da Rita lina do mercado, resolvi racionar o medicamento, reduzindo a dosagem de 30mg por dia para apenas 10mg por d ia; mesmo assim, sem tomar aos sábados e domingos e, ao final da última caixa tomando em dias alternados. Ou seja, na prática, fiquei sem tratamento; e não fiz grandes besteiras. Claro, minha produtividade caiu, fiquei mais disperso e menos concentrado, mas co...

O TDAH INDOMÁVEL

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Meu coração transborda. Meu peito não me cabe. Minha cabeça não me obedece. Meu peito transborda. Minha cabeça não me cabe. Meu coração não me obedece. Minha cabeça transborda. Meu coração não me cabe. Meu peito não me obedece. Transborda meu peito que não me cabe. Não me obedece meu coração que transborda. Não me cabe minha cabeça que não me obedece. Já que não me cabe, já que transborda, já que não me obedece; pra que resistir? Entrego meus sentimentos ao turbilhão do TDAH. Atiro-me nesse tsunami de emoções que me arrasta. Se dores intensas experimentei, emoções e prazeres inenarráveis saboreei. Não quero a vida insossa dos 'normais'. Quero o peito em brasa a um toque. Quero a respiração ofegante por um olhar. Quero as mãos úmidas de expectativa. Se dor ou prazer, o que importa é viver.

UM TDAH EM ESTADO DE CHOQUE

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Estou diante dele, em silenciosa expectativa. Dessa vez será diferente, tenho praticamente certeza do que tenho.. Será possível que ele me reserva algum dissabor? A imagem do desastre forma-se diante de mim. Meu Deus, mais uma decepção! Como sempre uma surpresa desagradável. Imagens desconexas povoam minha cabeça. Tento descobrir o que pode ter acontecido; do que eu esqueci. O que fazer diante desse quadro caótico?  Mas por que sempre que aqui chego tomo um choque?  Encontro-me num beco sem saída.  Estático, indefeso, observo a imagem diante de mim.  Essa é a imagem de um inimigo, de um adversário que teima em atirar na minha cara uma verdade diversa daquela que eu imaginava. Até quando essa realidade artificial vai insistir em sobrepor-se à minha realidade? Não posso ter errado de novo! Não, dessa vez não! Tenho que tomar uma decisão; não vou me apequenar diante do inimigo. Engulo seco e o provoco novamente. A imagem muda, alt...