TDAH: EU NÃO CONSIGO SAIR DE MIM MESMO
O que nos leva, Walter Nascimento, a ficar paralisados num sofá, diante da TV, ou simplesmente inventar um motivo qualquer para não conviver com pessoas de quem gostamos?
E por que, Walter, as pessoas não respeitam nossa vontade de recolhimento? Ao contrário, insistem em nos chamar, em reforçar nosso constrangimento. Sempre tem alguém que se julga especial ou diferente, que acha que seus argumentos farão a diferença; e insistem ainda mais.
Eu não sei com você, amigo Walter, mas comigo, quanto mais insistem, mais eu empaco. Sim, esse é o termo, empacar. Como um burro velho, eu empaco e nada, nem ninguém, me faz mudar de ideia.
Mas por quê? Não sei. Costumo usar a expressão 'preguiça de gente' pra definir essa necessidade de isolamento, essa vontade de não ir a encontro de pessoas que, como você disse em seu comentário, eu posso nutrir um carinho especial. E o pior, Walter, essa inércia não é indolor. De maneira alguma; não ir ao encontro dessas pessoas dói, incomoda, constrange. Mas, não tenho forças pra vencer a inércia. Paralisado, troco o convívio por nada, por ficar diante da TV, ou de um livro, ou por coisas que eu poderia fazer em outro dia ou outra hora. Sinto que preciso sair, encontrar amigos e parentes, mas não vou; mantenho-me, confortavelmente, na minha casa, no meu mundo, naquilo que não me agride, não me testa, nem me contesta. Como um cego, opto por aquele ambiente onde me movimento com facilidade, não esbarro em nada, nem corro nenhum risco.
Paralisado em meu sofá fico a pensar nas desculpas ou nas explicações que terei de dar ao me encontrar com aquelas pessoas. Isso também tortura, mas achar uma boa desculpa é um lenitivo; uma quase vitória. Um quase prazer. Não ir é uma vitória. Não ceder às súplicas das pessoas tem lá o seu sabor.
Mas será só isso?
Será só preguiça?
Só de marcarem um evento qualquer comigo, já começo a imaginar formas de burla-lo. Passo a imaginar uma série de problemas que poderiam surgir para me impedir de comparecer. E aí, querido Walter, soma-se mais um item do TDAH: a incapacidade de lidar com o tempo. Sempre imagino que o tal compromisso está longe, que até lá muita coisa vai acontecer... E o dia do compromisso chegou; eu não providenciei nada para comparecer, nem me preparei pra não ir. E a tortura começa. Vou ou não vou. Em geral não vou. Marco sabendo que não irei. E agora?
Bem, agora é inventar uma desculpa que impeça mais essa pessoa a desistir de mim.

Li e me identifiquei.
ResponderExcluirMuitas vezes torço para que alguém NÃO me convide a um evento social. Fim de ano é uma tortura, pois as festas não terminam nunca...
Tenho vontade de gritar: "Pare o mundo que eu quero descer!"
Eu sempre torço, Cláudia, sempre torço...
ExcluirAlexandre
tive uma colega, há muitos anos, ela tinha muita dificuldade de atenção, esquecimentos, atrasos, vivia tropeçando e derrubando as coisas....ela também fugia de eventos sociais, encontros e até evitava enturmar com os outros. No caso dela, era medo de dar vexame ou atrapalhar algo... ela dizia " Não quero ir... até já sei que vou estragar tudo..." . Eu também já fui assim, evitar encontros por medo de causar confusão. E quando eu tentava participar, parece que quanto mais medo eu tinha de criar algum constrangimento, aí que dava algo errado. Às vezes acho que esse é um dos motivos pra preferir se isolar.
