TDAH, QUEDA E ASCENSÃO

                                               
Homem caminhando perdido em uma névoa densa simbolizando a confusão mental causada pelo TDAH e a perda de direção durante recaídas no tratamento.
A névoa do TDAH: quando a mente perde o rumo

                                

Nota do Autor (2026)Este texto é um retrato fiel de como o TDAH nos prega peças. Na época, a euforia de construir cada móvel da minha loja era o combustível que me mantinha de pé. Hoje, olho para trás com a maturidade de quem sabe que a loja fechou. O fechamento não apaga a vitória da execução, mas ensina que o nosso maior desafio não é o "renascer das cinzas", mas sim o sustentar do fogo no dia a dia cinzento da rotina. Sigo aprendendo que a Fênix precisa, acima de tudo, de estratégia para não precisar queimar-se tantas vezes.



É como uma névoa que chega lentamente e vai se adensando pouco a pouco. A lentidão do processo causa a falsa impressão de adaptação visual. E, de repente, perdemos o rumo da vida...

Caminhando em meio à densa névoa, trombamos nos obstáculos, pegamos o caminho errado, perdemos a direção e o sentido; perdemos a noção. E, em meio a essa desorientação, é que a ficha cai: a névoa é o TDAH que tolda a visão e faz perder o rumo. Mais uma vez, somos vítimas da autossabotagem.        A vida entrara nos trilhos, o remédio fazia seu efeito, a vigilância mantinha a mente alerta e o autoconhecimento era a bússola perfeita.

A Armadilha da Estabilidade

Mas o ardiloso TDAH jamais dorme. Em silêncio, começa a enviar pensamentos falso-positivos para que essa tranquilidade, criada pelo tratamento, pareça definitiva e solidificada.

A consequência é o relaxamento no autoconhecimento, a redução da vigilância e o consequente esquecimento do remédio. Primeiro, esquecemos por um dia; retomamos a rotina apenas para esquecer novamente, agora por mais dias. A percepção enganosa de que "nada muda" sem a medicação reforça a autossabotagem.

O Retorno das Falhas e o Efeito Fênix

As falhas mais primárias — aquelas que originaram a busca de ajuda médica — ressurgem de forma avassaladora. As primeiras falhas encontram-nos atordoados e perplexos. Acreditamos que o erro não se repetirá, que foi um caso fortuito, e nada fazemos para corrigir. Somente a sucessão de equívocos e suas nefastas consequências servem de alerta para o desvio de rumo.

Nesse momento, entra a melhor (e a pior) qualidade do TDAH: o "efeito Fênix", ou a inesgotável capacidade de renascer. Sem traumas, sem drama, como Sísifo na mitologia grega, voltamos a empurrar a rocha morro acima.

E aí reside o perigo: a facilidade de reerguermo-nos nem sempre permite que aprendamos com os erros que originaram a última queda. Por isso, muitas vezes, caímos e incorremos nos mesmos deslizes.

A Doce Vitória do Recomeço

Cheguei a esse ponto: depois de anos de tratamento, relaxei e "caí do cavalo". Nada de novo para um TDAH, mas com um amargo sabor de derrota.

Derrota? Como derrota? Na próxima semana, inauguro minha loja. Todo o mobiliário foi feito ou reciclado por mim. Toda a montagem foi feita por mim, absolutamente sozinho. Com certeza, se tivesse comprado pronto, ficaria mais "profissional". Mas jamais teria esse doce sabor de vitória.

Ao infinito e além!


Leia Também



Para entender mais sobre a importância da adesão contínua ao tratamento e evitar recaídas, acesse as diretrizes da ABDA : Associação Brasileira do Déficit de Atenção


FAQ (Perguntas Frequentes)

Por que pessoas com TDAH costumam abandonar o tratamento quando estão bem? 

Isso ocorre devido à dificuldade de manter a vigilância a longo prazo e à falsa percepção de que os sintomas desapareceram permanentemente, o que leva ao relaxamento do autoconhecimento.

O que é o "Efeito Fênix" mencionado no texto? 

É a resiliência característica de muitos portadores, que conseguem recomeçar projetos e vidas do zero após grandes crises, embora o desafio seja aprender com as causas da queda anterior.





























Comentários

  1. Meus parabéns e sucesso sempre!

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  2. Amei seu blog.
    Descobri (tive o diagnóstico) do TDAH esse anos, já com 35 anos. Li alguns dos seus textos e me vi!
    Obrigada e espero que continue a nos brindar com essas leituras perfeitas sobre o que é ter TDAH.
    Ah e parabéns pela loja!!

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