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65 ANOS DE SOLIDÃO: A SAGA DO ETERNO RECOMEÇO

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Diante do pelotão de fuzilamento de minha consciência, eu me recordo do dia em que experimentei o fracasso. O fracasso é gelado, cinza, indiferente, mas houve um tempo em que ele, como outros sentimentos, precisava ser nomeado. Hoje não mais; hoje o fracasso é facilmente sentido e reconhecido. 65 anos em busca de uma felicidade que apenas retornou dor e solidão. Sucessivas explosões de fúria, tempestades intensas de pensamentos intrusivos e autodestrutivos e o eterno recomeçar. A solidão do recomeço. O recomeçar na dor do arrependimento, o recomeçar no autoflagelo da culpa, o recomeçar na aridez das incertezas. E o tempo passa. As tentativas falham. A culpa aumenta. E a dor não cessa. Em alguns momentos, a vida parece próspera, beirando a felicidade. O tempo fecha. A chuva chega — fria, implacável, intermitente, interminável. Aqueles dias de sol e brisa fresca já são distantes, substituídos por mofo e bolor que precisam ser eliminados imediatamente. Na ânsia de eliminar o bolor e o mof...

O CANSAÇO INVISÍVEL DO TDAH: POR QUE O ISOLAMENTO SE TORNA UM REFÚGIO

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O Esgotamento da Performance Social Em conversa com a leitora do blog, amiga querida e irmã de TDAH, Emily, ela me disse uma frase marcante: "É por isso que hoje eu ando mais isolada , pq as minhas batalhas internas já me cansam o bastante pra estar travando batalha com outras pessoas. " Na hora eu disse a ela: isso dá um post. Vamos a ele... A mídia fez o desfavor de reduzir o TDAH à falhas de memória, desatenção e correlatos. A quase totalidade dos novos leitores desse blog se surpreendem com a quantidade e complexidade do que passamos por causa do TDAH.  Qualquer relacionamento com pessoas, desde os mais superficiais, exige atenção, disponibilidade, paciência... E isso gera desgaste. As pessoas cobram atenção, cobram presença, exigem isso e aquilo. Quando você já tem um histórico de lutas internas para controlar a impulsividade, a desatenção, a insegurança, o sentimento de inferioridade, o desânimo, a procrastinação, a insatisfação constante... Qualquer cobrança, qualquer ...

12 SINTOMAS DO TDAH EM ADULTOS: Conheça a versão de quem vivencia

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  Nota de Atualização 2026: Este post é uma versão condensada de uma publicação que fiz em 2011, o post original é mais extenso, com mais exemplos e digressões. Caso você queira ler o texto completo ou alguns dos mais de 350 comentários que este post gerou clique aqui :  12 Sintomas do TDAH em Adultos

O TDAH QUE PEDE AJUDA: A VERDADE NOS RELACIONAMENTOS

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  A Jornada Solitária Em geral agimos sozinhos. Pelo próprio rótulo que acompanha o TDAH, a maioria de nós, portadores do transtorno, luta sozinho e em silêncio contra os nefastos sintomas da doença. O maior problema disso é que, ao contrário de muitas doenças, os efeitos do TDAH afetam diretamente todos os que nos cercam e enormemente a família .  Através do blog conheci um amigo de TDAH que se auto denominava Peregrino TDAH. Ele escrevia um blog excelente chamado Jornal TDAH. Peregrino conheceu uma moça, apaixonaram-se e ele me confidenciou que jamais contaria a ela sua condição. Abandonou o blog e mergulhou nesse relacionamento. Nunca mais tive notícias dele e, espero, que esteja tudo bem. Mas acho difícil. Muito difícil. Controlar-se sem medicamento e sem apoio é uma tarefa insana . A Verdade ou os Rótulos   Como esconder por anos a fio a desatenção patológica, a impulsividade crônica, a dificuldade de lidar com o dinheiro, a desorganização... Pensando seriamente, nã...

TDAH NO TRABALHO: Os Riscos de Revelar o Diagnóstico na Era da Produtividade

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O Império do Útil e o Fim da Sensibilidade Vivemos a era da utilidade. Tudo deve ser útil e utilizável. Inclusive pessoas e sentimentos.  Já tivemos uma das melhores publicidades do mundo, ganhamos prêmios com propagandas icônicas e sensíveis. Hoje a propaganda é simplória e superficial: isso custa tanto em tantas parcelas. As listas de melhores livros é deprimente: nos primeiros lugares estão livros de colorir ou autoajuda, literatura, quando está entre os dez mais vendidos, fica lá no fim. O que isto tem a ver com o TDAH?  Tudo.  Nós, e nossos devaneios, não combinamos com os tempos de utilidade.  Nós, e nossas falhas de memória, não combinamos com o tempo da produtividade.  Nós, e nossa impulsividade, não combinamos com o tempo do massacre aos direitos trabalhistas. O Mito do "Pense Fora da Caixa"  Ahhhh, dirão os candidatos a coach, mas as empresas querem funcionários que pensem fora da caixa. Mentira! As empresas querem e contratam quem obedece cegamen...

TDAH, A VIDA À DERIVA

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Nota de 2026 : Resgatando a essência do blog, hoje quero compartilhar um texto de 2017 que explica por que, por muito tempo, este espaço se chamou "A Vida à Deriva". Mesmo em fase de reconstrução, é preciso olhar para o barco sem remos que todos nós já fomos um dia. O primeiro título que dei ao blog foi esse: A VIDA À DERIVA. Era assim que eu me sentia na época, e é assim que todos nós já nos sentimos em alguns momentos da vida.   Em vários momentos pensei em desistir... Mas como desistir? Não existe essa possibilidade na vida...   Sempre recebo e-mails com esse sentimento. As pessoas se sentem perdidas, sem saber que rumo tomar, ou melhor, que rumo dar à vida. Exatamente como na foto acima, um barco sem remos perdido no meio do nada.   E o que provoca essa sensação?   A sucessão de falhas. Ao descobrir que cometeu o mesmo erro, por desatenção, por inobservância das regras, por não se ater aos detalhes, por não se lembrar de já ter vivenciado situa...

FELIZ ANO VELHO! O TDAH E A ARQUEOLOGIA DA ALMA EM 2026

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O ano mal começou e já começou velho. Algumas decisões já não foram cumpridas, outras foram devidamente procrastinadas. Vem à mente o velho poema do imortal Carlos Drumond de Andrade sobre o Ano Novo: "Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre." É isso, só é novo se nos renovarmos, se fizermos diferente. Serei um homem novo?  Não completamente, claro, mas parcialmente novo? Hoje, 10 de janeiro de 2026, ainda não. As prioridades ainda estão confusas, a vida meio à deriva...  Ressaca das festas? Já não serve mais de desculpa. A vida segue mesmo com as festas, principalmente a vida interior. A arqueologia interior, a escavação da própria alma não pode parar, não deve parar. A vida vivida no automático - pelo menos no nosso caso, TDAHs - acaba em desastre. Como mencionei na metáfora do Navi...