PENSANDO COMO UM TDAH: O QUE SÃO AS FUNÇÕES EXECUTIVAS NA PRÁTICA
O diabo desta vida é que entre cem caminhos temos que escolher apenas um, e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove.
Fernando Sabino
Li com muito interesse um texto sugerido pelo leitor Walter Nascimento sobre as dificuldades do TDAH com as funções executivas. Preciso e cirúrgico, o texto aponta essas 'disfunções executivas' como o cerne do TDAH, no que eu concordo plenamente.
Ao discorrer sobre cada uma dessas disfunções, o texto mostra ter sido escrito por um não TDAH ao incorrer num erro primário: não pensar como um TDAH.
Vamos direto ao ponto:
O MITO DA INIBIÇÃO NO TDAH E A IMPULSIVIDADE COGNITIVA
INIBIÇÃO: aqui abordada como contraponto à impulsividade, a inibição é aquilo que faria com que pensássemos antes de agir. E essa é, na minha opinião, a falha do texto.
Os portadores de TDAH pensam antes de agir, sim. Só não sabemos qual caminho seguir.
Eu sou uma pessoa até mesmo lenta para me decidir, peso mil vezes, analiso cada caminho, e sigo o errado.
Por quê?
Por que, na verdade, minha mente já escolheu um caminho e todas as outras opções - ainda que mais racionais e inteligentes - passam a ser cinzentas, esquisitas e inexequíveis.
COMO A MENTE TDAH DISTORCE O RACIOCÍNIO LÓGICO
É falso acreditar que não pensamos antes de agir.
Pensamos, mas nossa capacidade de raciocínio é toldada pelo nosso desejo; isso faz com que nossas opções sejam incompletas ou que deixemos de considerar todas as possíveis.
Depois que tudo deu errado, que nada (ou quase nada) pode ser feito, surgem novas ideias, enxerga-se novas alternativas. Mas aí, é tarde demais...
Somos passionais no sentido nelsonrodriguiano da palavra. Nelson Rodrigues dizia que: " Sem paixão não dá nem pra chupar um picolé".
Pois é, somos assim. Não existe um meio termo na mente de um TDAH; não somos imparciais nem com a gente mesmo. Burlamos a nós mesmos, enganamos o bom senso e o equilíbrio em prol daquilo que nossa mente quer.
DISFUNÇÕES EXECUTIVAS E A DISTORÇÃO DA REALIDADE
Já distorci dados pra mim mesmo para que tomasse o caminho previamente escolhido. Como assim? Simples, minha mente desqualificou dados ou informações importantes para que eu seguisse o caminho que queria.
Por exemplo: essa informação é inútil; isso aqui, depois de implantado vai acontecer; a pessoa vai entender o que eu queria depois de pronto...
Mas não! Desconsiderei fatos e variáveis importantes; ignorei o óbvio. E me dei mal.
Não pensei? Pensei sim, de maneira desfigurada, de maneira passional, mas pensei.
Novamente parafraseando Nelson Rodrigues: "E podem me dizer que os fatos provam o contrário, que eu vos respondo: pior para os fatos".
Sim, consciente ou inconscientemente, só fiz o que quis. E pensei muito antes de fazê-lo.
Pena que na maioria das vezes me dei mal.
Se você busca suporte especializado e informações científicas sobre o transtorno, consulte a Associação Brasileira do Déficit de Atenção.

Alexandre,
ResponderExcluirTem um filme muito famoso e que eu já assistir diversas vezes chamado ¨Perfume de Mulher¨. Neste filme, Al Pacino faz um militar que somente fez besteiras pela vida, sendo rebaixado no exército, tendo perdido o respeito de todos, inclusive vivendo totalmente desprezado e ignorado pelos seus familiares.
Para você ter idéia, ele faz um papel de um cego que perdeu a visão fazendo malabarismo com granadas.
Pois bem, no filme ele diz uma frase que eu sempre repetia, pois parecia o ¨Filme da minha vida¨:
¨... Eu enfrentei encruzilhadas na minha vida. Sempre soube qual era o caminho certo a seguir. Sem exceção, eu sabia. Mas nunca o segui. Sabem por quê? Por que era difícil demais.¨
Pois é ...
