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O MEDO NO TDAH: O MURO QUE NOS SEPARA DA VIDA.

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Nota de Atualização 2026 : O muro da canção de Chico Buarque que cito no poema, parecia alto porque eu ainda não tinha as ferramentas para saltar. Hoje, com o diagnóstico e o tratamento, percebo que a aventura do lado de lá não é ilegal nem imoral: é apenas a vida me esperando. O medo não é mais o dono do meu bosque. Eu queria o mundo e não tenho nada. Eu queria o amor livre, e sou seu prisioneiro. Eu queria todo amor do mundo, mas só tenho o medo. O medo do caminho. O medo da chegada. O medo de alcançar. O medo. Somente o medo. O medo da culpa. O medo da vida. O medo da morte. O medo do nada. O medo de tudo. O medo do concreto. O medo do abstrato. O medo da conquista. O medo da perda. "Junto à minha rua havia um bosque, Que um muro alto proibia, Lá todo balão caía, toda maçã nascia, E o dono do bosque nem via. Do lado de lá tanta aventura Eu a espreitar na noite escura..."  Não salte o muro! É ilegal. É imoral. É desleal. O medo. Sempre ele. O m...

TDAH: ENTRE O SONHO E A REALIDADE: VIVENDO NO MUNDO DA LUA

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Nota do Autor 2026: Ao reler este texto, percebo que a "cachoeira de imagens" que descrevi ainda é turbulenta. A grande mudança é que hoje não tento mais parar a queda d'água; tento apenas construir margens mais sólidas. O sonho continua sendo um alento, mas a maturidade no TDAH é aprender a colocar os pés no chão, mesmo que a cabeça insista em flutuar. Ganhar na mega sena. Ser sorteado no bingo. Encontrar um velho conhecido na rua procurando alguém exatamente com o seu perfil para contratar para um excelente emprego. O acidente que o deixa quase à morte e leva as pessoas da família a o valorizarem e reconhecerem os próprios julgamentos a seu respeito. O amor imortal que não se cansa, não se desgasta, não fenece. O reconhecimento, ainda que tardio, da Academia Brasileira de Letras. Um olheiro anônimo de uma grande gravadora que descobre seu desconhecido talento musical. Ou simplesmente um fato que, inesperadamente, resolva os maiores problemas que enfrenta...

RITALINA É VIDA(!?) O PERIGO DE SUSPENDER O MEDICAMENTO

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"O tratamento é uma escolha consciente entre o foco produtivo e a inquietude física." Nota do Autor 2026 Em 2026, com 65 anos, continuo com a minha "Ritinha". Aprendi que a ansiedade que ela me causa é um preço baixo perto do caos que a falta dela traz para minha vida financeira e profissional. O segredo é o autoconhecimento. ​A Ilusão do Autocontrole Como todo TDAH raiz, chega um dia que acho que não preciso mais da Ritalina. Já não percebo seus efeitos, consigo controlar o TDAH sozinho... ​O Declínio Silencioso Assim como não percebia os efeitos positivos da Ritalina, não percebo os efeitos negativos de sua ausência. Aos poucos o desânimo começa a se instalar, a falta de foco aumenta, a desatenção ganha escala, a preguiça toma conta definitivamente. São necessários vários meses, anos até, para me conscientizar de que jamais poderia tê-la abandonado.  ​ ​ O Longo Caminho da Retomada Decido retomar seu uso. Essa retomada leva alguns meses. Tem que ter receita, tem q...

A ROMANTIZAÇÃO DO TDAH: Por que o transtorno não é uma modinha de Internet.

