UM TDAH À BEIRA DO ABISMO
O abismo me chama! Lá do fundo um som doce parece murmurar meu nome. Daqui de cima parece macio, parece azul... Seria água? Um salto na água azul é convidativo, quase sedutor. A carícia da água gelada, o vento por todo o corpo na queda que precede o mergulho. Como é belo o abismo. Dou um passo atrás. Viro-me de costas e tento me lembrar de como eram as imagens dos abismos anteriores. Imagens desconexas povoam minha mente, um desfile de escarpas e azuis dos mais variados tons. Então todos se parecem... Todos são sedutores. Volto inúmeras vezes à beira do abismo. Mas já não tenho a coragem de antes para saltar lá embaixo. Algo me prende, me mantém preso às margens daquele precipício. Aos poucos minha visão se acostuma com a altura e consigo divisar as rochas pontiagudas lá embaixo. Já conheço esse abismo; já senti suas dores; já deixei parte do meu sangue (e dos meus sonhos) lá em seu fundo. Num misto de tristeza e alegria decido me afastar. Lentamente deixo o abismo p...