POR QUE O TDAH SE EXPÕE ÀS CRÍTICAS ALHEIAS?







Minha amiga virtual Reily Cleyane comentou meu último post e em seu comentário ela afirma que é criticada por amigos e familiares por seu comportamento muitas vezes negligente.
Essa exposição aos comentários e críticas externas chamou-me a atenção.
Esse é um comportamento típico do portador de TDAH. Agimos às claras, de forma aberta e exposta, para o bem e para o mal. Sei lá por que motivo não possuímos aquela malícia de quem age às escondidas, mantendo em segredo seus erros e seus atos pouco nobres. Não, nós TDAHs não. Fazemos tudo de forma inocentemente aberta, transparente, quase como uma auto punição. Ou como auto punição mesmo. Quantas  vezes seguimos bor um bom tempo tendo um comportamento 'normal', dentro dos padrões esperados pela sociedade, e de repente, não mais que de repente, colocamos tudo a perder de forma grosseira, sem nenhuma sofisticação. Deixamos rastros, nosso monstrinho da negligência ganha proporções gigantescas e já não podemos escondê-lo, explodimos e jogamos tudo o que conquistamos por terra.
De uma forma  ou de outra acabamos dando razão a tudo o que falam a nosso respeito: egoísta, desequilibrado, insensível, irresponsável, preguiçoso, negligente. Esses que eu me lembro agora, existem muitos outros que me escapam nesse momento.
Quantos relacionamentos nós já destruímos? Quantos empregos jogamos fora?  Quantas dívidas contraímos ou deixamos que se multiplicassem?


Você sabe por quê?
Nem eu.
Já fiz coisas inimagináveis.
Já feri 'mortalmente' pessoas que amava; incontáveis prejuízos financeiros causados por uma estranha passividade/negligência; sou capaz de me indispor com gregos e troianos  por absoluta incapacidade de me decidir por um dos lados.
Mas nada disso é feito à sorrelfa, está tudo ali, às claras, tão infantilmente exposto que me atiro às feras expondo-me às críticas e ao julgamento das pessoas que me cercam.
E aí entra o grande paradoxo do TDAH. O mesmo transtorno que me expõe à crítica alheia me impulsiona a seguir adiante ignorando essas mesmas críticas. Sigo minha vida impávido, enfrentando a tudo e a todos de cabeça erguida. Talvez eu não tenha a exata noção do estrago que causei ou não processe de forma integral as críticas que me são feitas; encapsulado em minha vida sigo adiante nessa luta diária contra o TDAH.
Tento reavaliar minha vida e minhas atitudes, mas não posso me escravizar a um passado que não pode mais ser modificado.
Cotidianamente tento agir de forma diferente e melhor, mas muitas vezes nem mesmo o tratamento é capaz de me fazer enxergar onde está o meu erro e acabo sendo surpreendido por resultados que eu colaborei sem perceber.
Ainda não completei dois anos de tratamento; são cinquenta anos de TDAH cristalizado e os venho enfrentando com todas as minhas forças. Um longo caminho ainda terei de percorrer, mas já iniciei esse caminho, já vislumbrei melhoras e conquistas; um dia, tenho certeza, terei mais vitórias do que derrotas para contar e aí sim, estarei menos exposto às críticas alheias. Não por aprender a agir às escondidas mas por ter aprendido a agir melhor, sem permitir que meu comportamento dê margens às críticas alheias, justificadas ou não.

Comentários

  1. Eu ainda não fui a um especialista para ser corretamente diagnosticada. Mas tenho lido bastante sobre TDA e várias vezes me surpreendi com a mesma boca aberta em que me encontro agora, após ler seu post: "jura que isso tem a ver com TDA?????".
    Dá vontade de colocar uma etiqueta na testa escrito: "Sou TDA, não sou tão má quanto vc pensa"

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    Respostas
    1. Paula, quase tudo tem a ver com o TDAH. O que nos ser portadores é a intensidade com que essas características são presentes em nossa vida.
      Todo mundo falha ou esquece ou procrastina, nosso problema é que essas características prejudicam nossas vidas.
      Procure um médico e trate-se, você merece viver melhor.
      Se você for, realmente, TDAH. rs
      Um abração
      Alexandre

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  2. Boa tarde, Maurício!
    Você expressou algo que muito me incomoda: " faço um esforço colossal para ficar em harmonia com as pessoas que convivo". Cara, como luto por isso; e na maioria das vezes inutilmente. Acabo sempre errando aos 45 do segundo tempo. Ou ainda pior, falho exatamente onde e quando não poderia.
    Essas falhas é que mais me expõem às críticas, cheguei há alguns anos a ser uma espécie de judas em dia de malhação. rsrsrs
    Mas faz parte de nossa vida, levanto a cabeça e sido em frente. Mas no fundo, não sei se aprendi com a última falha, nem sei se não a repetirei em outra ocasião e com outra pessoa.
    Um abraço
    Alexandre

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