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Nota de Atualização 2026:  a "romantização" do TDAH nas redes sociais atingiu o auge, transformando um transtorno sério em entretenimento passageiro. Republico este texto para separar o "TDAH de vitrine" da realidade de quem, longe dos likes, precisa empurrar a pedra ladeira acima todos os dias para manter a vida nos trilhos.  ​ O TDAH de Vitrine Vivemos o período das modinhas. E uma delas é o TDAH. Basta esquecer a chave e o fulano já corre para um grupo de TDAH para postar sua suspeita de ser portador. Existem situações realmente engraçadas e em muitas delas eu mesmo me divirto, mas a maioria baseia-se apenas em tentar fazer parte de uma turma da moda, uma turma de outsiders, um povo meio louco e descolado... Não seria um problema se isso não fosse um combustível para que os anti TDAHs trabalhem para desacreditar ainda mais os diagnósticos e, principalmente, os medicamentos usados em nossos tratamentos.  Os grupos que foram criados pra trocar experiências de quem...

O TDAH E A FÚRIA DO TEMPO: PARE DE CRIAR BOMBAS RELÓGIO CONTRA VOCÊ MESMO!

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Nota de Atualização 2026: O TDAH exige vigilância contínua. O autoconhecimento é a melhor maneira de desarmar as bombas relógio armadas por nós mesmos e pelo TDAH.  Armando a Bomba Relógio   Nos últimos dias tenho me sentido irritado. Na semana passada tive uma explosão de fúria que acabou virando um post deste blog. Hoje aconteceu algo bastante emblemático: me peguei criando e alimentando minha ira. Acordei às sete e meia e determinei que eu deveria sair de casa às oito horas. Talvez  eu fosse a Ibitipoca ( uma cidade próxima onde existe uma reserva florestal com cachoeiras, lagos e etc.) e sair mais cedo seria mais interessante. Mas, note bem, talvez eu fosse . Não havia nada determinado, nenhuma hora combinada. Eu me estipulei sair às oito horas de casa. O Descontrole do Tempo  Levantei e fui fazer meu café da manhã. Ao contrário do que normalmente faço, sequer liguei o notebook para não me distrair e perder a hora. Tomei o café e fui arrumar meu quarto. Não sa...

TDAH: O LUTO DO DIAGNÓSTICO E A LUTA PARA SAIR DAS CORDAS

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                                                                                                Nota do Autor 2026 : Reli este texto com os olhos de quem já atravessou esse ringue. Em 2026, entendo que aquele homem de 50 anos, recém-diagnosticado e acuado nas cordas, não precisava "arrancar as raízes" com tanta violência. O TDAH não é uma planta venenosa, é o solo onde meu edifício foi construído. A luta não é para extraí-lo, mas para aprender a reformar as colunas sem derrubar a casa. Se você recebeu seu diagnóstico hoje, respire: a decepção faz parte da cura. A Ilusão do Tratamento Mágico   Há pouco mais de um mês fui diagnosticado como portador de   TDAH . Naquele momento foi um alívio. Encontrei a razão de meu comportamento autodestru...

O TDAH SONHANDO ACORDADO: REFÚGIO CRIATIVO OU GATILHO DE EVASÃO?

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Nota de Atualização 2026: Pessoas com TDAH frequentemente relatam o hábito de sonhar acordadas, fenômeno ligado à desatenção, à dopamina e à tentativa do cérebro de compensar frustrações recorrentes. Este texto é uma reflexão profunda sobre devaneio, gatilhos mentais e o papel desses sonhos na sobrevivência emocional do portador de TDAH.  ​A Viagem Idílica Um comentário sob o apelido de VISÃO, me tirou da inércia e motivou a existência desse post. O comentário brilhante, aponta o cerne da desatenção como sendo uma tentativa de nossa mente de compensar a deficiência de dopamina que ocorre no cérebro do portador de TDAH. Segundo VISÃO, os portadores de TDAH passam boa parte do tempo em viagens idílicas sobre o presente ou futuro que existem apenas nas nossas mentes. A tradução disso é: sonhamos acordados. Qual é o problema de se sonhar acordado? Nenhum e todos. Quando se sonha, ocasionalmente, acordado, problema nenhum. Quando esse hábito de sonhar acordado invade o horá...