TDAH POBRE COITADO



Ilustração de um homem com TDAH perdido em pensamentos escapistas, imaginando situações dramáticas para fugir de problemas cotidianos.
O "torpor" do TDAH: quando o peso do mundo nos faz sonhar com saídas impossíveis.





 Nota do Autor 2026                                                                                             Este post de 2017 toca em um ponto sensível: a regulação emocional. Análises científicas recentes confirmam que a disforia sensível à rejeição e a baixa tolerância à frustração alimentam esses ciclos de "paralisia" descritos no texto.



O Padrão Mental da Vítima

Basta uma situação um pouco mais complicada, basta um pouco mais de pressão e o padrão mental se repete:

— E se eu, no auge dessa pressão a que estou submetido, tivesse um infarto ou um AVC? Seria perfeito, todos os problemas cessariam...

Quem de nós jamais se fez de vítima, que atire a primeira pedra. Não digo que externamos essa vontade, mas no fundo, lá no fundo, flertamos com a tragédia que mude o rumo de nossas vidas; e, claro, nos tire o peso da vida dos ombros.

Mas você que me lê vai dizer: — Ora, mas isso é infantilidade!

Claro que é. Mas essa é uma das características do TDAH: a imaturidade!

A Busca por Soluções Mágicas

Estamos sempre sonhando com soluções mágicas; desde um acontecimento fortuito que nos dê dinheiro, sucesso ou juízo, até um fato trágico que nos livre de arcar com as consequências de alguma besteira que tenhamos feito. Vestimos com perfeição o uniforme do pobre coitado. Aquele cujas vicissitudes iniciaram-se ainda na concepção; e nascemos TDAHs. Daí para frente, fomos "perseguidos" pela vida.

Ahhh, a tragédia libertadora! Uma doença, um atropelamento, um incidente qualquer resolveria nossos problemas. Mas, claro, sem morte ou dano físico permanente. Apenas o suficiente para que, ao passarmos na rua, um conhecido diga ao outro: — Bom sujeito, mas coitado, a vida lhe foi tão ingrata...

Seria o céu! A solução mágica com que sonhávamos. Mas veja bem, a magia não está apenas na solução da nossa situação, mas também em manter-se em padrões de sofrimento e incapacidade que não nos acarrete dor excessiva ou demasiado longa.

Pensamentos Escapistas e a Realidade

Claro que esses pensamentos são de curta duração e nenhuma consequência. Sabemos, do alto de nossa imaturidade, que esses são pensamentos escapistas e absolutamente inexequíveis. E seguimos a vida! E continuamos aos trambolhões, de derrapagem em derrapagem, de sonho em sonho...

Se nos enrolamos financeiramente... Se agimos impulsivamente... Se falamos o que não devia... Tentamos solucionar, não conseguimos; a situação se complica... Vem uma espécie de paralisia, de torpor... Muitos de nós fica absorto, de olhos fixos no nada... E a cabeça é imediatamente assaltada por esses pensamentos... Por um, dois, três minutos aquilo nos parece a melhor solução. Mas passa. Sacudimos a cabeça e vamos para a solução... Se ainda tiver solução. 

Se não tiver... Bem... Já tomamos tantas pancadas, já ouvimos tantas críticas, que mais algumas não farão muita diferença.



Leia Também:

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Para compreender melhor os aspectos neurobiológicos que influenciam a regulação emocional, consulte a ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção

 


FAQ - Perguntas Frequentes

O que causa os pensamentos escapistas no TDAH? 

Eles geralmente surgem como um mecanismo de defesa diante da sobrecarga cognitiva e da dificuldade em lidar com as consequências de falhas nas funções executivas.

A imaturidade é um sintoma do TDAH? 

Sim, pesquisas indicam que o desenvolvimento do córtex pré-frontal em indivíduos com TDAH pode apresentar um atraso maturacional, refletindo-se em comportamentos e reações emocionais.

Comentários

  1. nossa, é incrível como vc consegue descrever exatamente o que se passa na nossa mente....
    rss
    hoje mesmo pensei assim...
    estou passando por um problema com o marido, e me veio esse pensamento rss
    um carro vir e me atropelar kkk.... rir para não chorar...
    vc escreve muito bem

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    Respostas
    1. Exatamente, uma maneira de resolver nossos problemas; sem resolvê-los. Mas ficam com pena da gente... rsrsrsrs
      Um abração
      Alexandre

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  2. kkkkkkkkkkk, comentário super TDAH. É bem assim mesmo. Trate-se, Leonardo, a vida melhora muito.
    Um grande abraço e obrigado
    Alexandre

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  3. Muita Joys, veja o último post que publiquei: chama-se VIVA A RITALINA!
    Por aí vc imagina...

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  4. João Partilhando Um pouco3 de agosto de 2017 às 10:45

    Cara é assim mesmo,vc me descreveu, minha psicóloga disse que tinha TDA, sem hiperatividade, vc descreveu como me sinto, mas não tenho coragem de ir no psiquiatra e a psicóloga abandonei....

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  5. fico com receio de tomar, por isso não procurei o psiquiatra ..

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