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Mostrando postagens de outubro, 2012

UM TDAH ENTRE O DESEJO E A NECESSIDADE

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Pra quem não sabe, eu sou Técnico em Manutenção de Celulares. Adoro meu trabalho, adoro tecnologia, adoro celulares e como bom TDAH amo novidades. Imagine quando tudo isso se junta. Na última sexta feira comprei para a loja um Nokia Lumia. Ele reúne todos os requisitos acima. Além de lindo, tem muita tecnologia e a novidade do Windows phone. Agora calcule o impacto que ele causou em mim. Estou sem telefone. Vendi o Atrix que eu amava. A proposta foi irrecusável e eu abri mão do meu Android personalizado. Desde então venho pulando de um modelo pro outro ao ponto de estar usando nessa semana um celularzinho de quinta categoria abandonado por uma cliente que o deixou pra trocar o LCD. Meu aniversário chegando, o celular entrou por um preço excelente, eu estava louco para experimentar um Windows phone. Resolvido, vou ficar com o Lumia. Trouxe pra casa para o fim de semana. É espetacular e desafiante. Um novo sistema operacional, lindo e desconhecido, tudo o que eu sonhei. Mas, ...

TDAH, UMA ARMA PODEROSÍSSIMA A NOSSO FAVOR

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"Temos que aceitar que temos "armas poderosíssimas" que a maioria dos "atentos" não tem!! " Essa frase acima é de uma leitora, que é médica, que em seu primeiro comentário afirmou ter dois anos e seis meses de vida. O tempo em que foi diagnosticada como TDAH. Ao ler essa frase me de um estalo: uai, não é que ela tem razão! E aí emendo com uma afirmativa recorrente de meu amigo 'Frank Slade': o TDAH que nos derruba é o mesmo que nos dá força para nos reerguer. Pensem comigo, nossa vida é subir uma ribanceira empurrando uma enorme pedra, e conseguimos subir. Imagine se subirmos essa mesma ribanceira sem a pedra! E o que vai fazer a pedra sumir, ou ter seu peso reduzido é o tratamento. Os 'atentos' não estão acostumados a enfrentar os sabotadores como nós, não sabem armar estratégias para burlar a desatenção, não tem a nossa capacidade de se encontrar em meio ao caos de nossa desorganização, os 'normais' não possuem nossas...

UM TDAH QUE NÃO DISCUTE COM NINGUÉM

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Por que não enxergamos o óbvio? Por que é tão simples e ao mesmo tempo tão difícil? Ontem foi a reunião do grupo Mente Confiante, como sempre foi riquíssima, mas a de ontem foi especialmente especial. rsrs Um garoto de 13 anos deu seu depoimento como portador de TDAH e deu um exemplo de maturidade, persistência e inteligência. O depoimento iniciou-se com sua história de vida; ainda bebê enfrentou, e venceu, a morte, tendo inclusive ficado vários dias na UTI. Segundo ele, já passou por várias escolas sendo expulso de pelos menos duas. Impulsivo, irritadiço, atirado, esse garoto vivia às turras com colegas, professores e familiares. Mesmo quando estava com a razão, suas reações muitas vezes excessivas transformavam-no de vítima em algoz. Em inúmeras oportunidades ele foi suspenso nas escolas em que estudou. Depois de tantos dissabores, de infinitas discussões familiares, esse sábio menino tomou uma decisão: NÃO VOU MAIS DISCUTIR COM NINGUÉM! E está cumprindo! Imagine a m...

25 COISAS SOBRE MIM. COM E SEM TDAH

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( Nota de atualização 2026: Por sugestão de um amigo, fiz este inventário. O TDAH não é algo que "está" em mim; ele é parte da minha essência. Se você quer entender como funciona a mente de um portador que ama, sofre, procrastina e sonha, esta lista é o ponto de partida.) Por sugestão do amigo Peregrino DDA, fiz uma lista com 25 características minhas. Não sei dizer direito onde está ou não o TDAH, mas eu não seria eu sem a presença dele. Portanto, ele deve estar em todas as 25 características. ​ Sou desatento. Não esqueço chaves, nunca perdi um celular; mas esqueço compromissos, consultas, lugares, pessoas... ​ Tomo banhos longuíssimos , ali que eu sonho. Ali não sou eu — ou é o momento em que mais sou eu — não sou desse mundo, não existem dores, decepções e cobranças. Talvez por isso a conta de energia lá de casa seja tão alta. ​ Não posso ver uma loja vazia , para alugar, que logo imagino o que montarei ali. Mal consigo administrar minha micro loja e devaneio com...

