A esmo vago pela vida. Entre quedas e derrotas reergo-me e continuo a vagar, apenas para cair novamente mais adiante. Achacado por pensamentos incontroláveis, por impulsos inconfessáveis; vivo(?) à mercê dos hábeis sabotadores que habitam minha mente. Imagino seguir em frente, mas, como num jogo de espelhos, o futuro reflete o passado e a mão que me é estendida revela-se um engodo; frágil, quebradiça, apenas ilude aumentando a dor da nova queda. Como uma nau apátrida, navego ao largo de portos os mais diversos, mas não posso atracar. Daquele povo não faço parte, àquela terra não pertenço. O velho barco combalido pelas intempéries afasta-se de mais um porto e empreende uma nova busca ao longo do vasto oceano da vida. Qual nada, não existirão portos amistosos. A nada ou a ninguém pertenço. Meu destino é vagar; vagar sem rumo à espera da borrasca final que selará o destino de uma vida inteira vivida à margem, à espreita, sem jamais experimentar o inebriante sabor do perte...