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O TDAH COBRA A CONTA

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Já escrevi, no mínimo, três posts sobre a necessidade de nos perdoarmos dos erros cometidos no passado. Em dezenas de outros posts menciono essa atitude como fundamental para um bom convívio com o TDAH. Mas tem momentos em que isso é muito difícil. Meu primeiro registro na Carteira de Trabalho data de 01/03/1979. Exatamente, trinta e oito anos, três meses e vinte e três dias. Nesse período o Brasil teve nove presidentes - um morto e dois depostos - seis moedas, retomou a democracia e as eleições diretas, ganhou duas copas do mundo, perdeu Ayrton Senna, Elis Regina, Gonzaguinha, Renato Russo, Cazuza... Perdemos o rumo e nossa identidade como povo;  conhecidos como uma população cordial, nos tornamos violentos e intolerantes. O mundo mudou demais em trinta e oito anos; foram quatro papas e infindáveis presidentes e primeiros ministros. Incontáveis guerras e conflitos, muitos deles em nome de Deus. Ou usando-o como desculpa. Tsunamis, vulcões, desastres aéreos... E o onze ...

TDAH: NINGUÉM MANDA EM MIM, NEM EU MESMO...

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Nota do Autor (2026) Escrevi este texto para ilustrar a natureza indomável do cérebro com TDAH. Muitas vezes, a ruptura não é uma escolha consciente, mas uma resposta a um sistema neurológico que satura e explode. Entender essa dinâmica é o primeiro passo para não se tornar refém das próprias reações. A frase original e completa é: "Minha família já sabe, ninguém manda em mim. Nem eu mesma." Essa frase, dita por uma amiga, é um primor de definição do TDAH. Ninguém manda em um TDAH. E não é por arrogância ou rebeldia; somos "dirigidos" por nosso curto-circuito cerebral. Podemos seguir as regras obedientemente por muito tempo. Mas um dia, sem nenhum aviso prévio, aquela regra se torna um acinte. E não a obedecemos mais. Ainda que isso custe um emprego ou um relacionamento, nada impede a ruptura. A Subversão do Comportamento Nosso cérebro subverte nosso comportamento, nossas convicções e nossos sentimentos de uma hora para outra. Para quem não tem o transtorno, isso as...

O TDAH, TEMER E OS DESMEMORIADOS

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Acompanhamos estarrecidos as novidades deploráveis da nossa política. Ninguém é inocente, ninguém é sério, ninguém tem o menor respeito pelo sofrimento de uma população, em sua enorme maioria, sofredora e indefesa. Não sei o que mais me indigna: as delações ou as respostas dos acusados. As delações são bombásticas e gravíssimas, mas as respostas beiram o escárnio. Ou então estamos diante de uma epidemia de TDAH. Talvez seja isso, o maior contingente de TDAHs não tratados do mundo! Claro! Uma de nossas maiores características é justamente o esquecimento, mas um esquecimento tão grave, mas tão grave, que podemos denominar de um 'apagamento'. Não apenas esquecemos o fato, como todo o contexto em que ele ocorreu. Cria-se um hiato em nossa memória como se aquele momento jamais houvesse existido. Isso cria momentos de enorme tensão e briga. Como já fui acusado de tentar enlouquecer a outra pessoa ao negar veementemente haver dito isso, ou aquilo, que afirmavam que eu disser...

TDAH: ONDE ESTÃO MEUS SONHOS? ONDE SE ESCONDE QUEM VOCÊ QUERIA SER?