"você só faz/ouve o que quer"
ResponderExcluirodeio ouvir essa frase, mas é a frase que mais ouço.
quando estou indecisa, penso muito, até demais antes de agir. O que mais quero é fazer o que é justo, mas o que acabo fazendo, na prática, é satisfazer algum capricho meu do momento.
Um problema que tenho a vida toda: o conflito entre fazer "o certo" e fazer "o que eu quero". Enquanto as pessoas conseguem facilmente renunciar aos impulsos e decidir pelo certo, pra mim, sempre foi difícil.
ExcluirPrefiro comida gostosa que me faz mal do que comida saudável, prefiro me divertir demais do que cumprir deveres, entro em cursos e não quero mais ir, tenho tiques feios, mas não paro com eles. Sempre me dizem pra ter auto-controle, ser racional, e principalmente, me por no lugar do outro antes de agir. Mas não aguento e acabo sempre fazendo tudo o que eu quero no momento, em vez de fazer o que é mais justo e sensato.
Oi Alexandre, tudo bem?
ResponderExcluirNão li esse texto que você comentou, mas nos que já li, o problema não é não pensarmos, mas sim não conseguir inibir a enxurrada de pensamentos, sensações e emoções.
Então, o déficit no controle inibitório do que escolhemos pensar é que nos tira o foco no que de fato queremos pensar ou precisamos; isso faz com que, mesmo sabendo o que deveríamos fazer não fazemos porque não conseguimos conter os estímulos externos e internos.
Não sei se entendi certo, será que algum estímulo atrapalhou? Kkkk
Provavelmente kkkk
Abraços e parabéns sempre por este maravilhoso blog.
André, estou em ¨extase¨, há se todo TDAH pensasse igual a você ...
ResponderExcluirMas, como não posso deixar de palpitar:
1 - AJUSTE DOSAGEM: Sim, sua médica está certa em ir ajustado a dose e, se não conseguir com o VANVENSE, tem sempre o metilfenidato;
2 - DIVULGAÇÃO DO TDAH: Todo portador de uma doença, quando a descobre, tem a tendência de só falar disto e à todo mundo. Pior com o TDAH, que todo mundo avacalha e menospreza. Tem sido regra dos depoimentos que, quando falamos para os amigos e parentes ¨tenho tdah¨ só ouve o que você ouviu, e logo se arrepende e não fala mais. Todo mundo passa por isto.
3 - QUATRO AMIGOS: O4 (quatro) amigos? jura???, você até tem muitos. kkkk. Eu tenho dois: um é real e espírita, que diz que doença TDAH (e todas as outras) é algo que se contrai na vida passada e que chega até nós pelo perispírito. Entendeu? nem eu kkk. O outro é virtual, o Alexandre deste blog, que não conheço pessoalmente mas que quero um bem igual a um irmão por tudo que ele me proporcionou e proporciona por este blog.
Enfim, sua caminhada não será fácil. Longe disto, será muito difícil, mas você está no caminho certo. Tente não abandonar os seus dogmas e continue por aqui.
Grande abraço.
Valter, meu xará,
ResponderExcluirO texto é enorme para um tdah km, eu somente consegui ler o texto todo pois aprendi a usar um programa que lê em voz alta para mim. Quer dizer, na verdade não li, escutei.
Os argumentos que estão lá escritos são interessantes e tendo a concordar com ele, mas não chega à conclusão nenhuma, a não ser uma mudança radical no ensino formal.
Além de difícil acontecer isto, também não vi muita relação com os problemas do TDAH.
Grande abraço.
Oi Anônima,
ResponderExcluirO que você ¨ouviu¨ sobre o TDAH é, na verdade, a nossa realidade. Realidade provocada pela doença que você e eu temos.
