SEGUIR EM FRENTE APESAR DO TDAH



Existe uma certa tendência a ficarmos agarrados ao passado, às nossas piores características ao sermos diagnosticados como portadores de TDAH. Passamos a fazer uma enorme revisão de nossas vidas, de nossas escolhas, falhas e acertos, responsabilizando o TDAH pelos erros e sonhando com novos tempos.
O tempo vai passando e começamos a nos confrontar com vários dilemas, em geral o primeiro é  fazer ou não o tratamento, depois, manter ou não o tratamento. Uma enorme vontade de contar ao mundo aos berros: OLHA, MUNDO, EU TENHO TDAH! MEU COMPORTAMENTO ATÉ AQUI ESTAVA CONTAMINADO PELO TDAH! As vezes ensaiamos contar aos amigos mais próximos, ou a outros nem tão próximos e, normalmente quando o fazemos a resposta é o silêncio, a descrença, ou um sorriso amarelo. Aí caímos na real: ninguém quer saber, ninguém quer lidar com um 'maluquinho' de uma hora pra outra. Teriam de mudar seus conceitos a nosso respeito.
E agora? Com quem compartilhar meu TDAH e todas as dúvidas que ele me traz?
Quer um conselho? Procurar um psicólogo, escrever um blog ou procurar outros portadores para discutir as angústias. Os 'normais' não querem se incomodar com nossos problemas.
Mas o melhor conselho é: sigamos em frente. Não podemos nos prender ao TDAH, o que foi feito no passado não volta, as pessoas que magoamos ou deixamos dificilmente vão acreditar que agimos sob influencia do TDAH.
A consciência do TDAH tem de ser usada por nós mesmos para um auto policiamento, para evitar que continuemos repetindo os mesmos comportamentos.
Usar o TDAH como muleta e desculpa pra vida é uma enorme tentação, mas nos impede de seguir em frente, de obter novas conquistas e de construir uma nova vida. Obviamente não vamos nos proibir de falar no assunto nem criar um tabu sobre ele, mas o TDAH não somos nós, ele é apenas uma parte de nossa personalidade, de nosso comportamento.
A vida continua, apesar de sermos portadores de TDAH; a terra continua girando, apesar de sermos portadores de TDAH; as pessoas continuam amando, brigando, nascendo, morrendo, apesar de sermos portadores de TDAH; portanto, não se grude às pedras como uma concha. O diagnóstico  de TDAH é um trampolim para alçarmos novos voos, atingir novos patamares e novas possibilidades.
A vida oferece infinitas possibilidades, mas quem está olhando para trás não as percebe.

Comentários

  1. Muito bom o seu post, muito bom o seu blog, tenho 23 anos e descobri que tenho TDAH, passei minha vida, calado, prostado, com poucos amigos e não mantinha uma conversa prazerosa com ninguém. Não sou burro, porem perdi muita coisa com a falta de memória, hoje parece que nasci ontem, lembro de poucas coisas e como descobri que tenho faz uns 1 mês foi antes da descoberta que eu estava sendo muito atingido pela doença. Hoje estou no tratamento pela Ritalina, ainda não sinto muita diferença, e me apoio também pelo seu blog, há coisas que leio que é como se fosse eu escrevendo. Obrigado pelo apoio espero, melhorar meu relacionamento com as pessoas, com minha namorada.

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  2. Força coração de dragão, você vai conseguir melhorar tudo em sua vida se você se informar mais sobre a doença e como lidar com ela, mas descobrir a doença já é um grande começo depois de tantas aflições não é ?

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  3. Vou te dizer uma coisa Alexandre, cada vez que vc escreve é como seu eu tivesse escrito pois por conhecidencia parece que passamos pelos mesmo sintomas ao mesmo tempo. Estava justamente pensando nisso esse semana e parece que desde que descrobri quenera TDAH tenho de certa forma usado isso como muleta para justificar meus comportamentos, mas em contra partida tenho tido comportamentos classicos de TDAH e não tenho conseguido lutar contra eles, bem pelo contrario, eles parecem estar mais fortes. Acho que estou perdendo a batalha.....Mas tudo bem, amanhã é outro dia.
    Um grande abraço!

