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Mostrando postagens de dezembro, 2012

PRA QUE TRATAR O TDAH?

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O mundo sou eu. É minha percepção da realidade. É o meu sentimento. É minha dor ou o meu gozo. Só existe a brisa ou o sol onde estou. O negro da noite ou o brilho da lua, só existem em meus olhos. Sem mim não existe o mundo em que vivo, que eu sinto, que eu enxergo. Se o mundo sou eu, posso mudá-lo, alterá-lo, manipulá-lo, para o bem ou para o mal. Tratar o TDAH é apossar-me dos pincéis e tintas que colorem meu mundo e assumir o poder de alterá-las.  Ao tratar-me, a vida assume novas cores, as imagens ficam mais nítidas, posso reconhecer novas nuances, muito além dos cinquenta tons de negro que compõem , em geral, a vida de um TDAH. A vida de ninguém é fácil, a nossa, portadores de TDAH, muito menos. Mas, temos uma vantagem sobre os não portadores: a possibilidade de tratamento. Precisamos assumir o controle de nossas vidas, a tela inacabada está diante de nós, o resultado final depende da nossa criatividade, da nossa imaginação e, principalmente...

CALA A BOCA, TDAH !

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Saber calar-se é um dom dos sábios. Para um portador de TDAH, calar-se é quase um milagre. Imagine a dor que é o silêncio para um TDAH em fúria. Já disse anteriormente que sou dono de uma personalidade sarcástica e de um vocabulário vastíssimo, essa soma é nitroglicerina pura. As palavras saem aos borbotões e crescem em agressividade, alimentadas por sua própria virulência. E não fica apenas nisso, essa inesgotável torrente de palavras se materializa também por escrito. Maldita a hora em que inventaram as mensagens por celular. Em momentos de raiva e de dor escrevo livros inteiros por SMS. Ironicamente, se não sei me calar, quando consigo, calo-me na hora errada. Ao calar-me inoportunamente acabo parecendo omisso, ou sou omisso mesmo, e isto é quase tão ruim quanto a verborragia descontrolada. Arrependo-me quase instantaneamente do que disse, e em vão tento consertar. Mas em geral, o mal está feito. Tenho lutado arduamente para não destruir o pouco que, ...

O TDAH E A DOR DA INSATISFAÇÃO CRÔNICA.

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Nota de Atualização 2026: A Insatisfação é uma companheira constante dos portadores de TDAH. Além do acompanhamento médico e psicológico o autoconhecimento é uma das ferramentas mais poderosas que existem para combatê-la.  Mais forte que o amor. Mais forte que a lógica. Mais forte que os filhos. Mais forte que o sucesso. Mais forte que a felicidade. Mais forte que a glória. Mais forte que a descrença. Mais forte que Deus. Mais forte que o corpo. Mais forte que a alma. A insatisfação germina em nossa alma. Toda a força destruidora do TDAH está nela. Ela é a impulsividade. Ela é a fúria. Ela é o isolamento. Ela é a variação de humor. Ela é a desatenção. Ela é a dor suprema de ser TDAH. Só a mudança aquieta. Só a mudança acalma. Só a mudança estabiliza. Só a mudança entorpece. Mas o tempo a faz germinar. E um dia ela retorna. O novo, que foi novo, envelheceu. O desafio de outrora foi superado, ou nos venceu. O caminho novo, agora sabemos de cor. E ela volta...

TDAH

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Procrastinação Impulsividade Irritabilidade Variação de humor Falta de memória Tendência à solidão Medo Sentimento de inferioridade Pensamento tortuoso Falta de humildade Nada me impedirá Não vou deixar passar Não vai ser minha descrença que vai me impedir Nem meu TDAH vai me atrapalhar Eu quero simplesmente agradecer Dizer muito obrigado E pra dizer que sem você minha vida seria muito mais difícil. Obrigado por dividir o peso comigo Obrigado por ouvir minhas lamúrias Obrigado por me fazer uma pessoa melhor Obrigado por passarmos o Natal juntos MUITO OBRIGADO, EU TENHO VOCÊ AO MEU LADO! FELIZ NATAL !!!!!!!!!!

O TDAH E A LINEARIDADE DE PENSAMENTOS

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Tenho muita dificuldade em acreditar em um TDA sem H. A hiperatividade é, normalmente, associada a um moleque desesperado, agitado, sem educação e sem limites. Mas e nossa atividade cerebral? Os pensamentos que nos invadem, que se atropelam, emendando um no outro e terminando muito longe de onde tínhamos inciado? No meu caso, a hiperatividade na infância foi física mesmo. Lembrei-me ontem de uma vez, eu deveria ter uns cinco ou seis anos, e fui ao parque de diversões pela primeira vez.Quase enlouqueci meus pais pois saltava de um brinquedo pra outro e não queria ir embora. Pra sair dali fui literalmente arrastado, sendo seguro pelos braços pela minha mãe e pelas pernas pelo meu pai, enquanto corcoveava feito um possesso. Essa é minha doce lembrança de um parque de diversões. Apesar dessa experiência inesquecível, quando fechei a loja de tintas cogitei em montar um micro parque de diversões itinerante. Seriam duas ou três atrações no máximo, com as quais eu percorreria cidades do...

