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O TDAH E A AUTO PUNIÇÃO

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Muitas vezes, mas muitas vezes mesmo, eu me pego procurando soluções auto punitivas para meus problemas. Soluções que não solucionam o problema, mas me punem como uma forma de amenizar a culpa que trago por tê-los causado. Principalmente se envolvem outras pessoas. As vezes não acredito na sequência de reveses que se sucedem em minha vida, principalmente na vida material. Nesse mês de março meu carro apresentou um problema no motor e foram exatamente duas semanas de despesas, amolações e falhas até que a coisa fosse solucionada. Isso é normal? Claro, pode acontecer com todo mundo, mas comigo a recorrência dessa sucessão de situações que se complicam é tão grande, que muita gente que me cerca já me mandou ir a uma benzedeira, centro espírita, igreja... Nessas horas me dá uma imensa vontade de me afastar das pessoas, de romper relacionamentos e me isolar na minha própria falta de sorte, ou incapacidade de gerir a vida, ou carma, ou destino, ou consequências do TDAH, ou que quer...

O TDAH ESPECTADOR DA PRÓPRIA VIDA

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Pode ser um filme. Um filme que assistimos de forma fria e estática. Apenas observamos um imenso desfile de pessoas e acontecimentos que, muitas vezes, parecem não ter qualquer sentido ou ligação com as nossas vidas. Apesar de ser um filme ruim, não conseguimos interrompê-lo, mudar de canal ou alterar seu roteiro. Algo obriga-nos a assisti-lo diariamente. Noutras vezes pode ser um sonho. Uma imagem esfumaçada e distante onde as pessoas mexem suas bocas, em tentativas vãs de nos dizer coisas que não ouvimos, não entendemos, nem absorvemos. Continuamos estáticos, inertes, apáticos diante daquele sonho monótono e cujo roteiro se repete indefinidamente. Torpor. Talvez essa seja a palavra ideal para definir o estado de alma que temos quando saímos de nossas vidas e passamos apenas a observá-la. Indiferença é outra palavra que cabe perfeitamente nessa sequência de cenas aparentemente desconexas e sem sentido. Num estado meio entorpecido, observamos indiferentes o desenrolar de...

RITALINA EM FALTA NO MERCADO? O QUE FAZER QUANDO O MEDICAMENTO SOME DAS FARMÁCIAS

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Nota do Autor (Atualizada em 2025): > Este post foi escrito durante um período de desabastecimento da Ritalina comum. Embora o mercado tenha se estabilizado e hoje existam opções de genéricos que não existiam na época, decidi manter o texto para discutirmos algo que nunca muda: a nossa dependência das indústrias farmacêuticas e a burocracia brasileira. Lembre-se: se o seu remédio faltar, nunca mude para a versão LA ou para genéricos sem falar com seu médico antes. A leitora Thais, me mandou um comentário indignado sobre a falta de Ritalina comum no mercado das grandes cidades. Anexou ao seu comentário links de queixas de vários usuários no site "Reclame Aqui", e justificativas, que ela chamou de vagas, do laboratório Novartis, que produz a Ritalina. Ontem, num segundo comentário, Thais postou uma resposta da Novartis alegando problemas burocráticos para a importação do metilfenidato. Quem mora no Brasil sabe que essa justificativa deve ser verdadeira. Somos um pa...

O TDAH E A ALMA QUE ME HABITA

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Que alma é essa que me habita e não se basta? Que precisa acorrentar-se a outra pra sentir-se viva? Que coração trago no peito que só sabe bater em resposta a outro? Por onde vaga minha mente que só vê sentido quando em sintonia com outra? Quem sou eu? Esse sou eu, ou apenas uma projeção daquilo que eu poderia ser se minha vida me bastasse? Se minha vida me coubesse. Se viver minha vida me satisfizesse. Meus pés me levam por caminhos conhecidos, mas meus olhos recusam-se a enxergá-los. Tropeço nos mesmos lugares, caio nos mesmos abismos, meu peito sangra mais uma vez. Que alma é essa que não se satisfaz com seu próprio corpo? Que coração é esse que sente-se triste na tranquila estrada de mão única? Os pés cobertos de cicatrizes demonstram o erro das escolhas; mas o que fazer se um coração enegrecido de tristeza só pulsa de felicidade ao ouvir com nitidez o eco de outro coração? E tudo o que a mente pensou, todas as estratégias racionais que foram armadas, o aparent...

TDAH - COMO NÃO CONSEGUI VER ISSO ANTES

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" As vezes, fico horas pra resolver um exercício de física, calculo e chega outra pessoa, e resolve em 2 minutos... E eu penso, como eu não consegui ver isso antes." A frase acima é de um comentário que recebi e ilustra muitíssimo bem a nossa vida: Como é que eu não consegui ver isso antes? E não é só em cálculo. Certa vez, a muitos anos atrás, comprei um lote e a vendedora alterou as condições de pagamento do contrato e não me avisou; eu li o contrato, não enxerguei a mudança e na hora de pagar lá estava a surpresa. E a vendedora argumentou: você leu o contrato, assinou! Mas eu não tinha visto aquilo. Eu estava pensando em outra coisa, meu olhos leram o contrato, minha mente não. No ensino médio, eu ia nas aulas de matemática e física e prestava atenção, entendia a explicação do professor; ao chegar em casa, me deparar com outros exercícios, simplesmente não sabia o que fazer. Olhava para aqueles problemas como se jamais os tivesse visto. Eu tinha uma prova de f...

O TDAH QUE MOSTRA A CARA

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Estou assistindo ao programa Saia Justa, no GNT. A jornalista Bárbara Gancia conta a sua história de luta contra a dependência do álcool. Bárbara se assume alcólatra e a discussão entra no campo da divulgação de depoimentos como o dela, principalmente de pessoas públicas e famosas, como forma de conforto e apoio para quem está passando por situação semelhante. Claro que fiz a analogia com o blog e com as pessoas que, como você e eu, procuram apoio e conforto nos depoimentos espalhados na internet e nos livros. E aí lembrei-me que quando comecei a escrever o blog eu adotei um pseudônimo: Aleph Buendía, que é a junção do título de uma obra de Borges com o sobrenome da família que protagoniza o maravilhoso livro Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Marquez. Mas só fiz uma meia dúzia de posts sob esse pseudônimo; achava estranho assinar um outro nome, eu não enxergava credibilidade naquilo que escrevia sob pseudônimo. Decidi assumir minha identidade quando mudei...

UM TDAH PERFEITO

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Nota de Atualização (2026) A medicina personalizada reforça que o sucesso no TDAH é medido pela  qualidade de vida  e não pela ausência total de sintomas. A ideia de          "Um TDAH Perfeito" foi substituída pelo conceito de "Neurodivergência Funcional", onde o foco é o ajuste do ambiente e a autocompaixão, exatamente como este texto propõe há anos.