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Mostrando postagens de fevereiro, 2013

UM TDAH À BEIRA DO ABISMO

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O abismo me chama! Lá do fundo um som doce parece murmurar meu nome. Daqui de cima parece macio, parece azul... Seria água? Um salto na água azul é convidativo, quase sedutor. A carícia da água gelada, o vento por todo o corpo na queda que precede o mergulho. Como é belo o abismo. Dou um passo atrás. Viro-me de costas e tento me lembrar de como eram as imagens dos abismos anteriores. Imagens desconexas povoam minha mente, um desfile de escarpas e azuis dos mais variados tons. Então todos se parecem... Todos são sedutores. Volto inúmeras vezes à beira do abismo. Mas já não tenho a coragem de antes para saltar lá embaixo. Algo me prende, me mantém preso às margens daquele precipício. Aos poucos minha visão se acostuma com a altura e consigo divisar as rochas pontiagudas lá embaixo. Já conheço esse abismo; já senti suas dores; já deixei parte do meu sangue (e dos meus sonhos) lá em seu fundo. Num misto de tristeza e alegria decido me afastar. Lentamente deixo o abismo p...

O TDAH, DORIAN GRAY E A VELHICE

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Eu sou atemporal! Pode rir, eu nem ligo! Engraçado que é exatamente assim que eu me sinto; quando não estou diante do espelho, esse inimigo implacável da minha ilusão. Mas, longe dele eu não me sinto com idade nenhuma. Na maioria das vezes não sinto a menor diferença de quando tinha 40 ou 30 anos. Obviamente considerando a vida sedentária que levo. Trabalho como um Mouro, desenvolvo uma profissão que aprendi a menos de dois anos, tenho vários planos para o futuro, novos campos profissionais, inclusive, a serem explorados. Não tenho os mais de cinquenta anos que a maioria das pessoas tem nessa idade. Em geral o sujeito está na descendente, meio contando as horas pra aposentadoria, pensando nos netos (que graças a Deus as minhas filhas ainda não me deram, rsrsrs). Aprendi a tocar saxofone aos quarenta e oito anos, me descobri TDAH e criei esse blog aos cinquenta anos, seis meses depois estava aprendendo uma nova profissão; onde está o peso da idade? Gosto de funk, música el...

A VITÓRIA DOS LOUCOS: O MUNDO PRECISA DA OUSADIA DO TDAH

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                                Noite estrelada sobre o Ródano. Vincent Van Gogh,                                  um dos  loucos mais sublimes da história.                               " Nota de Atualização (Dezembro de 2025): Escrevi este texto em 2013, refletindo sobre a coragem que beira a insensatez. Hoje, a neurociência confirma que o cérebro TDAH é programado para a exploração. O que eu chamava de 'loucura' é, na verdade, uma vantagem evolutiva: somos nós que arriscamos o novo quando o mundo estagna. Revisitando este post hoje, reafirmo que o tratamento não serve para nos tornar 'normais', mas para nos dar o leme desse barco que insiste em desbravar oceanos desconhecidos." Conversando com um amigo, autor da escultura que ilustra o...

O TDAH E OS PRESSENTIMENTOS

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Lentamente uma onde de tristeza tomou conta do meu corpo e da minha alma. Nada aconteceu, estou sozinho no meu laboratório trabalhando. O humor que acordou normal afunda numa melancolia inexplicável. De repente o alerta de mensagem no celular. De dentro da minha armadura de tristeza eu salto pra ler o que tinha ali. Era uma bomba! Uma notícia inesperadamente bombástica! Respirei fundo aquietei minha alma e respondi com a dignidade e a frieza absolutamente adequadas para o momento. A resposta que partiu me deu um enorme alívio e o silêncio que se seguiu foi a resposta perfeita para o efeito que eu queria obter. Aos poucos minha alma desanuviou-se e o dia seguiu tranquilo. Quem me conhece sabe que apesar de ser nascido e criado em família espírita eu sou pouquíssimo afeito a sentimentos esotéricos e coisas afins. Mas hoje, essa sequência de fatos que narrei acima, me chamaram a atenção. Parece que meu estado de espírito precedeu ao fato que tomei conhecimento logo a seguir. Aí...

TDAH À FLOR DA PELE

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                                Escultura do artista Mauro Alvim, de Juiz de Fora - MG A coragem de dar a cara a tapa. A força para reerguer-se. A criatividade para reinventar-se. A disciplina para sobreviver ao transtorno. A dignidade para encarar os detratores. A determinação para seguir sozinho o caminho do tratamento. A defesa incansável da liberdade. A inabalável fé que derrota os medos. A riqueza de uma paixão intensa. Amalgama de sentimentos que dão origem a seres únicos. Seres movidos a paixão. Seres capazes de criar o inimaginável. De conceber caminhos impensáveis. De extrair a fênix daquele corpo aparentemente morto. De enxergar a luz no fim de um túnel imaginário; e ter a coragem de buscá-la. Quixotes incansáveis na eterna busca da 'normalidade'. Mas, não seria a 'normalidade' moinhos de vento que movem-se estáticos? De que vale balançar os braços se as pernas pesam como c...

