DE NOVO, O RETRAIMENTO DO TDAH







Tem sido recorrente no blog os comentários de adolescentes - principalmente homens - que sentem dificuldade de relacionar-se com outras pessoas. Particularmente as meninas.
Sabemos que o TDAH tem como uma de suas características o isolamento de seus portadores; focamos em nossos defeitos, em nossas falhas e acabamos nos sentindo inferiores, desqualificados  e insuficientes.
O resultado disso é um monte de gente se  retraindo pois teme ser ridicularizado por suas falhas de memória, desatenção e sentimento de inadequação.
Em primeiro lugar, tratar-se. O tratamento medicamentoso com suporte de coaching ou psicológico é o caminho mais rápido e eficiente para solucionar esses problemas. Mas existem atitudes que podem melhorar esses sentimentos.
Crie estratégias de convivência. Outro dia, numa troca de comentários nesse blog um portador sugeriu a outro que malhasse. Ter um corpo malhado e saudável atrai garotas e acaba virando assunto com os amigos e conhecidos de academia e escola. O que você fez para ganhar toda essa massa, qual sua alimentação, qual sua  carga, etc, etc. Você acaba tendo assunto. Outro sugeriu a dança. Dance bem, destaque-se como bom dançarino e você chamará a atenção. Aprofunde-se sobre um assunto que você goste, música por exemplo, vai fazer teatro, aprender street dance, seja um ás do vídeo game, diferencie-se e chame a atenção sobre si.
Outra coisa importante, se seus amigos não te aceitam como você é ou gozam a sua cara por seus lapsos de memória, troque de amigos. Mude de tribo. Lembrei-me agora de um caso extremo mas bastante ilustrativo; tenho uma prima com uma séria deficiência auditiva. Por mais de 30 anos ela  viveu semi reclusa, convivendo quase que exclusivamente com a família. Sei lá por que, ela resolveu fazer um curso de Libra ( aquela linguagem de sinais). Esse curso mudou sua vida. Ali ela conheceu várias pessoas com deficiências semelhantes, mas que levavam vidas completamente diferentes, com muito mais perspectivas e prazer. Isso tem uns oito ou dez anos. Hoje ela trabalha, namora, viaja com os amigos; nasceu pra vida. Eu nunca imaginei que existissem empregos para quem tem deficiência auditiva, ela trabalha numa malharia numa área com muito ruído, só com pessoas deficientes auditivas. Pois é, há mercado pra tudo nesse mundo.
Não podemos simplesmente abaixar a cabeça e deixar o TDAH tomar conta da gente.
Pense se seus amigos, são mesmo seus amigos.
Pense se você só é isso mesmo que você enxerga.
O principal é tratar-se, amar-se e querer mudar sua vida.
Quando eu leio um comentário no meu blog eu fico feliz: essa pessoa está procurando um caminho, está se enxergando. Isso é uma luz no fim do túnel, penso eu.
Foi assim que comecei, pesquisando, aprendendo sobre o TDAH. Mas fui atrás de ajuda, procurei a Dra. Valéria Modesto que me ministrou a ritalina e apresentou-me ao coaching, através da Luciana Fiel e elas mudaram minha vida.
Procure ajuda, médica, psicológica, amiga, fraterna, você vai descobrir que não está só. Somos muitos, muito intensos, muito criativos e podemos ser grandes amigos, amantes e parceiros. Basta que queiramos.





PS.: Atenção, ficar sarado é fazer exercícios, malhar, suar a camisa.  Se você optar por tomar bomba, pode ser que muito rápido você esteja rodeado de gente; em seu velório. Nós TDAH temos o péssimo hábito de querer tudo pra ontem e pelo caminho mais fácil.

Comentários

  1. Ainda não achei a solução para me dar bem com relacionamentos...mas ter a certeza de que amigos e família faz a diferença, aah, isso siim...
    Espero um dia poder gostar por simplesmente gostar de alguém...

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  2. Oi, Avoada, obrigado por seus comentários.
    Minha reclusão tem aumentado com minha nova profissão. Antes eu ficava na dianteira de uma empresa que chegou a ter 30 funcionários; hoje não, me recolho em minha sala onde 'viajo' naqueles aparelhos e nessa empresa eu correspondo a 50% dos funcionários. Meu universo foi drasticamente reduzido. E eu adorei, kkkk.
    Beijos
    Alexandre

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  3. Wal, obrigado pelo 'garoto' adorei. kkkkkk
    Adorei ainda mais sua volta ao consultório, parabéns a vc e à Valéria por isso.
    Bjs
    Alexandre

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  4. Oi, amigo. Não sei se fui muito sensível, creio que fui muito suscetível. Tudo me ofendia ou chateava, eu ficava magoado, entristecido. Com o tempo isso foi melhorando. Quanto a ser humilde, eu também sou e sempre tratei a todos igualmente, acho isso uma virtude. Claro, como todo comportamento tem quem não goste, mas sinceramente, eu pouco me importo com quem não gosta dos meus comportamentos.
    Na verdade eu sempre gostei de ser diferente, até hoje adoro andar na contramão, sinto-me bem nadando contra a correnteza. Como dizia Nélson Rodrigues a unanimidade é burra. Assuma sua diferença e corte de suas amizades quem não te entende.
    Um abraço
    Alexandre

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  5. Meu amigo, é muito difícil opinar quando existe família envolvida. Não sei sua idade e que tipo de relacionamento você tem com seus pais, mas se você encontrou meu blog é por que procura e quer ajuda. Acho que a melhor solução é sentar com seus pais e ter uma conversa franca e aberta sobre seu real prejuízo sem o medicamento. Tente mostrar esse e outros blogs sobre o assunto, quem sabe eles enxergando o que passamos, passem a entender melhor sua necessidade de tratamento.
    Agora, se você já está na adolescência, já pode até votar, levante-se e procure você mesmo o médico que antes lhe dava as receitas da ritinha. Assuma o comando de sua vida e surpreenda seus pais.
    Um grande abraço
    Alexandre

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