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LEMBRANÇAS HIPERATIVAS

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Hoje pela manhã, eu e meu pai observávamos um menino se divertindo com bolinhas de sabão. Meu pai comentou gostar muito dessa brincadeira, e realmente é muito legal, é bonita, voa, faz piruetas ao vento, é colorida, enfim... Aquela cena remeteu-me à minha infância; no distante ano de 1969 - se não me engano - meus pais acharam por bem alugar uma casa com quintal para que os filhos tivéssemos mais liberdade para aproveitar a infância. A casa tinha um ótimo quintal, com galinheiro, canteiro de verduras, algumas plantas ornamentais e um mamoeiro. O mamoeiro, aliás, era uma das meninas dos olhos da proprietária da casa. Somente na minha adolescência soube que quando alugou a casa, a senhora recomendou cuidado com o mamoeiro cujos frutos eram verdadeiros favos de mel de tão doce. Recém chegado à casa, eu adorava aquele quintal e explorava-o com um fascínio inesgotável. Certo dia eu e um amigo decidimos fazer bolhas de sabão. Improvisamos alguns canudinhos mas nenhum deles era efi...

O TDAH E AS FALSAS AMIZADES

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É impressionante a quantidade de emails e comentários que recebo de adolescentes reclamando do isolamento, do retraimento e da dificuldade de fazer e manter as amizades, e mais ainda, conseguir namoradas ou namorados. Mais do que na idade adulta, ser aceito pelo grupo é fundamental para os adolescentes. E a adolescência é um período muito cruel na vida de todos nós. É comum que o grupo realce as piores características de seus membros; seja a orelha de abano, o andar engraçado, a gagueira, ou o TDAH. No nosso caso, o complexo de inferioridade torna essas gozações mais doloridas e humilhantes Os portadores de TDAH reclamam que e os 'amigos' dão cortes e ridicularizam a dificuldade que muitos tem de manter o foco numa conversação. É claro que cada caso é um caso, mas até hoje me perco nas conversas quando existem mais pessoas ao meu redor. Capto facilmente as conversas paralelas e se elas estão mais interessantes do que a conversa do  meu interlocutor, embarco no papo do ...

DE NOVO, O RETRAIMENTO DO TDAH

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Tem sido recorrente no blog os comentários de adolescentes - principalmente homens - que sentem dificuldade de relacionar-se com outras pessoas. Particularmente as meninas. Sabemos que o TDAH tem como uma de suas características o isolamento de seus portadores; focamos em nossos defeitos, em nossas falhas e acabamos nos sentindo inferiores, desqualificados  e insuficientes. O resultado disso é um monte de gente se  retraindo pois teme ser ridicularizado por suas falhas de memória, desatenção e sentimento de inadequação. Em primeiro lugar, tratar-se. O tratamento medicamentoso com suporte de coaching ou psicológico é o caminho mais rápido e eficiente para solucionar esses problemas. Mas existem atitudes que podem melhorar esses sentimentos. Crie estratégias de convivência. Outro dia, numa troca de comentários nesse blog um portador sugeriu a outro que malhasse. Ter um corpo malhado e saudável atrai garotas e acaba virando assunto com os amigos e conhecidos de acad...

AS DERRAPAGENS MENTAIS DE UM TDAH

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Já disse em outros posts que em tudo na vida tenho gostos muito restritos e até mesmo, digamos, muito particulares. Uma desses gostos é o de dirigir ouvindo rádio, mas como gosto de pouquíssimos estilos musicais, as rádios quase nunca me satisfazem ; acabo optando então por ouvir a rádio AM. Quase não tem música, um blá blá blá sem fim, uma falação boba e sem nenhuma utilidade, na maioria das vezes, que não me exige concentração no que dizem (que poderia tirar minha atenção da direção) e me servem de companhia quando estou só. Se entra alguma música indesejada mudo de estação ou desligo por alguns minutos. Hoje aconteceu algo interessante e divertido, estava eu dirigindo e sintonizei a rádio Globo AM e naquele instante era apresentado o programa do Padre Marcelo. Não sou católico e nem tenho nenhuma simpatia especial pelo padre Marcelo, mas na hora em que sintonizei ele falava sobre a história da vida de São Cristóvão e as razões pelas quais ele fora escolhido como o padroei...

O TDAH E O FUTURO QUE PARALISA

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                                * Cena do filme 2001, uma odisseia no espaço; no longínquo ano                                 de 1967 esse filme previa um futuro que jamais aconteceu.                                 Mais um post nasce dos comentários dos leitores do blog. Recebi hoje um comentário de um companheiro de TDAH chamado Bernardo e que se auto intitula um TDAH em crise. Nesse post ele me pergunta se as profissões anteriores que não me motivavam, sofreram a ação da desmotivação do TDAH. Respondi-lhe que não, pois o tratamento não mudou meu sentimento de enfado em relação a essas profissões. Mas o que mais me chamou a atenção nesse post foi uma pergunta que ele me fez: Será daqui a alguns anos vc não vai achar esse serviço atual m...

O TDAH COM BRILHO NOS OLHOS

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Ontem foi um dia atípico; cheguei ao trabalho às 7:30 e saí às 21:00 hs. Meu horário de trabalho  habitual é de 7:30 às 19:00 hs. Aos finais de semana sinto falta do meu trabalho e de meus celulares; acho que isso se chama satisfação. Descobri um trabalho que me motiva e me fascina; a cada defeito desvendado uma vitória; um sentimento real de vitória. As derrotas também são reais e servem como alerta e aprendizado. Há cerca de um ano e meio eu tive uma conversa com a Jaque, uma longa conversa sobre a vida, as experiências e as opções. Lembro-me perfeitamente de comentar com ela que durante minha vida inteira fui vendedor e sempre odiei exercer essa função; mesmo sendo um vendedor excelente Em muitas ocasiões passei dezenas de vezes diante da porta de um cliente até encontrar uma desculpa plausível para não visitá-lo. Foi uma vida inteira de insatisfação e frustração. Acordar pela manhã e encarar o fardo de fazer o que não se gosta, o que se detesta. E todos sabe...

O TDAH, NESSUM DORMA E LES MISERABLES

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Quem tem o hábito de acompanhar os vídeos do Youtube, ou que, como eu, tem uma filha (ou filho) adolescente, certamente já ouviu falar das personagens principais deste post: Paul Potts e Susan Boyle. Ambos participaram de um programa de revelações artísticas nos moldes do Ídolos do Brasil e do American Idol, americano Essa é a versão inglesa desses programas. Paul Potts era um vendedor de celulares no interior da Inglaterra,com quase quarenta anos; de aparência comum, mediocremente vestido, apresentou-se ao juri do programa afirmando cantar ópera; um tipo de música dificílima de cantar pois exige uma potência vocal incomum. Ao ouvi-lo dizer isso, um dos jurados esboça um sorriso de descrença. Logo nos primeiros acordes da ópera 'Nessum Dorma', o público vai ao delírio, Paul Potts é um excelente tenor, um talento oculto num canto qualquer da Grã Bretanha. Potts foi até à final do programa vencendo-a de forma inconteste. Susan Boyle é ainda mais impressionante; aos quarenta...