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Nota de Atualização 2026: Geralmente  é difícil levar os sonhos de adolescente para a vida adulta. Se esse sonho é permeado pelo TDAH, tudo se complica. Uma trajetória de dispersão e descontrole.  Compreendendo o Pesadelo Quem se esconde sob as diversas camadas de TDAH?    Ainda resta algo do adolescente sonhador? Ou foi sepultado pela vida e pelo transtorno? Onde mora o idealista que sonhava em fazer teatro popular?    Quando criança, uns quatro ou cinco anos, eu tinha um sonho recorrente : estava deitado em um buraco e rolos de cobertor vinham me cobrindo a partir dos pés, paulatinamente, até me cobrirem a cabeça e eu acordar assustado. Precisei tomar remédio para dormir - um tal de  Mogadon , se não me falha a memória - e interromper esses pesadelos. Se eu pudesse prever o futuro não tomaria esse remédio. Eu tinha sonhos premonitórios. Ou extremamente alegóricos com o futuro. Se trocarmos os cobertores pelas besteiras da vida,...

TDAH E O FIM DOS RELACIONAMENTOS: POR QUE MATAMOS O FUTURO ?

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Nota de 2026 : Recebi o e-mail da "K" há alguns anos, mas as "Ks" e os "Alexandres" continuam surgindo. No TDAH, o medo da rejeição é tão visceral que preferimos implodir o castelo do que esperar que alguém nos peça para sair. Se você vive terminando o que mal começou, ou se sente um "vazio frio" após longos anos, este texto é um espelho necessário.   TDAH: O Fim dos Relacionamentos e a Autossabotagem Após sermos diagnosticados portadores de TDAH, tendemos a botar na conta do transtorno todos os nossos problemas, falhas e idiossincrasias. Isso é normal; às vezes por ainda conhecermos pouco o TDAH, noutras por que é melhor para as nossas consciências culparmos uma doença e não nosso caráter.    Em diversas ocasiões o que teremos é uma soma de tudo.    O Mistério do Luto Seletivo E aí recebo um e-mail de K que afirma estar desconfortável com suas reações ao fim de relacionamentos rompidos por iniciativa dela. Antigos e dura...

O TDAH NO DIA DA MULHER

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O post de hoje tem tripla inspiração. Partindo de três mulheres diferentes, como são diferentes os locais onde vivem; Chapada Diamantina, Região Serrana do Rio e Londres... De Londres vem a música de Adele num show maravilhoso no Canal Bis. Da Chapada Diamantina vem a luta de Emily contra o TDAH. Marido, filhos e todos os erros e inconstâncias do TDAH. Inúmeras tentativas infutíferas em vários negócios diferentes foram minando sua auto estima. Enchendo-a de insegurança e medo. Mas TDAH jamais desiste. E se mulher, aí que não desiste mesmo. Pois bem, Emily montou o Vitrola, uma hamburgueria gourmet. E se descobriu! Hoje, via WhatsApp, ela comentava: sou capaz de montar 40 hambúrgueres sem errar nenhum. Isso, para um TDAH é como ganhar na mega sena da virada! O nome disso é motivação! TDAH motivado é sinônimo de produtividade, perfeição, criatividade à flor da pele; resultado! A chave é: Motive-se! Faça o que ama! Da Região Serrana saiu todo esse post. Confesso que estav...

TDAH E O PASSADO PERDIDO

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Questionado pela amiga TDAH, Letícia, sobre como lido com meu passado, e se acho meu passado perdido; acabei por voltar a esse tema que já abordei aqui no blog mais de uma vez.    Minha resposta a ela foi: Não lido. Nem penso nisso.    Claro, já se vão seis anos de diagnóstico e muito água correu sob a ponte. Até pela idade - tenho 56 anos -  fui ficando mais tranquilo e menos angustiado.    Após o diagnóstico passei por algumas fases:   Alívio : Eu estava numa fase muito difícil da minha vida e vinha me questionando de forma dura e implacável. Saber que grande parte do meu comportamento era fruto de uma doença me deu enorme alívio.    Revisão do passado : Acho que quase todo mundo passa por isso. É quase um julgamento das atitudes passadas. Muita gente se condena sem piedade. Eu, ao contrário, coloquei quase tudo na conta do TDAH. E isso levou-me ao estágio seguinte.    Auto perdão : P...