O AMOR ARDOR DO TDAH

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Nota de atualização 2025: Se o amor no TDAH pode ser dor, ele também é ardor — uma força que infla, ocupa e renasce. Este poema traça o caminho da entrega absoluta até o inevitável recomeço, marcando a intensidade rítmica de quem sente tudo em dobro. Força Entrega Ânsia Riso Prazer Delírio Sonho Despertar. Crer Sentir Crescer Inflar Ocupar. Tomar Preencher Transbordar Afogar Sufocar Sobreviver. Reviver Reavivar Reencontrar Reacender Renascer Recomeçar . Viver com tamanha intensidade exige autoconhecimento e equilíbrio. Descubra como gerenciar a impulsividade emocional no site da ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção

O TDAH E O PLANEJAMENTO

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O que é planejamento? Não faço a menor ideia. Nem nunca consegui entender pra que serve um planejamento se a vida é tão cheia de surpresas e desvios. Como prever as reações de todas as pessoas envolvidas em nossas vidas? Qualquer planejamento de vida deve incluir o marido/esposa/mãe/pai/irmãos e irmãs/ filhos e filhas, patrão/empregado/sócio/consumidor/governo/concorrentes; enfim variáveis demais que devem se comportar de acordo com nosso planejamento pra que ele dê certo. Ontem falei das multas, eu tinha um planejamento pra esse dinheiro e as multas sugaram o dinheiro e o planejamento. Tudo bem, não era assim um PLANEJAMENTO, mas tinha uma ideia prática do que fazer com o dinheiro, que me levaria a um alívio financeiro significativo. As multas adiaram tudo. Inclusive transformaram o alívio em sufoco. Como se pode planejar o futuro num país louco como o Brasil? Onde tudo muda a todo o instante? E planejamento de longo prazo? O que estarei fazendo daqui há cinco anos? Sei...

O TDAH APRENDE COM SEUS ERROS?

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O post anterior UM TDAH INVENCÍVEL, gerou uma conversa extremamente prazerosa e útil; nós portadores aprendemos com nossos erros? Meu amigo Frank discordou dessa afirmativa: Segundo Kátia, aí estava a chave do meu depoimento e talvez da minha vida: a certeza dessa 'capacidade de me reerguer', faz com que eu não dê muita importância ou muito valor às derrotas da vida. Frank defendia que ao contrário do que eu afirmei, sentimos muito nossas derrotas. Somos as nossas principais vítimas e sentimos cada gota de nossas quedas. Aí entra  a segunda opinião, da amiga Anonima123, e ela levantou uma questão interessantíssima: sentimos as derrotas, mas as repetimos. Ou seja, não aprendemos com elas. E nisso eu concordo plenamente. Quantas vezes cometemos os mesmos erros? Ou erros muito similares? Anonima123 lembra que sentimos demais as derrotas, mas não as analisamos detidamente. Rapidamente levantamos a cabeça e partimos pra outra. E em pouco tempo estamos repetindo os erros...

UM TDAH INVENCÍVEL

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É incrível como o olhar profissional enxerga tudo de maneira mais aguda e por ângulos completamente diferentes. No último sábado foi realizado a primeira reunião de 2013 do Grupo Mente Confiante; um grupo de apoio aos portadores de TDAH, criado pela Dra. Valéria Modesto e Luciana Fiel - respectivamente minha médica e minha coach - esse grupo é formado pelos portadores, familiares e cuidadores, pacientes ou não da equipe do Mente Confiante. Ali são discutidos aspectos técnicos, explanações científicas, mas principalmente, é um espaço onde nós portadores e nossos familiares podemos discutir nossas dificuldades e nossas vitórias, trocando experiências e estratégias para melhor superar nossa doença. Nessa primeira reunião do ano, o Mente Confiante anunciou um novo serviço: a terapia de grupo. Semanalmente a psicóloga Kátia Carvalho, de Belo Horizonte  - treinada pela Dra. Valéria Modesto e pela Luciana Fiel - virá a Juiz de Fora coordenar o grupo. Kátia estava presente no e...

TDAH INSONE

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Quisera Deus ter forças para jamais sucumbir ao sono. Minhas noites seriam iluminadas apenas pelo verde de seus olhos. Ao amanhecer, eu seria testemunha de que o brilho dourado dos seus cabelos ofuscariam o sol nascente. Uma manhã radiante, como seu sorriso, viria para coroar a noite insone embalada pelo doce som da sua voz. Com as forças renovadas por sua alma forte e vibrante eu ganharia as ruas para mais um dia de vida plena, sem a interrupção inconveniente do sono. E se a dor me atingisse, ela não teria forças para me derrubar pois eu teria a noite inteira para me aconchegar no seu colo e curar minhas feridas. Ah, que pena! Foi somente um sonho! Ainda que Deus me desse o benefício da insônia, teria de dá-lo a você também. Mas aí já seria exigir demais! De Deus e de Você!

TDAH - ORGANIZANDO A VIDA

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Dois comentários em meu último post me chamaram a atenção. Ambos falavam sobre organização mas com enfoques bem diferentes; enquanto um falava sobre a organização espacial , o outro era mais genérico e abrangente. O colaborador dizia que nossa vida era uma eterna tentativa de organização, mas não dispomos de gavetas ou prateleiras que nos facilitem a tarefa. Essa imagem de um mundo sem gavetas ou prateleiras tem me acompanhado desde então e tenho pensado muito sobre o assunto. Nós, TDAHs, não somos desorganizados apenas espacialmente falando, em geral nossas vidas são desorganizadas em todos os sentidos: emocional, financeiro, afetivo, e repletas de sobressaltos e surpresas desagradáveis. Coincidentemente estou passando por um momento assim. Um esqueleto do tempo pré tratamento resolveu reaparecer para me assombrar. E conseguiu. Perdi o sono tentando equacionar a nova vida que quero ter com esse fantasma do passado recente, fruto do estilo de vida: ah, depois eu vejo no que vai...