O TDAH E A TRISTEZA ARTIFICIAL: COMO VENCER O DESÂNIMO REPENTINO


Pessoa caminhando de uma rua cinza e nublada para uma calçada ensolarada e vibrante, simbolizando a superação do torpor do TDAH.
A tristeza artificial que domina o TDAH pode, e deve, ser combatida. 





Nota de Atualização (2026)

​A ciência confirmou o que este texto já apontava: a desregulação emocional é um dos pilares mais impactantes do TDAH em adultos. Hoje, além do "samba-tratamento", temos tecnologias de biofeedback que ajudam a monitorar esses estados de torpor em tempo real. Mas a técnica do autor — o questionamento lógico e o autoconhecimento — continua sendo a ferramenta de "baixo custo" mais poderosa que possuímos.






Ela vem silenciosa e repentinamente. Os primeiros sintomas são os membros pesados. Um tipo de fraqueza muscular se apossa de nós, de forma que os gestos mais banais parecem um enorme esforço. A vida se torna uma inimiga cinza, densa e pesada. Até as pálpebras pesam. Tudo parece maior e mais difícil de se realizar.
​Esse torpor, esse desânimo, essa sensação de ter sido derrotado pela vida instala-se a partir do nada. Uma frase desconexa, uma lembrança, uma falha... Não existe um gatilho específico. Apenas algo desperta aquela sombra densa que recobre, repentinamente, nossas vidas. E o mais estranho é que, do mesmo jeito que surge, desaparece sem deixar vestígios. De um momento para o outro, aquela sensação de que você é o pior ser humano da terra desaparece. Sim, DESAPARECE. E você não sabe como.

A Melancolia e o TDAH

​Escrevendo esse texto, lembrei-me de ter essas crises de "melancolia" na adolescência, e que passavam misteriosamente ao som de um samba de João Bosco e Aldir Blanc. Sim, um samba-tratamento. Cheguei a tomar remédio por isso. Inutilmente, diga-se de passagem.
​Depois que descobri que fazia parte do pacote do TDAH, resolvi mudar minha convivência com esse torpor. Passei a reconhecê-lo e confrontá-lo. Por isso é tão importante o autoconhecimento. Você, de tanto prestar atenção ao seu próprio comportamento, começa a reconhecer onde termina sua personalidade e onde começa o TDAH. E aí você pode combatê-lo.

A Fase de Combate: Como Enfrentar o Torpor 

​E foi o que fiz. E faço. Basta que eu comece a sentir o gosto da derrota na boca, a semiparalisia do sentimento de inferioridade, que eu começo a me questionar: aconteceu algo objetivo para me deixar nesse estado? Se não aconteceu — o que é verdade na enorme maioria dos casos — eu entro na fase dois: o combate.
​Procuro pensar em coisas boas que eu tenha feito, músicas, coisas que li e gostei. Parece simples, mas funciona como um milagre. Esse estado é um estado artificial, imotivado; não é seu, é do transtorno. E ele desaparece, como por encanto. Claro, existem momentos concretos provocados por problemas reais, mas são a minoria.
​O que eu faço é baseado em dois pilares:

​Autoconhecimento: A cada reação, a cada sentimento, a cada decisão, pense e analise aquilo que viveu. Se você se informou sobre o TDAH, vai começar a reconhecer como ele age na sua vida.

​Enfrentamento: Tentar mudar aquele comportamento influenciado pelo transtorno. Não vai ser fácil, nem sempre vai funcionar, mas vai ser possível.
​Se não der certo hoje, vai dar amanhã ou depois. Só não pode é desistir.
O TDAH que nos derruba é o mesmo que nos dá força para nos reerguer mos. 


Leia Também:

​Sou TDAH, e daí?: O impacto do diagnóstico e a importância do autoperdão.

O Luto do Diagnóstico Tardio: Como lidar com o passado após descobrir o TDAH na vida adulta.



 O TDAH pode vir acompanhado de comorbidades como a depressão. Para entender a diferença entre sintomas isolados e quadros clínicos, consulte a ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção

​FAQ - Perguntas Frequentes

1. O que é a tristeza artificial no TDAH?

É uma oscilação brusca de humor, sem causa externa aparente, que gera desânimo e sensação de derrota. É causada pela desregulação química do cérebro neurodivergente.

2. Como diferenciar tristeza comum de sintoma de TDAH?

A tristeza do TDAH costuma surgir do nada e desaparecer com a mesma rapidez, enquanto a tristeza comum geralmente tem um motivo real e um tempo de processamento mais longo.

​3. O autoconhecimento ajuda no tratamento?

Sim. Identificar que o sentimento é "artificial" permite que a pessoa não se identifique com a dor, facilitando o enfrentamento e diminuindo a culpa.




















Comentários

  1. É o ADHD blues. Nosso velho conhecido. A falta de dopamina derruba os nossos outros transmissores e uma névoa pesada e cinzenta se instala na nossa mente e na nossa vida. Eu o processo mais ou menos como você, confrontando-o com fatos, coisas boas e vitórias indubitáveis minhas, mais um pouco de descanso para tentar refazer os neurotransmissores, esses danadinhos que nos abandonam sem razão.

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  2. Tb me identifiquei, como com quase todos os artigos. Pena que os médicos associam de imediato esses sintomas à depressão. Nenhum me dá importância qnd digo que suspeito de TDA.

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