A doença do TDAH está, inclusive, na sua frase: ¨Isso sempre "colaborou" para a minha inércia diante de tudo¨, ou seja, é uma frase típica de um TDAH arranjando uma desculpa de não enfrentar a realidade, de encontrar um modo e meio de procrastinar o enfrentamento da doença e se submeter a um tratamento que vai atenuar muitos dos problemas causados pelo TDAH.
TDAH não tem cura, não tem moleza. Mas ele tem tratamento.
Grande abraço.
OBS: Se eu estiver no avião, e uma voz no altofalante disser: ¨... que será pilotado pelo comandante e piloto TDAH, Fulano de Tal ...¨ eu grito: ¨ou mostra o atestado médico que ele está em tratamento ou abra a porta de emergência para eu pular fora.¨ kkkk
Não zangue com os outros não, isto você não controla. Tente controlar você e se trate.
Oi Walter! Mais uma vez, obrigado pelo apoio, e é bom saber que a maioria do pessoal tb foi menosprezado qdo falou ser portador de TDAH para amigos e parentes. Pelo menos isso significa que foi completamente normal o que passei...é mto bom saber o q vcs passam e perceber que compartilhamos das mesmas dificuldades, pois um acaba motivando o outro a seguir em frente.
ResponderExcluirCom relação aos 4 amigos, podemos dizer que apenas 2 são amigoss, e os outros 2 são colegas de trabalho, mas com os quais o contato não passa do ambiente de trabalho. Tb não tenho muitos amigos, e sempre tive dificuldade de fazer amizades.
Amanhã vou dobrar a dose do remédio e vamos ver se sinto alguma melhora....aliás, esse remédio é caro, hein? Os outros tem um preço mais em conta? Mas claro, o que importa é q ajude no tratamento.
Abraço!
André, eu tomo uma combinação de CONCERTA de 36mg com a RITALINA de 10mg.
ResponderExcluirO CONCERTA, logo ao acordar, por volta de 6:00, pois ele é do tipo LA (Longa Ação), ou seja, me leva até às 18:00hs. (Para o trabalho).
A RITALINA, neste horário, de 18:00hs, pois ela funciona por quatro horas e me leva até dez da noite (para a família).
O CONCERTA custa R$ 7,60 por dia e a RITALINA R$ 2,00 por dia, ou seja, gasto R$ 10,00 por dia.
Se vale à pena? claro, pois sem a medicação o prejuízo é fenomenal. Sacrifico tudo antes de cortar a medicação por falta de dinheiro.
OBS: A RITALINA também tem na modalidade LA.
Abraço.
Sem dúvida vale a pena, Walter. A medicacao é pra tratar uma doença, não é um capricho. Pelo gasto diário que vc citou, esses medicamentos acabam saindo um pouco mais em conta do que o Vanvense. O Vanvense com 28 comprimidos de 30mg ta saindo na faixa de R$ 230,00. No entanto, os de 50 e 70 mg são bem mais caros. Mas vamos ver se vou me ajustar à medicação, afinal de contas é isso que importa tb!
ResponderExcluirAbraço
Primeiramente Obrigado por Responder!
ResponderExcluirUm texto muito grande eu li porque tenho interesse por essa pagina, são textos para abrir a mente das pessoas que pensam sempre igual.
TDAH que é TDAH pensa fora da caixinha por isso eu adoro.
A parte do TDAH acho que ele quis fazer uma relação com a falta de vontade dos alunos de aprender com o ensino atual, mas errou feio nessa parte.
Acho que no colegio deviamos ter contato com outras profissões realmente, pois hoje em dia eu estudo programação e la eu não utilizo praticamente nada que aprendi no colegio, vai ver por isso nunca gostei do colegio!
Também Acho que confundi as coisas, o blog aborda coisas sobre tdah. kkkk
Quantas bobagens! Ser tdha é saber levantar a cada queda. Somos focados no que queremos,e temos uma senssibilidade aguçada.
ResponderExcluirAprendemos com os erros e quedas. Mas levantar é fabuloso!
Oi Daniele, eu que te agradeço a atenção e o carinho.
ResponderExcluirUse e abuse desse espaço, ele é seu também. Aqui eu desabafo e divido experiências com todos vocês.
Abração
Alexandre