O TDAH E O MEDO DE DECEPCIONAR: Como vencer a autossabotagem social




Homem em varanda futurista sob chuva neon, iluminando com uma lanterna uma sombra em formato de serpente.



Nota de Atualização: Em 2026, com a velocidade das conexões digitais, a pressão por "não falhar" só aumentou. Republico esta reflexão hoje para lembrar que a nossa "data de validade" para o sucesso não está escrita em pedra, e que reconhecer o auto-sabotador é o primeiro passo para desarmá-lo.


A Certeza da Queda

Em seu comentário sobre meu post anterior, minha web amiga Regina, menciona que prefere se retrair pois sabe que, mais dia menos dia, irá decepcionar as pessoas que convivem com ela. E quanto maior a expectativa das pessoas em relação a ela, maior a decepção que, certamente, causará.
Bingo!
É exatamente isso, quando será; a decepção, de que forma se dará? Isso não sabemos, mas que ela virá, virá.
Creio que são tantas as quedas, tantas as frustrações acumuladas ao longo da vida que, internamente, temos a certeza de que não conseguiremos, em qualquer campo, em qualquer área, com qualquer pessoa. Não sei se isso é possível, mas imagino que temos tamanha certeza de que falharemos, que falhamos. E acabamos cumprindo a expectativa que tínhamos em relação a nós mesmos e muitas vezes cumprimos a expectativa das pessoas que nos cercam, aquelas próximas que nos conhecem bem o bastante pra dizer: eu sabia! Eu tinha certeza!

A Síndrome de Blade Runner

Insegurança, medo, inferioridade, auto sabotagem? Uma soma de tudo isso?
A sucessão de derrotas constroem o derrotado profissional.
Mesmo nos melhores momentos, naqueles em que beiramos o êxtase, sempre tem um certo frio na barriga, um certo receio de que vai dar errado.
Lembrei-me de um filme que adoro: Blade Runner. Nele, num futuro distante, uma mega empresa criava androides em tudo semelhante aos seres humanos,só que, ao nascer eles já sabiam a data de sua morte. Imagine se você soubesse que morreria aos quarenta anos. Qual o sentimento experimentado no aniversário de trinta e nove anos? Os últimos doze meses de vida...
A tônica do filme é a revolta de um grupo de androides contra a empresa, pelo fim daquela vida com data de validade.
Claro, são coisas incomparáveis, mas lembrei -me do filme ao recordar-me desse sentimento de que o desastre é inevitável e iminente e que não há nada que possa impedi-lo de acontecer.
Mas como no filme, também podemos nos revoltar, podemos não concordar com esse sentimento que teima em se concretizar em nossas vidas. Nossa revolta é o tratamento, nossa arma é auto conhecimento, o conhecimento do TDAH e a eterna vigilância. 

​O Fascínio pela Tragédia

Muitas vezes não conseguiremos impedir o sentimento de que falharemos mais adiante, mas poderemos reconhecer nesse sentimento nosso auto sabotador, poderemos reconhecer que o caminho pelo qual optamos já nos levou à derrocada em momentos anteriores, e corrigir o rumo.
Sei que é muito fácil falar em corrigir o rumo. Sei tanto quanto todos os que me lêem, que não é nada simples corrigir o rumo da caminhada em direção ao fracasso. A tragédia exerce um fascínio sobre nossas personalidades. Antever o desfecho, ao contrário de frear nosso ímpeto pode resultar num efeito oposto, a aceleração da velocidade rumo ao desastre.
Em muitos momentos ficamos tal e qual o pequeno animal que se depara com a serpente gigante que o escolheu como refeição; absolutamente fascinados e paralisados diante do algoz.

A Luta Contra o Algoz 

Precisamos lutar, precisamos dizer não. Hoje temos a plena consciência de que o fascínio, a atração pela tragédia nada mais é do que uma das milhares de facetas do TDAH.
Esse transtorno tem livre trânsito em nossas mentes quando não os conhecemos, a partir do momento em que nos tratamos estamos esperando seus comportamentos sórdidos, esquivos e destrutivos.
E podermos agir em nosso benefício é ainda mais fascinante do que qualquer tragédia.


Se você sente que o tempo também é um inimigo nessa caminhada, leia também: O TDAH e o Tempo


Para entender as raízes emocionais do TDAH e buscar suporte especializado, consulte a ABDA:Associação Brasileira do Déficit de Atenção 



Comentários

  1. O medo de não cumprir com as expectativas que a outra pessoa deposita na gente sempre fez parte da minha vida. Mas agora sei que como você disse são facetas do TDAH. E tentar deixa-lo de lado é oque eu estou praticando aos poucos. ótimo texto.

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  2. Oi Evandro. Pois é cara, acho que tomamos tanto na cabeça que ficamos de miolo mole.rsrsrs
    Os fracassos acumulados desde a infância geram o medo, que gera uma paralisia, que gera novo fracasso. Acho que é algo desse gênero.
    Um abraço
    Alexandre

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  3. Obrigada pelo blog e pelo texto. Acabei de descobrir que nao sou doida e nem a unica que sofre assim. Tenho TDAH mas nunca havia relacionado isso com meu "fascinio" pelo fracasso. Consciente disso, tentarei contornar a situacao quando ela surgir.
    Grande abraco e voltarei mais!
    Carol.

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    Respostas
    1. Oi, Carol!
      Obrigado a você pelo seu comentário.
      Esse diabo desse transtorno quase nos deixa doidos, realmente.
      Mas não desista, Carol. Se vc não se trata, procure ajuda médica, melhoramos muito sob tratamento.
      Um abraço
      Alexandre

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