A FALTA QUE A RITALINA ME FAZ.
Nota do Autor (2026) Este relato pertence ao início da minha jornada de descoberta. Hoje, olhando para trás, percebo que a "falta que ela me faz" (a medicação) não era uma dependência, mas a peça que faltava para que as engrenagens da minha capacidade técnica pudessem finalmente girar. Reescrever a vida aos 50 requer coragem, mas requer, acima de tudo, aceitar as ferramentas que a ciência nos oferece.
Nota do Autor (2026) Este relato pertence ao início da minha jornada de descoberta. Hoje, olhando para trás, percebo que a "falta que ela me faz" (a medicação) não era uma dependência, mas a peça que faltava para que as engrenagens da minha capacidade técnica pudessem finalmente girar. Reescrever a vida aos 50 requer coragem, mas requer, acima de tudo, aceitar as ferramentas que a ciência nos oferece.
Segundo as palavras de meu pai, que transcrevo literalmente: “Alexandre, eu jamais imaginei que um dia eu fosse ver você fazendo um trabalho desses.”
Confesso que nem eu. Jamais em minha vida cogitei trabalhar em algo que exigisse tanta atenção, tanta paciência e tanta concentração.
O Desafio da Precisão e a Falha nos Detalhes
Ontem foi um dia muito significativo. Graças a Deus, tenho tido muito serviço; passo o dia inteiro no meu laboratório trabalhando. Peguei um trabalho particularmente complexo e o meu tempo para entregá-lo se esgotava em poucas horas.
Mergulhei no Nokia N73. Desmontei-o completamente, troquei o que precisava e o remontei. No finalzinho, notei que “sobravam” algumas peças. Todos aqueles botõezinhos laterais eu havia esquecido de colocar no lugar. Na hora, me veio à cabeça o diagnóstico: não presta atenção aos detalhes.
Uma raiva enorme tomou conta de mim. Comecei a limpar o espaço e a jogar coisas fora com irritação; igualzinho ao meu comportamento antigo.
O Alarme do Tratamento
Foi então que soou o alarme: três horas da tarde e eu estava sem a segunda dose da Ritalina. Um enorme alívio tomou conta de mim; tem solução. Tomei a dose, saí para tomar uma água e voltei. Desmontei o aparelho inteiro, repus os contatos, remontei-o e entreguei ao cliente na hora combinada.
Meu comportamento mudou, minha vida mudou e eu sinto os efeitos do tratamento claramente no meu dia a dia. A concentração e a atenção às minúcias são coisas absolutamente novas que estão acontecendo.
O Esforço que Vale a Pena
Sei que às vezes soa chato, mas quem foi diagnosticado, não pare o tratamento. A Ritalina é uma droga? É. Mas nossa convivência com o TDAH sem auxílio é a pior das drogas; seu resultado em nossas vidas é desastroso.
Nada é perfeito. Eu mesmo ainda procrastino e me irrito, mas estou conseguindo reescrever minha vida. A medicação não faz milagres sozinha, mas somada a uma boa orientação médica e ao coaching, ela abre caminhos. Cinquenta anos, falido e atordoado, precisei dessa ajuda para retomar a caminhada de cabeça erguida.
Coragem: o resultado do TDAH sem tratamento é muito pior do que o esforço de tratar-se.
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Para entender mais sobre as opções de tratamento medicamentoso e o acompanhamento necessário para adultos, visite o site da ABDA : Associação Brasileira do Déficit de Atenção
FAQ - Perguntas Frequentes
O TDAH afeta a escolha de profissão na vida adulta?
Sim. Muitos adultos com TDAH evitam profissões minuciosas por medo do erro. Porém, com o tratamento adequado, a capacidade de hiperfoco pode transformar o portador em um profissional extremamente detalhista e técnico.
A medicação para TDAH causa dependência?
O uso acompanhado por médicos visa a regulação de neurotransmissores. Como o texto ilustra, a medicação permite que a pessoa exerça funções que o transtorno, por si só, dificultaria, melhorando a qualidade de vida e a funcionalidade.

Apoio da familia é tudo mesmo, uma coisa que eu não tenho infelizmente. No meu caso é notável que minha mãe também tem tdah, mas acho que ela nunca aceitaria isso.
ResponderExcluirEnfim, fico feliz em saber que mesmo as coisas não estando perfeitas você ainda consegue tirar forças pra mudar de vida, é um grande passo, parabéns mesmo.
Te desejo muitas vitórias ainda, com persistência podemos chegar longe.
Um grande abraço.
Milla
Oi Milla!
ResponderExcluirObrigado por suas palavras.
Recebi vários comentários com esse sentimento de que a família não apoia o tratamento. Acho que é uma mistura de coisas: desinformação, preconceito e até mesmo uma certa vergonha. O TDAH é uma doença dissimulada, temos um comportamento 'normal', mas parecemos irresponsáveis, imaturos e inconsequentes. Acho que é isso que as famílias´pensam do TDAH. "Tão bonzinho, esforçado, mas é muito imaturo...".
Precisamos uns dos outros, pode contar comigo, não posso substituir sua família, mas a soma de vários apoios nos dá força.
Um abraço