O TDAH, O BLOG E O MURO DAS LAMENTAÇÕES

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Num comentário por email que recebi antes de ontem, uma amiga virtual comentou que o blog se assemelhava a um muro das lamentações. Confesso que minha primeira reação foi de irritação, depois percebi pelo teor completo do email de que não se tratava de uma crítica gratuita e sim de uma constatação, uma conclusão que ela chegou em função do teor da maioria dos posts. E por que isso? Esse blog é um retrato da minha vida, ou um retrato da minha alma, ele reflete exatamente pelo que eu estou passando, minhas conquistas e minhas derrotas, minhas alegrias e tristezas. Completo em novembro 52 anos, 50 dos quais sem nenhum tipo de tratamento do TDAH é normal que eu ainda sofra os efeitos da doença mesmo quase dois anos após iniciar meu tratamento. Mal comparando, fui fumante por 24 anos e há  14 anos abandonei o cigarro; ainda hoje levo a mão ao bolso da camisa pra pegar o maço de cigarros. O que imagino é que para meu cérebro o hábito do fumo ainda tem profundas raízes ...

AS CERTEZAS INCERTAS DE UM TDAH

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Assisti a uma entrevista da atriz Lília Cabral e uma frase sua chamou-me a atenção:  desde cedo, ainda adolescente, tinha absoluta certeza de que seria atriz. Que inveja! Jamais tive certeza de nada a respeito da minha vida. E quando tive, estava absolutamente enganado. Achei que seria um excelente advogado,  abandonei o curso; sonhei em ser filósofo, abandonei também; tive um sem número de amores infinitos e dezenas de empregos e empresas que julguei serem definitivos. Que inveja, meu Deus! Mas não invejo apenas aquelas pessoas que possuem certezas absolutas, invejo também àquelas que amam algo ou alguém de forma absoluta. Surpreendeu-me saber que algumas pessoas vieram de outros estados para dar o último adeus a Hebe Camargo. Quanto amor, meu Deus, e por uma pessoa que jamais soube da existência daquela tão devotada! Fico estupefato com essas pessoas; milhares, centenas de milhares de pessoas acompanharam a passagem do caixão de Ayrton Senna. Eu jamais sairia de c...

O NAVIO FANTASMA DO TDAH: NEGLIGÊNCIA, ERRO E A MISSÃO DE SER FAROL.

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( Nota de atualização 2026: Nesta metáfora marítima, descrevo o ciclo da autoconfiança perigosa que leva ao desastre. Um relato sobre como pequenos descuidos — o motor que silencia, a rota que se perde — atraem "navios fantasmas" que podem destruir uma vida, e como a dor desse erro pode nos transformar em guias para outros.) Em uma noite sem lua, sob intenso nevoeiro, navegava a pequeníssima nau do comandante portador de TDAH. Se o mar não estava calmo tampouco estava revolto. Exigia atenção e cuidado  mas não medo. Então o portador segue sua rota, afasta-se da costa, venceu um dia nublado com perícia; ao fim da tarde uma chuva encorpada com raios e muitas nuvens negras ocultaram definitivamente a lua que havia surgido tímida no céu. Naquela hora, já em meio à madrugada o oceano se alisava, dois terços da viagem já tinham sido cobertos, uma relaxada já parecia possível. Mas, antes do relaxamento fazia-se necessária uma conferência geral: motores, equipamentos, meteorologia...

O FESTIM DIABÓLICO DO TDAH: Relato de um grande fracasso mental.

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Nota de Atualização 2026:  A "festa" dos sabotadores mentais acontece justamente quando baixamos a guarda por excesso de confiança. Republico este texto para mostrar que, embora o TDAH possa nos desestabilizar com falhas primárias, a nossa capacidade técnica e as pequenas vitórias do cotidiano são o antídoto real contra o desespero. ​A Euforia dos Sabotadores Logo ao primeiro olhar vê-se que comemoram uma vitória. Uma vitória há muito desejada, com o sabor dos velhos tempos, a comemoração da volta ao passado. Do local onde se reúnem, os sabotadores apreciam a derrota das novas forças. Do alto de sua vitória organizam um banquete regado a bebida, comida e sangue. Sangue? Sim sangue. Não o sangue concreto dos mortais, mas o sangue derramado por aqueles que representavam a nova vida, uma vida de conquistas e novos caminhos. Ah, os sabotadores se cumprimentavam  uns aos outros recordando os tempos de glória, um tempo em que exerceram o império absoluto. um tempo em que derrota...