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  4. Olá!

    Descobri o seu blog por acaso, durante uma pesquisa – no Dr. Google – sobre a Ritalina. Nesta pesquisa encontrei várias opiniões a respeito do medicamento. Algumas a favor e muitas contra. Vi que você é um dos entusiastas do uso do comprimido e, por mera curiosidade, decidi ler os seus textos. Gostei bastante desse espaço onde posso falar com “meus iguais” sobre o que vem me atormentando: o famigerado TDAH.

    Foi também por acaso que, há quatro anos, tomei conhecimento da doença. “Vi” o TDAH, pela primeira vez, numa reportagem de um telejornal. Ao assistir a matéria logo pensei: “Uai, eu acho que tenho esse troço!”. Desde então, recorro ao Dr. Google para me informar a respeito. Fiz vários testes de perguntas e respostas pela internet. O resultado era sempre o mesmo: SIM para a esmagadora maioria das perguntas. Só me convenci que, de fato, eu tinha o TDAH ao comprar o livro “Mentes Inquietas”, da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva. A cada página lida, eu me identificava absurdamente com o transtorno e com os incômodos por ele causados. Apesar disso, resisti à ideia de procurar um especialista. Só em dezembro do ano passado, aos 37 anos, decidi procurar um psiquiatra.

    Na verdade, a ida ao médico era somente para confirmar o que eu já desconfiava. Bastaram alguns minutos de conversa e mais outro questionário para o diagnóstico oficial: “Você tem TDAH”, afirmou o doutor que não hesitou em receitar Ritalina pra mim. O que me assustou foi a dosagem. Dois comprimidos por vez, totalizando oito por dia.

    Sempre brinco que sou o contrário do hipocondríaco, pois só tomo remédio no meu “leito de morte”. Apesar de detestar todo e qualquer tipo de medicamento, decidi encarar. Acho que a superdosagem foi baseada no meu histórico de frequentes problemas de relacionamentos profissionais em função da minha impulsividade descontrolada e do meu inevitável “sincericídio”. No dia em que fui ao médico havia completado uma semana da minha demissão de um emprego cujo salário era de R$ 5 mil. Falei algumas “verdades” para inexperiente e recém-chegado chefe e também sobre a falta de estrutura da empresa. Dei adeus ao meu oitavo emprego em 15 anos. Média de menos de dois anos por empresa. Uma colega minha me disse certa vez: “Você é um excelente profissional, mas esse seu gênio ainda te mata”. Mal sabe ela que o meu problema tem nome, mas é mais conhecido por uma sigla.

    Voltando à Ritalina, decidi usá-la na esperança de dias melhores. Ledo engano. Nada mudou e, como se não bastasse, ainda persiste a dúvida se estou ou não prejudicando a minha saúde com um remédio tão controverso e até mesmo considerado por alguns como “cocaína legalizada”. Sinceramente, gostaria de uma opinião sua, apesar de você mesmo já ter alertado que não é especialista no assunto.

    Obrigado pela atenção e parabéns pelo blog.

