O TDAH E O EXERCÍCIO DO PERDÃO




Desenho retrata uma moça com parte das costas removidas de onde saem nuvens em um lindo céu azul



Nota de Atualização 2026:
Este texto foi escrito originalmente em 2016, em um momento de profunda descoberta sobre como o autoperdão é a ferramenta mais difícil — e mais necessária — na caixa de ferramentas de um TDAH. Ao relê-lo hoje, percebo que a "pedra de Sísifo" continua lá, mas a forma como eu olho para ela mudou. Decidi reindexar esta reflexão com uma diagramação mais moderna e pontos mais claros, pois acredito que a mensagem do autoconhecimento misturado à autocompaixão nunca foi tão urgente. Se você vive se esmagando pelo que não conseguiu terminar, este texto é para você.


O Mito de Sísifo e a Autopunição

Não vou falar sobre perdoar nosso semelhante, mas o autoperdão; o perdoar-se a si próprio.
O TDAH é mais ou menos como o Mito de Sísifo, aquele que deveria empurrar uma pedra morro acima e ao atingir o cume, a pedra rolava e ele deveria começar de novo.
Quantas vezes nos aproximamos de atingir uma meta, um sonho, a conclusão de um trabalho, e destruímos tudo; desistimos; abandonamos?
Quantos relacionamentos destruímos da mesma forma...
Qual o nosso maior sonho? Mudar esse padrão de comportamento!
E aí começamos; empurramos nossa pedra morro acima, fazemos enormes esforços e a deixamos rolar pelos mais diversos motivos; dos mais justificáveis à preguiça, o saco cheio, a mudança de foco...
E aí nos punimos, nos criticamos, esmagamos ainda mais nossa auto estima.
Antes de mais nada, não estou aqui defendendo nosso direito de humilhar o parceiro(a) ou usar o TDAH como desculpa para aprontar. Não!

A Estratégia do Autoconhecimento

Só se supera o TDAH se ACREDITARMOS que ele existe e QUISERMOS enfrenta-lo.
Então, a partir do momento em que abandonamos a postura passiva e criamos e implementamos estratégias para vencê-lo, merecemos o auto perdão ao errarmos.
A melhor maneira que encontrei foi a auto análise e a confrontação da realidade com o TDAH.
Exemplo:
Fui PHD em procrastinação. Adiava do mínimo ao máximo. Perdi vendas, amigos, clientes... Tudo pela procrastinação. A arte de adiar indefinidamente as situações que demandem solução.
Hoje ainda procrastino; muito menos do que antes. Ao me defrontar com a vontade de procrastinar, paro e analiso: Existem motivos concretos para adiar isso? Se não existem, e na maioria dos casos não existem mesmo, enfrento o TDAH e faço o que devo. Mas, claro, não funciona sempre. Erro, falho, esqueço, adio a análise, mas me perdoo se não consigo.
Ainda existem consequências, mas não me prendo ao erro. Foco na tentativa e naquilo que consegui vencer.
E isso serve pra tudo.

Três Passos para a Libertação

  1.  Conheça-te a ti mesmo. Pare e pense, honestamente, quem é você? Pra onde você está levando sua vida? O que você quer dessa vida?
  2. Conheça o TDAH! Profundamente! Aprenda de cor e salteado os sintomas característicos do transtorno e suas manifestações.
  3. Confronte-os: Eu tinha enormes variações de humor. E sempre pra baixo! Do nada, ou partir de quase nada eu me sentia um pano de chão sujo. Me sentia o pior dos seres humanos, com uma enorme vontade de desistir de tudo. A partir do diagnóstico adotei a estratégia de confrontar o desânimo; eu pensava assim: Por que tô tão mal? O que aconteceu de objetivo? Nada em 99% dos casos. Então eu me obrigava a mudar de humor. Punha uma música, dava uma volta, ou simplesmente abanava a cabeça e ia pensar em outra coisa.
Respeito a quem nos ama

Ridículo? Experimente! Funciona tanto que hoje em dia não passo mais por isso. Desapareceu!
Mas se erro, me perdoo!
Agora, irmão/irmã, vamos respeitar a quem nos ama por que conviver com a gente não é mole, não.
Dê valor a quem te aguenta, só mesmo um TDAH pra entender e harmonizar com outro.
Perdoe-se, mas peça perdão quando errar!



Leia Também:


5. Link Externo (ABDA): O autoperdão nasce também da compreensão biológica do transtorno. Estude os fatos na ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção


Comentários

  1. amei o texto!pude me ver nessas linhas...

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  2. Oi, Alexandre, vejo sempre você aqui dizendo que recebe vários emails dos seus leitores. Tenho interesse de entrar em contato com você via email, mas não vi seu endereço eletrônico em nenhum lugar aqui do seu blog. Poderia me passar por favor?

