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ANO NOVO, AGENDA NOVA. UM DESAFIO PARA O TDAH.

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Um novo ano começa. A maioria das pessoas inicia uma agenda nova. O primeiro passo é trazer para a agenda nova os compromissos fixos da agenda velha. Aniversários, comemorações, contas periódicas e tudo aquilo que virá de lá para cá. Depois, é só dar continuidade aos compromissos habituais de uma agenda. Encontros com clientes, pacientes, fornecedores, sei lá, qualquer coisa que se queira anotar. Ou que se julgue importante. Ao iniciar-se um novo dia, consulta-se a agenda e prepara-se para tudo aquilo que está ali registrado. Você já imaginou registrar todos os seus compromissos na nova agenda e não consultá-la? É exatamente isto. Comprei ao longo da minha vida, dezenas de agendas. O mais diversos formatos, tamanhos, diagramações e capas. Por alguns anos comprei uma caríssima agenda da revista Exame. Linda, personalizada, com índices financeiros. Um espetáculo. As primeiras semanas do ano estavam repletas de anotações, detalhadas, completas. Ao longo do ano as anotações vão r...

O FUTURO DOS PROJETOS. ENFRENTANDO O TDAH.

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O post anterior me fez pensar no futuro. Como farei para concluir meus projetos? Cinquenta anos de projetos inconclusos me fazem pensar em como deve ser a vida mais equilibrada, sem tantos desvios, tantas torturas e boicotes. Imagino que a Ritalina me alertará para reconhecer meus comportamentos autodestrutivos.   Eles não devem desaparecer da noite para o dia.  Se desaparecerem, não serei mais eu. São comportamentos arraigados, com fortes raízes em minha vida. A questão do dinheiro, por exemplo, ainda estou tendo enormes dificuldades para conter as compras e os gastos por impulso. O prazer imediato ainda me ronda e me seduz. Tenho tido lutas ferrenhas contra ele. Pois bem, mas se a ritalina me despertará para os comportamentos, creio que o "coaching" me treinará para combate-los e transformá-los em algo útil para a minha vida. Fico me perguntando como se dará isso. Como estarei daqui há um ano? Como será a vida " normal"? Meu primeiro passo é trabalh...

VIVER COM TDAH: UMA VIDA À DERIVA

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A primeira atividade (ou projeto) que não concluí creio que foi o Lobinho. Não sei se ainda existe, Lobinho é uma espécie de Escoteiro infantil. Reuníamos todos uniformizados no Granbery e fazíamos passeios, aprendíamos noções de primeiros socorros, higiene, disciplina e coisas do gênero. Meu pai comprou todo o uniforme e acessórios exigidos e lá fui eu. Era um grupo chamado Caiuás, referência a uma tribo indígena. Aprendi a amarrar os sapatos sozinho, cantávamos músicas e hinos , tínhamos noções de sobrevivência na selva - bem primárias, claro - enfim, era um encontro semanal ansiosamente aguardado. Durou pouco, muito pouco. Hoje não sei precisar quanto tempo fiquei no Lobinho. Creio que menos de um ano. Aquilo era muito chato. Tudo tinha fila, ordem,   disciplina , enfim, dei no pé. Depois disso vieram o Judô, que ainda durou muito, uns três ou quatro anos, mas com idas e vindas em várias academias diferentes; violão - pouquíssimo tempo - minha irmã mais velha toca muit...

ANO VELHO, NOVO SABOR! O TDAH DESMASCARADO.