CONDENADO PELO TDAH

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Estou condenado pelo TDAH. TDAH é incurável. TDAH é uma doença mental. TDAH é vergonhoso. O que eu faço agora? Minha vontade é não fazer nada. Aquietar-me, deixar o tempo passar. A vida passa; aos trancos e barrancos eu chego ao fim. Chegarei ferido; com um monte de feridos ao meu redor. Mas chegarei ao fim. Chegarei com a sensação de frustração, de incompletude. Mas chegarei. Vários casamentos. Vários projetos inconclusos. Várias decepções em várias áreas da vida. Mas chegarei. E aí eu me perguntarei: valeu a pena? Mas posso levantar a cabeça. Posso enfrentar os preconceitos. Posso me tratar. Como chegarei? Não sei. Melhor com certeza. Cometerei erros, mas quem não os comete? Magoarei pessoas, mas quantas já me magoaram? Repetirei falhas anteriores, mas todos podem fazê-lo. Mas chegarei. E aí eu me perguntarei: valeu a pena? E eu poderei me responder: valeu! Eu tentei. Eu lutei. Eu não me entreguei. ...

PALESTRA SOBRE TDH NO INSTITUTO SUMMUS: O VALOR DO COMPARTILHAMENTO DE EXPERIÊNCIAS

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" Nota de Atualização (Dezembro de 2025): Relembrar este encontro no Instituto Summus me traz muita alegria. Foi um marco na minha trajetória com o blog, pois ali percebi que minha experiência pessoal tinha o poder de educar até mesmo profissionais em formação. De 2013 para cá, o diálogo entre a vivência do TDAH e a psicanálise evoluiu muito, mas a base continua a mesma: a necessidade de levar informação humanizada para todos os cantos do Brasil." No último dia 15 tive o privilégio de participar de uma mesa redonda sobre TDAH promovida pelo Instituto Summus, de Belo Horizonte. O Instituto Summus promove cursos de formação de psicanalista em vários estados brasileiros. Convidado por sua coordenadora em Minas Gerais , Dra. Janise Pedra, ministrei palestra sobre TDAH para um seleto grupo de alunos e amigos do Instituto Summus. Foi um encontro extremamente proveitoso onde pudemos discutir os sintomas, os tratamentos existentes e as estratégias para convivermos mel...

O TDAH E A INADEQUAÇÃO

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Desse lado nada floresce. Aqui tudo se perde. Perde-se o tempo, perdem-se as oportunidades, perdem-se as pessoas, perde-se a vida. Daqui se consegue ver o lado oposto. O lado azul. Conquistas fáceis. Pessoas previsíveis. Monótona felicidade. Por quê? Não há resposta. Sequer há tempo para pensar. Novos incêndios irrompem na vida, novos problemas a cada palavra, novas vítimas. O turbilhão da vida arrasta. Redemoinhos de impulsos. Furacões de emoções. Tsunamis de frustrações. Quando haverá uma ponte onde ambos os mundos se encontrem   e possa,enfim,  haver uma trégua para essas as mentes  exaustas?

O TDAH E O PRÊMIO NOBEL

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Muita gente me incentiva a escrever um livro ou transformar o blog num livro, ou coisa parecida. Os portadores de TDAH saberão imediatamente o que vou dizer: MAS SERÁ QUE MEU LIVRO PODE GANHAR UM PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA? Pois é, esse é o TDAH. Nossos sonhos são delirantes e paralisantes. Não queremos ser atores, queremos ganhar um Oscar na primeira obra interpretada. Só que não nos lembramos de que para ganhar o Oscar ou o prêmio Nobel o sujeito ralou muito, escreveu livros medianos, livros que não venderam , interpretou pequenos papéis desimportantes... O TDAH não! Pensamos no fim, esquecendo que a vida é feita do dia a dia, um passo após o outro. E qual o resultado disso? Frustração, sentimento de inferioridade, paralisia. Ao não conseguir criar A OBRA, aquela definitiva que mudará a humanidade, nos sentimos frustrados e abandonamos projetos que muitas vezes nos são caros e que poderiam render frutos, nos ensinar o caminho das pedras e até mesmo ser o início de u...

UM TDAH SE BASTA?

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Saltei abismos, varei noites, cortei escarpas, pisei pedras, venci corredeiras, escalei cachoeiras. Gelei ao frio, ardi ao calor. Chorei decepções sorri prazeres. Ascendi céus, Mergulhei infernos. Busquei amores! Amores que completassem o vazio da minha alma. Cansado, sentei; aquietei-me, e comecei a perceber que o amor que tanto procuro pode habitar o meu próprio coração.

TDAH - QUEM SABE O QUE A MARÉ VAI ME TRAZER...

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Peguei agora no Universal Channel o final do filme 'O Náufrago'. Bem no finzinho o ator principal conversa com seu amigo lamentando-se por ter perdido a mulher que amava pela segunda vez. Pra quem não assistiu ao filme, o camarada passa 4 anos sumido numa ilha após desastre aéreo, acreditando ter ficado viúva, sua esposa se casa de novo e tem uma filha. Ou seja, ele a perdeu quando seu avião caiu e suas chances de sobrevivência eram remotas e novamente agora quando descobriu que ela estava casada e com filhos.E o mais irônico, um dos seus estímulos para manter-se vivo era uma foto da esposa que ficou em seu relógio, ou coisa parecida. Na conversa ele relata que, logo que chegou na tal ilha, decidiu suicidar-se; mas não deu certo e ele resolveu manter-ser respirando. Até que um dia a maré trouxe-lhe uma vela, e ele fez um barco e saiu da ilha. Não me lembro direito, mas acho que é isso. Ele disse ao amigo que estava sofrendo muito a perda da esposa amada pela segunda v...