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    1. alephbuendia@gmail.com ou schubertsax@gmail.com

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  3. Olá me chamo Eduardo.Bom, fazendo uma pesquisa sobre a TDHA, encontrei esse site. Vou falar um pouco sobre minha vida. Quando eu era criança, sempre fui considerado o pior aluno da classe ou ate escola. Semanalmente ou ate diariamente eu estava na diretoria da escola por mal comportamento. Eu sempre me achei anormal, pensava "poxa todo mundo consegue ser quieto e eu não consigo, tenho q sempre que fazer vergonha a meus pais, pq eu sou assim?" e essa duvida perdurou por muitos anos. Por mais que meu comportamento fosse ruim, (sempre fui inquieto, não parava quieto, por isso sempre arrumava confusao) minhas notas sempre foram boas. Quando eu fiz 13 anos na sétima serie, perdi de ano pela primeira vez. Por vacilo. Fiquei em uma final de matemática, e não estudei. Nunca fui fã de pegar o livro em casa ou fazer tarefas. Então recuperei tudo e cheguei ao segundo ano do ensino médio, fiz o ENEM e passei. Me mudei de cidade, fiz supletivo e passei. Então fiz o vestibular e passei. Agora estou no primeiro semestre do curso de Ciências biológicas. Estou gostando da ideia da universadade, Ter uma profissão e ser alguem na vida. Porem, estou com muito medo de não conseguir ir alem. Pois com a TDAH desconri que minha desatenção é muito grande. As pessoas me chamam de lerdo, de louco por falar as coisas sem pensar. De tagarela porque falo muito, e pior ainda, tenho uma doença chamada Taquilalia, que causa fala acelerada, que alem de falar demais, falo rápido de mais, e gaguejo as vezes. A ponto de ninguém (as vezes nem eu mesmo) entender o que eu digo. Nunca fui no medico falar sobre isso, e nunca tomei nada. Estou com 18 amos e descobri a doença há alguns meses. Minha vida esta sendo um inferno. Medo, insegurança, descrença em minhas capacidades. Falta de foco para o estudo, e concentração. Gostaria de receber dicas.

    Meu email: eduardoreges13@gmail.com

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    1. Parabéns, Eduardo! Aos 18 anos, sem tratamento nenhum você já foi muito longe. O ideal seria você procurar um médico e se tratar para ambas as doenças. Não sendo possível, o melhor método que conheço para reduzir os efeitos do TDAH é auto conhecimento e conhecimento do TDAH. Conhecendo muito bem o TDAH vc poderá reconhece-lo agindo sobre você e poderá controla-lo. Leia tudo o que vc puder sobre a doença e analise a sua vida com cuidado e isenção; vc vai descobrir que os seus piortres erros não são seus, são da doença. Isso nos dá um grande alívio. Aprendi a contar até 5 todas as vezes que vou falar alguma coisa com raiva; tente fazer isso antes de falar. Isso pode reduzir essas coisas que vc diz falar sem pensar. Mas lembre-se, vc vai falhar, vai repetir os erros.. Nada disso importa; errou? levante a cabeça e tente de novo.
      Abraço
      Alexandre

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  4. Amigo, vc entrou em minha cabeça, leu meus pensamentos e escreveu este testo? Esse cara sou eu!! Agora no sério, acho genial como consegue colocar em palavras e retratar tão bem a vida de quem possui o TDAH, parabéns continue assim, é bom saber que não somos únicos e que existem outros como nós

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    1. Obrigado, DSC!
      Bom estar sendo útil, esse é o objetivo do blog!
      Um abraço
      Alexandre

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  5. Eduardo, as "dificuldades" são variadas, mas pelo seu relato você tem características parecidas com as minhas. Acho que pode enfrentar algumas dificuldades na faculdade, mas com algum empenho vc supera. Com características parecidas com a sua consegui concluir dois cursos superior em Federais, mas a vida profissional não decolava. Parti para concurso público e hoje estou bem empregado e rendendo bem. Acho que a figura de um chefe nos ajuda a traçar um caminho e seguir em frente. Claro que com algumas dificuldades diretamente relacionadas ao nosso comportamento. Tomo ritalina e suplementação com magnésio, vitaminas, Õmega 3, cuido da alimentação, exercícios físicos. Buscando apoio psicológico. Mas vou levando bem, acredito que vc deve se empenhar e concluir a faculdade para abrir portas pra vc lá na frente.
    Abçs e boa sorte.

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  6. Ah, esqueci, Alexandre, me passe o Whatsapp do grupo por favor!

    S.L. 1974
    Hellcife 2016

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  7. Olha, a depressão pode ser uma doença associada ao TDAH - que os médicos chamam de comorbidade - mas tratar TDAH com antidepressivo é um erro. São doenças diferentes com causas diferentes e existem medicamentos diferentes para trata-las. Volte ao seu médico ou troque de médico.
    Abraços
    Alexandre

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  8. Grande SL!
    Casamento de TDAH fracassado é comum! Mas de não TDAH também! TDAH que abandona a faculdade é comum, mas não TDAH que abandona também! Temos um transtorno, não somos esse transtorno. Meu mantra é: conheça-se e conheça a sua doença! Isso te leva à libertação! Não à cura, não ao fim dos erros, mas ao fim da auto punição, da diminuição da culpa, e uma redução dos erros.
    Conhecendo a sua doença profundamente vc saberá distinguir quando o seu comportamento está sendo pautado pelo TDAH e poderá corrigir seu rumo.
    Claro, não vai ganhar todas, mas saberá exatamente como e quando ele age.
    Pense nisso!
    Um abraço
    Alexandrte

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  9. Foi o que pensei, Alexandre. Um erro. E não é comigo.. é com um amigo e creio que será bem difícil, primeiro voltar a tocar nesse assunto com ele e depois que ele vá a outro médico.
    Obrigada pela resposta. Vou continuar estudando sobre TDHA e criando coragem ou esperar que ele toque no assunto novamente comigo.

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  10. Olá, meu marido tbm é TDAH, aliás acho que ex marido, e gostaria de trocar informações para saber se vcs tiveram sucesso no tratamento. Nunca havia pesquisado tanto sobre o assunto, mesmo sabendo desde o início que ele era. Hj vejo que não seria tão simples como imaginei. Me manda um email para nos comunicarmos. lannylucena@hotmail.com

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  11. Show!Absorvendo informações e seguindo em frente. Obrigado irmão. Abraço!

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