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  5. Oi Marcus!
    Obrigado pela força.
    Na verdade, passamos por situações semelhantes e acabamos encontrando soluções parecidas.
    Acho que ainda não existe uma solução para nossos problemas, o que acho mais eficaz é nos conhecer e procurar aprender com as soluções encontradas por outros TDAHs. Por isso leio vários blogs, buscando aprender novas estratégias de convivência.
    Um abraço
    Alexandre

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  6. Sou Gessyca 23 anos..
    Sofro com isso tudo... é muito igual o "sintoma"... lí em algum lugar "um portador do TDAH desde que tratado pode sim ter um emprego duradouro e se manter eficiente dentro da empresa desde que tenha uma boa "secretária"... isso é muito certo, pois eu precisaria de uma agenda ambulante me ditando todos os passos q eu devo fazer, tenho que fazer listinha pra tudo, pois me perco no meio do caminho, sou muito ansiosa, chego a arrancar os cabelos da raiz fio a fio, a muito tempo, enquanto leio e escrevo por aqui, na hora de cozinhar, é uma tragedia, pois tenho filho pequeno, então sempre esqueço do oleo que liguei pra fritar a cebola, ou queimo o arroz, sempre, eu apago simplesmente o q eu fiz anteriormente, na limpeza da casa a mesma coisa, começo numa peça, dai vou noutra pegar alguma coisa e ja fico ali limpando e deixo a outra pela metade, isso me torna totalmente sem eficiencia, mas é algo incontrolavel, tenho medo de esquecer de pegar meu filho, eu esqueco até de tomar agua, tenho q por tudo pra despertar no celular pra eu lembrar algo... é dificil , muito dificil, fora o medo de fazer as coisas, e meu pessimismo. Medo da frustração...

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  7. Que droga, hein!
    Dá uma raiva danada!
    O pior é que passamos dias nos cobrando esses erros.
    Eu certa vez ESQUECI que tinha uma entrevista de emprego. Sabe, minha amiga, temos de aprender a pensar antes de falar, a traçar um roteiro e segui-lo, a planejar o que devemos fazer.
    Essa situação de somente ver os lábios da pessoa se movendo sem saber o que falam é tão recorrente em minha vida que chega a ser exasperante.
    Olha, levante a cabeça, cuide-se, perdemos algumas batalhas mas seguimos em frente. O TDAH não pode ser maior do que nós, do que nossa vontade de viver bem.
    Um grande abraço, e muita força pra você.
    Alexandre

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  8. eu li, e li , e continuei lendo e comecei a rir rir e rir, pois finalmente ME SENTI HUMANO , NÃO ME SENTI SÓ VI QUE PESSOAS PASSARAM O MESMO QUE EU !!!

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  9. Bom dia Toon!
    EU esqueci uma entrevista de emprego uma vez. É mole!
    Olha, amigo, agora passou. Que isso sirva de lição: não tome mais Ritalina do que está acostumado. Nunca sabemos quais serão as reações do nosso corpo.
    Temos o hábito de ficar agarrados aos erros passados, pense pra frente, tente lembrar-se do que foi falado na entrevista, o que foi pedido, e prepare-se para as próximas. Se quer uma dica, fale o que as empresas querem ouvir. Normalmente eles gostam de pessoas que saibam trabalhar em grupo, que sejam proativas, solidárias e essas mentiras que todos falam e ninguém faz em uma empresa. rsrsrs
    Levante a cabeça amigo, vc é novo e novas oportunidades virão.
    Se o seu amigo tem intimidade com vc, procure-o e mostre que na ânsia de acertar você errou. Assim vc não cai em descrédito com ele.
    Um abraço
    Alexandre

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  10. Quando lí o texto acima e ví que apenas 13 pessoas curtiram me perguntei..como este post não tem 21253514 likes como os da "Irmã Zuleide"..??
    Aí me lembrei que ninguém consegue ler o texto até o fim.. :-D ..kkkkkkkk
    Piadinha infame,eu sei..não me xinguem,tá bom?! rsrs
    Mas fazer piada com a própria desgraça é a forma como encontro forças para continuar a luta por dias melhores!!!!
    E sobre o texto..ameiiiiiiiii..me identifiquei 100% com o relato, até parecia que era eu mesma expressando parte do que sinto em relação ao assunto!
    Ah..e sim, eu lí até o fim..e peço bis..ameiiii!!!!
    Parabéns..o blog é realmente muito bom!!!!!

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