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Mostrando postagens de agosto, 2014

TDAH: TEMOS UM DOM?

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Dádiva. Presente recebido... de Deus! Sim, talvez seja... O dom do reverso. De enxergar a vida às avessas... Cultivamos o dom de uma criatividade ilimitada, que borbulha em nossa mente de tal maneira incontrolável que atravessamos a vida acreditando que em algum momento seremos reconhecidos... O dom de nos atermos à beleza do vermelho vivo do sangue que brota e não à dor que sentimos ao nos atirarmos pela enésima de vez de abismos e precipícios... O dom de caminharmos sobre os escombros de nossas próprias vidas; impávidos; indiferentes; incólumes; e absolutamente prontos para a próxima queda; tão certos estamos de nossos infinitos reerguimentos. O dom de nossa multiplicidade.  Multiplicidade de empregos; de amores; de recomeços; de objetivos; de fracassos; de tentativas... O dom da amnésia. Não, não são essas pequenas e risíveis falhas de memória. O dom da amnésia consiste em esquecer as dores passadas; as derrotas passadas; os aprendizados passados e encarar cada dia ...

O TDAH QUE FALA BALEIÊS: Um manifesto pela aceitação e respeito.

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Nota de Atualização (Dezembro de 2025):   Continuo querendo falar baleiês. Mas hoje, entendo que não preciso da permissão dos "trouxas" para isso. Aprendi que o mundo só nos respeita quando paramos de pedir desculpas por sermos quem somos. Continue a nadar. O Direito de Esquecer Sim, eu quero falar baleiês! E quero o direito de esquecer, ou não me lembrar, sem dor. Sim, e quero seguir a correnteza do TDAH e ir aonde ela me levar. Quero rir de mim mesmo; quero me olhar no espelho sem culpa; quero parar de me acusar, ou de me arrepender. Sim, eu quero falar baleiês! E quero que as pessoas me entendam. Quero poder falar do meu TDAH sem que as pessoas desconversem. Ser Alternativa, não Problema Quero deixar de ser um problema, e passar a ser uma alternativa. Quero passar a mão sobre meu corpo e ver as cicatrizes desaparecerem suavemente. Sim, eu quero falar baleiês! E quero muitas Dorys ao meu lado. Quero que minha memória falha deixe de ser folclórica ou tragicômica, ...

ESTATUTO DO TDAH: MANIFESTO PELA LIBERDADE DE SER QUEM SOMOS.

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Nota de Atualização (2026) - Este texto de 2014 foi inspirado no poema ESTATUTOS DO HOMEM de Thiago de Mello. O Artigo 13 continua sendo o meu favorito: esquecer o que nos fere é o que nos permite renascer sem cicatrizes a cada manhã.  1- Fica decretado que todo TDAH têm direito ao silêncio, ao recolhimento e à tristeza sem ser questionado. 2 - Fica reservado ao TDAH o direito de mudar de ideia, de caminho, de vida... 3 - É dado ao TDAH o direito a devaneios, elucubrações, sonhos e pensamentos delirantes a qualquer hora, a qualquer dia, em qualquer lugar. 4 - Fica decretada a extinção completa e absoluta da necessidade de decisões e atitudes imediatas por parte dos portadores de TDAH. 5 - É absolutamente proibida a definição de espaços, gavetas, armários, escaninhos, latinhas ou caixinhas para que o TDAH guarde seus objetos. Ou suas ideias. Ou sua vida... 6 - A partir desta data está descartada a necessidade do portador de TDAH aprender com seus próprios erros. Cada si...

TDAH: OS GRILHÕES MENTAIS DA PREGUIÇA

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Só quem tem TDAH sabe o que é ser acorrentado pela preguiça. Uma enorme tortura mental que paralisa, acorrenta, e impede a ação. A mente de um TDAH é pantanosa, um enorme lodaçal de emoções e medo. Sim, medo. A preguiça no TDAH não é aquela clássica de não querer fazer nada. Não, em absoluto. A nossa preguiça advém de uma série infindável de pensamentos tortuosos e projeções negativas do que vem pela frente. Se o que se avizinha é uma festa, logo imaginamos o ambiente tumultuado, barulhento, cheio de gente das quais não gostamos, assuntos chatos e inconvenientes. Se é trabalho, sempre imaginamos que não obteremos o efeito desejado, ou ainda que se o fizermos o chefe não vai reconhecer, ou simplesmente não saberemos executar com a perfeição devida. Ou seja, criamos um medo do futuro. Imobilismo é segurança. Mover-se é o desconhecido, é a exposição, é o risco. As vezes, a preguiça nos impede de fazer gestos mínimos, de dar passos minúsculos. Quem está de fora riria se soubes...