ResponderExcluirFe
Li a reportagem e não achei nenhum absurdo. Sou professora e tenho observado várias crianças serem erroneamente diagnosticadas com tdah por simplesmente serem crianças. Acho que realmente está havendo uma generalização por conta de alguns profissionais que estão receitando ritalina indiscriminadamente. Durante a infância foi muito difícil pra mim conviver com o tdah, dificuldade de concentração, procrastinação, enfim tudo o que nós já sabemos. Não usei medicamentos durante a infância graças a Deus, mesmo com todas as dificuldades foi a melhor coisa, porque eu consegui desenvolver minha criatividade e experimentar todos os prós que um cérebro com tdah pode me oferecer. Acho que se a criança com tdah consegue absorver os conteúdos e manter uma nota razoável, não deve tomar medicação, deixa pra quando for adulto e tiver que encarar problemas de verdade. Com paciência e dedicação dá pra levar a criança sem medicação na boa. Criança levada, criança respondona, criança criativa, até criança inteligente tem sido diagnosticada com tdah, e nós sabemos que tdah é bem mais que isso. L.
ResponderExcluirPreguiça de gente, tenho demais isso, hoje tô com mta preguiça de gente.
ResponderExcluirEu tenho uma amiga há mais de 10 anos, fizemos o ensino médio juntas e eu sempre fui mto ausente apesar de gostar mto dela, ela teve um bebê em agosto e até agora eu ainda não fui visitá-la, Eu gosto mto dela, mas eu sempre invento um monte de desculpas na minha cabeça pra não ir visitá-la. E como eu me sinto com isso? Eu sofro mas não consigo mudar essa atitude.
Estou sem saco, sem paciência pra tudo.Estou cansada de ouvir gente falando, de conversar, de ficar de pé, tem hora que fico sem paciência até pra comer. Essa situação me agonia. Gostaria de sumir, de fugir, sei lá. Mas não porque quero distância das pessoas que amo, não porque não gosto de conversar, mas eu gostaria de fugir de mim, não ouvir minha voz, não me movimentar, enfim, ficar deitada sozinha sem ninguém por perto só respirando, porque isso também não dá pra evitar. Eu acho que muitas das vezes eu não consigo conviver com outras pessoas poque tem hora que eu mesma não quero conviver comigo. Uma vez eu li aqui no blog e assino embaixo "eu não me aceito, apenas me adapto". L
ResponderExcluirOlha, eu acho que adaptar-se é importante, mas aceitar-se é fundamental. Somos TDAH e não foi por escolha, não aceitar-se não nos ajuda em nada.
ExcluirAlexandre
Muito interessante esse post. É bom saber que essa não é uma característica minha, mas do TDAH. Não consigo manter relacionamentos, fujo das pessoas, dos amigos, dos parentes, de todo mundo. Namorar, nem me fale! Passo anos sem estar com alguém, embora sinta muita falta de um companheiro, de preferência parecido comigo.
ResponderExcluirVivo tão ocupada comigo mesma, sempre arrumando eternas desculpas para não aparecer nos aniversários, nos casamentos e em quaisquer outros eventos. Infelizmente as pessoas acabam desistindo de mim, amigos especiais que insistiram tanto e que hoje não me chamam mais para fazer nada, estou mais sozinha do que nunca. Há fases em que estou melhor, mais sociável, tenho mais vontade de sair, mas ultimamente me fechei numa bolha que não tenho mais vontade de ver ninguém. Minha desculpa tem sido o concurso para o qual venho estudando há 1 ano e que está se aproximando. Nesse 1 ano minha vida tem sido dentro da minha toca.
Queria muito passar nesse concurso, mas já estou preocupada com os novos relacionamentos que virão dessa nova vida, não sei se tento começar tudo diferente, tentando ser o mais sociável possível ou se levo a bolha junto quando me mudar de cidade e conhecer novas pessoas. Dúvida cruel. O problema é que geralmente não temos ânimo para tentar mudar isso que nos traz tanta dor, ficamos estáticos enquanto a vida passa.
Sad but true!
É um saco, né Ana? E a sociedade não tem respeito por aquelas pessoas que não querem 'interagir'.
ResponderExcluirAbraços
Alexandre
Interessante essa informação. Isso significa que teremos mais opções à Ritalina?
ResponderExcluirQue sejam bem vindas!
Abração, meu amigo!
Alexandre
PERFEITOOOOO!!
ResponderExcluirChorei... Parece que era eu escrevendo cada linha. Feliz em saber que isso não acontece só comigo. Muito obrigada! Muito obrigada!