FIM DE CARNAVAL!

Imagem em branco e preto de um homem fantasiado de palhaço com um trompete nas mãos deitado num chão de paralelepípedos. Representando o fim do carnaval.
Quando as luzes se apagam, a fantasia dá lugar à crueza do cotidiano.

Nota de Atualização 2026: Este post, originalmente escrito em 2011, permanece relevante em sua crítica social, refletindo as permanências históricas do cenário político e social brasileiro sob o olhar do autor.
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O Fim da Fantasia

Ah, finalmente acabou o carnaval. Com ele acaba também a vida de fantasia. A vida de mentira. Onde homens são mulheres, devassas são castas, frágeis e decadentes se travestem de super-heróis, plebeus e decaídos de toda sorte fantasiam-se de nobres, barões, reis e rainhas. Um espetáculo grotesco de falta de nobreza e beleza.

O carnaval vai embora, levando com ele amores fugazes, de um dia, poucas horas, um único beijo. Leva também delírios de grandeza de gente humilde que sonha em ser importante e rica, escondendo sua feiúra e miséria sob vestes de falsas pedras, ouro barato e plumas sintéticas, na esperança de merecer um olhar de quem pode pagar pelos magníficos camarotes pelas avenidas do Brasil.

A Crueldade do Real

Ah, finalmente o carnaval se foi! Voltamos à realidade! A realidade das lutas inglórias pelo pão de cada dia. Da miséria sem mácula, sem paetê ou samba que a disfarce. A realidade da discriminação fantasiada de educação.

A realidade dos casamentos sem amor, alicerçados em relacionamentos superficiais, em falsos amores. Cobertos de uma aparência de esplendor, mas abrigando a mesquinhez humana, a falsidade dos pequenos caráteres que o compõem. Como é bom voltar à realidade, onde os nobres roubam e se locupletam das migalhas que deveriam cair para a patuléia. A realidade dos patrões que oprimem, mentem, fraudam os empregados, o governo e o cliente.

As Máscaras Sociais

Viva a realidade! A realidade da justiça morosa e cruel com quem dela precisa. A justiça que tira duas férias por ano, trabalha seis horas, e nunca aos finais de semana. A justiça que pende sua balança sempre para o lado que pode pagar pelos melhores advogados, as melhores testemunhas e pelas verdades mais verdadeiras.

Chega da fantasia do carnaval! Como é bom poder voltar à realidade das falsas religiões que manipulam Deus, Jesus, e assaltam os pobres incautos que a procuram em momentos de desespero. A realidade da educação pífia, voltada apenas à decoreba de fórmulas e fatos. A educação que não ensina o ignorante a pensar, a raciocinar, a analisar, a existir.

O Cotidiano das Filas e do Poder

Que saudade da realidade do BBB e seus diálogos profundos. Suas pessoas honestas, todas com o objetivo nobre de 'fuder' seu colega ao lado. Claro, o prêmio justifica tudo! Poderemos voltar a ver o congresso nacional com os debates entre Tiririca e Romário em prol do desenvolvimento do país.

A realidade de famílias que sobrevivem do bolsa família, de cestas básicas doadas, de filas do SUS, de filas do seguro-desemprego, de filas do INSS, de filas de cirurgias eletivas, de filas de hemodiálise, de filas para manter-se vivas, pois não têm onde cair mortas.

Finalmente acabou o carnaval! Como é boa a realidade dos que se agridem e se matam em nome de Deus; dos que se agridem e se matam em nome do amor; dos que se agridem e se matam em nome do dinheiro. Dos que se agridem e se matam sem nenhuma razão, apenas por agredir, apenas por matar, apenas por poder. Poder dominar, poder humilhar, poder subjugar, poder oprimir, poder roubar, poder matar. A realidade do poder.

Que felicidade; voltamos à vida real!




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Para entender mais sobre o impacto social de diagnósticos e o comportamento humano, acesse as informações oficiais da ABDA: Associação Brasileira do Déficit de Atenção





























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