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2010, um ano tão difícil, terminou com sabor de vitória. Reunimos minha família em minha casa, e correu tudo bem. Eu e   Marina   trabalhamos duro para que nada faltasse, para que tudo estivesse pronto a tempo e a hora. Deu tudo certo. Saí, fiz as compras e não esqueci de nada. Não tive que voltar para buscar nada de última hora. Arrumamos o jardim, a casa, fiz minha parte no jantar, lavei todas as louças que usei. Marina me ajudou no jardim e arrumou a casa sózinha. Foi ótimo! Ainda deu tempo de cortar duas abas de nossa estante que impediam a colocação da TV de plasma sobre ela. Segui a sugestão da Marina; não gastei um centavo e ficou excelente. Sentado aqui, diante do notebook, rememoro o dia de ontem. Acordei tarde, muito tarde. Marina apresentou uma alergia em todo o corpo, tivemos que ir ao hospital e só chegamos em casa as duas e meia da madrugada. Perdemos a manhã do dia 31. Ainda assim, arrematei o jardim (limpeza, varrição da grama, arremates de corte), fiz a...

ESCARPAS E ABISMOS; A VOLATILIDADE DO TDAH.

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Ontem e hoje não foram bons dias. Cheguei atrasado a um encontro ontem. Saí de casa com o horário cronometrado, andei um ou dois kilômetros e descobri que havia esquecido a carteira. Até continuaria sem ela apostando que não seria parado em nenhuam blitz da polícia. Só que eu não tinha nenhum centavo no bolso. Nem para pagar o estacionamento. Resultado: voltei para casa em desabalada carreira. Desci do carro correndo e percebi que esqueci, lá dentro, a chave de casa. Voltei para buscá-la. O pior, ainda em casa, antes de sair, notei que a carteira não estava onde deveria. Dei uma olhada por cima, não a vi, e imaginei que ela estivesse no carro. Fui confiando nisso, mas não conferi ao entrar no carro. Dancei. Perdi metade do horário marcado. Um sentimento de derrota se apossou de mim . Achei que já havia superado esta etapa. Mas, se   TDAH   não tem cura, creio ser normal esse tipo de situação. Uma escalada íngreme com alguns tropeços e deslizes ao longo da subida. Não po...

AFINAL, O QUE É SER TDAH? (O CICLO DA DOR E DO ARREPENDIMENTO)

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" Nota de Atualização (Dezembro de 2025): Esta é a parte 1 de uma série de reflexões que escrevi ao longo dos anos sobre a essência do TDAH. Hoje, entendo que o que descrevo aqui como 'andar em círculos' ou 'entrar na gruta' são manifestações da Cegueira Temporal e da busca incessante por estímulo. Revisitando esta trilogia, percebo que ser TDAH é viver em um ciclo constante de queda e renascimento — um processo que a ciência explica, mas que só quem vive consegue traduzir em palavras." S er TDAH é andar em círculos, e mesmo sabendo disso, continuar andando em círculos. É entrar deliberadamente num labirinto, sem uma marcação, sem um barbantinho que seja, para lhe mostrar o caminho de volta. Saber que está no caminho errado, mas continuar impelido por uma força que te manda arriscar. É começar pelo prazer de começar. Conquistar pelo prazer da conquista. Mas não conseguir saborear a conquista ou a continuidade do que começou. É amar o efêmero, sabendo...

ZÉ BUSCAPÉ. O ISOLAMENTO DO TDAH.

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Ganhei esse apelido das minhas filhas. Para quem nao se lembra, Zé Buscapé era um desenho que contava a estória de uma família de ursos extremamente anti-social. Zé Buscapé era o chefe dessa família e só se levantava de sua rede para atirar em qualquer visitante que aparecesse em seu sítio. Pois é, fiquei com essa fama. E faço jus a ela. Eu que fui um   adolescente  extremamente sociável, aos poucos fui me retraindo, retraindo até me transformar num ermitão. Deixei de comparecer a eventos em que eu (no caso minha empresa) era um dos patrocinadores. Eventos importantes, cheio de pessoas que eram meu público alvo. Não fui. Fiquei em casa assistindo TV. Minhas filhas quase me mataram quando souberam. Não tenho nenhuma desculpa plausível. Não fui por uma preguiça de ver gente, de ficar conversando. Eu queria ficar em casa, quietinho, fazendo o que eu queria e gostava. Imagine uma loja de tintas que patrocina um evento da maior loja de móveis e estofados da cidade. Uma ...